perspectivas

Segunda-feira, 12 Outubro 2009

O PSD precisa de uma clarificação ideológica interna e urgente

Quando José Pacheco Pereira tacitamente apoiou António Costa em Lisboa, tornou-se evidente que entre permitir que um adversário político ganhasse as eleições em Lisboa e permitir que um inimigo interno no PSD o fizesse, o JPP preferiu a primeira opção. Só me dou ao trabalho de escrever esta coisa porque o PSD é hoje o segundo partido nacional.

psd-invertidoDizia eu que o JPP preferiu um adversário externo no poder, a um inimigo interno. E significa também que o PSD é um partido sem nenhuma orientação política senão a da lógica de um “triunfador” interno de circunstância: quem ganha, não só dita as orientações políticas como define a ideologia; no PSD, a ideologia depende sempre de um líder de circunstância.

É natural que um líder político imprima um cunho pessoal em relação às orientações políticas em função de uma estrutura ideológica que caracterize esse partido; o que não é normal é existam várias ideologias dentro do mesmo partido, e tão diferentes que se elejam inimigos internos e se favoreçam adversários externos em eleições. Portanto, e de uma vez por todas, chegou o momento de uma clarificação política sob pena de o PSD ir por aí abaixo.

O que se passou em Lisboa com o JPP a apoiar tacitamente a campanha socialista, já não se trata de uma manifestação de divergências internas em relação a uma determinada orientação política: trata-se de uma clara divergência ideológica em relação a uma determinada figura proeminente do PSD, neste caso, Santana Lopes. E se existe uma divergência ou mesmo uma clivagem ideológica dentro do PSD, há que a clarificar rapidamente, isto é, há que saber quem está a mais no PSD, depois de se saber claramente o que o PSD defende em termos de um conjunto de princípios que englobam a economia, políticas sociais e culturais. A este conjunto de princípios chamamos “ideologia”, que se define como sendo “um sistema de ideias que traduz uma representação geral do mundo e que define a acção política em termos concretos.”

Para o povo português, não interessa saber qual das facções “inimigas” dentro do PSD cantará vitória depois de uma definição ideológica. O que é importante para a democracia e para o povo português é que o sistema de ideias que define a acção política do PSD seja claro e transparente, para que o povo possa escolher entre a possibilidade do PSD e uma outra qualquer. E se tiverem que acontecer expulsões e purgas internas, será sempre o mal menor desde que contribuam para uma clarificação ideológica interna. E não me venham dizer que o PSD é um partido a-ideológico; quanto mais não seja porque a a-ideologia é em si mesmo um princípio ideológico.

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