perspectivas

Quinta-feira, 5 Novembro 2009

A coragem do pensamento em detrimento do desespero da bravura

Arquivado em: cultura — O. Braga @ 10:34 pm
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Este blogue criou uma ligação para o meu blogue, o que é sinal de coragem ou de bravura. Napoleão dizia que a bravura provém do sangue ― no sentido da irreverência, do afrontamento ― e a coragem provém do pensamento. Se a civilização é, em certo sentido, a luta contra o medo, a coragem é o medo vencido ― a coragem é a revelação da civilização plena e fecunda. Mas só podemos vencer o medo se nos interessarmos em saber a origem das coisas que nos rodeiam, e esse conhecimento não nos pode ser servido em um “pronto-a-vestir” ou “fast-food”. A cultura não se improvisa.

Sobre este postal em particular, não sei se se refere às religiões transcendentes e espirituais ou às “religiões imanentes” que são as ideologias. Os factos falam por si: entre finais do século 19 e finais do século 20, foram assassinadas pelas “religiões imanentes” ― as ideologias ― perto de 200 milhões de pessoas, incomparavelmente mais do que todas as guerras religiosas que aconteceram desde o século III antes de Cristo até ao século XIX da nossa era. Há que ter a coragem de assumir a realidade porque os “factos são teimosos” [Lenine]. Mas se olharmos para a barra lateral do dito blogue, vemos que quem critica as religiões é quem segue uma das ideologias políticas mais desumanas e sangrentas que existiram.

Mas nem tudo é negativo. No princípio do século XX as religiões deparavam-se com a detracção de três vultos com reconhecida autoridade de direito: Marx, Freud e Darwin. Já só resta o último e instala-se o desespero que afoga a razão, e os salvadores contemporâneos recrutados pela loucura debatem-se com as suas próprias contradições.

Quando o autor do referido blogue, um dia, tiver o interesse ― que decorre apenas da atenção que damos às coisas ― de investigar a origem das religiões, talvez eu me sinta então obrigado a devolver-lhe a ligação a partir deste blogue.

1 Comentário »

  1. O número de mortos pelas ‘experiências agricolas’ realizadas com aval de Mao na China, para fins de testar “idéias darwinistas”, mataram mais que todas as cruzadas juntas.

    Comentário por Shâmtia Ayômide — Quinta-feira, 5 Novembro 2009 @ 11:33 pm


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