perspectivas

Sábado, 12 Setembro 2009

O ilogismo de Richard Dawkins

Filed under: filosofia — orlando braga @ 10:26 am
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O Novo Papa

O Novo Papa

No seu novo livro [The Greatest Show on Earth: The Evidence for Evolution], Richard Dawkins afirma que

“A evolução é um processo não conduzido [unguided process] de mutações aleatórias [random mutations] e de selecção natural.”.

Temos, pois, as componentes da “evolução”, segundo Dawkins:

  • processo não conduzido
  • mutações aleatórias
  • selecção natural

Se um processo não é minimamente conduzido e as mutações são totalmente aleatórias, como pode acontecer uma selecção natural?

Segundo o raciocínio de Dawkins, a selecção natural obedece à “escolha” [selecção] de uns critérios de selecção em relação a outros. Se a natureza “escolhe” ou “opta” por determinados critérios em relação a outros, como é que as mutações podem ser consideradas “aleatórias”?

Por outro lado, se a natureza não escolhe nem opta por determinados critérios de selecção, mas apenas aceita passivamente esses critérios a partir de mutações aleatórias através de um processo não-conduzido, como é possível validar as leis das ciências da natureza?

E como é possível conceber um “processo” que “não seja conduzido” por algum ou vários factores? A não-condução é a negação da definição de “processo”; no processo está implícito um método que se relaciona com uma ordem geral. Como é possível que o “método da evolução” consista na ausência de método e da ordem geral?

O problema de Dawkins é o dogma, que consiste na renúncia à lógica; ele entra em contradição com a lógica matemática que aponta inexoravelmente para a afirmação positiva do Ser.


De um tal Filipe, recebi o seguinte comentário transcrito na íntegra:

esse cara não teve aula de evolução na escola….

Seleção natural é um termo, nada de decompor o termo
As mutações são aleatórias e sem critérios, como qualquer um que já esteve no ensino médio sabe. Ocorrem naturalmente na natureza mutações no DNA que são passadas para frente, e algumas dessas mutações podem trazer benefícios ou malefícios para os que herdarem essa mutação, isto é, podem trazer características que darão maior ou menor chance de sobrevivência e reprodução. Seres que adquirem características que lhe conferem maior chance de sobrevivência tem maior tendência a prosperarem, se tornarem numerosos, enquanto os outros e seus decendentes podem ter novas mutações (e assim sucessivamente), enquanto aqueles que não tiveram tal mutação tem maior chance de extinção. Este processo se chama “seleção natural”, como isto é um termo, nem deveríamos discutir aqui se é correto chamar isto de seleção, mas é assim que o processo ocorre . A Natureza não “seleciona” de fato nada, apenas ocorrem mutações e mudanças no ambiente (incluindo as outras espécies existentes) podem favorecer certas características que tenham surgido de uma mutação e condenar outros seres. E essas mutações são de fatos aleatórias e não são conduzidas por ninguém nem por nada, apenas algumas seres portadores de mutações sobrevivem e outros não.

Em primeiro lugar, vemos um jovenzinho a dizer que alguém que tem uma licenciatura e 50 anos de vida e de experiência, é ignorante. Por aqui vemos o calibre da juventude actual.

E depois reparem bem na estupidez:

[1] As mutações são aleatórias e sem critérios, como qualquer um que já esteve no ensino médio sabe. [2 ] Ocorrem naturalmente na natureza mutações no DNA que são passadas para frente, e algumas dessas mutações podem trazer benefícios ou malefícios para os que herdarem essa mutação, isto é, podem trazer características que darão maior ou menor chance de sobrevivência e reprodução.

Desde logo, “naturalmente na natureza” é “obviamente óbvio”.

E depois vem o dogma: as coisas ocorrem naturalmente sem critérios e de forma aleatória, isto é, a natureza não tem leis. A coisa é fácil: como desconhecemos o critério de ocorrência dos fenómenos ― porque é impossível explicar a mutação das formas, pelo menos nesta fase das ciências experimentais ― dogmatizamos a coisa e dizemos que o critério da natureza é a ausência de critério, e que a lei da natureza é a aleatoriedade.

Se, como diz o burro, “nem deveríamos discutir aqui se é correto chamar isto de seleção, mas é assim que o processo ocorre”, existe um processo sem critérios. Será que as pessoas não se dão conta da contradição?! Um processo sem critérios?! Que se diga que se desconhecem os critérios do processo, para além de ser verdade, é honesto; que se diga que é possível que os fenómenos se processem sem algum critério, é estupidez. E acho que não há volta a dar a tanta burrice.


De uma vez por todas: a Física não é, hoje, uma ciência experimental, mas uma ciência dedutiva e formal

Os jovens continuam a aprender nas escolas que a Física é uma ciência experimental, como é a biologia. Esta ideia incutida aos jovens não é inocente: pretende nivelar a Física pela biologia no sentido de legitimar os princípios dogmáticos do evolucionismo naturalista (Naturalismo). A verdade é que a partir do princípio do século XX, surgiu a mecânica quântica e a relatividade que transformaram a Física em uma ciência formal, e por isso dedutiva ― substituindo a Física clássica newtoniana. Para que eu não tenha aqui jovenzinhos a debitar a doutrina dogmática aprendida nas escolas politicamente correctas, vamos definir alguns conceitos.

  • Formal: o atributo “formal” aplica-se em oposição aos conceitos prevalecentes no senso-comum acerca do conhecimento intuitivo, representável, visual, empírico, ou exprimível por palavras. O conceito formal acerca da realidade (na Física, por exemplo) é considerado como tal se é exprimível ou pode ser compreendido somente através da matemática.
  • Linguagem formal: Em lógica matemática, uma linguagem formal consiste num conjunto de símbolos e de outro conjunto de regras precisas especificando como os símbolos podem ser combinados entre si para se formarem proposições.

A Física é hoje uma ciência “formal” que utiliza uma “linguagem formal”. A Física moderna nada tem a ver com o método científico utilizado na biologia (porra!).

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11 Comentários »

  1. Não duvido que vão criticar seus conceitos de processo, natural etc… porque você sabe como que natural hoje significa “sem Deus”.. então…

    Comentário por Charles Fernando — Sábado, 12 Setembro 2009 @ 4:55 pm | Responder

    • Quem falou em Deus neste postal?!

      Falei em LÓGICA! Lógica matemática. Deixemos Deus fora disso. O problema de Dawkins é com a LÓGICA… Se ele se cingisse à Lógica, não haveria problema nenhum.

      Comentário por O. Braga — Sábado, 12 Setembro 2009 @ 5:55 pm | Responder

  2. Lo que dice Dawkins no va en contra de la lógica matemática(ni siquiera es claro en que sentido se refiere O. Braga a la Lógica matemática, que no es una sola sino muchas), no hay contradicciones. El problema radica en una concepción errónea de selección natural, pues se cree que hay alguien que escoje, y además que escoge según ciertos criterios. Lo que Dawkins expresa con el uso de dicho término, es simplemente que la naturaleza ‘favorece’ ciertas mutaciones, por ejemplo: imagine que por una mutación aleatoria surgen venados con patas más largas, dichos venados correrian más rapido y podrian huir facilmente de los predadores, mientras que los venados de patas cortas no, así que morirían; como ven hubo aquí una selección pero no hubo alguien que seleccionara ni tampoco criterios de selección.

    Comentário por Miguel Angel — Sábado, 12 Setembro 2009 @ 6:20 pm | Responder

  3. processo não conduzido

    es distinto que hayan factores que intervienen en un proceso, a que ciertos factores sean los que dirigen un proceso

    Comentário por Miguel Angel — Sábado, 12 Setembro 2009 @ 6:26 pm | Responder

  4. Se a lógica não é uma, isto é, se a lógica não tem uma lógica, não é lógica. Essa coisa de existirem muitas lógicas não tem lógica.

    O simples facto de existir o sujeito e o objecto é origem de contradições que só a lógica matemática pode sanar.

    Não há ninguém (ou algo) que “escolhe” senão aquilo que a mecânica quântica já nos revelou e que tanto o Miguel como Dawkins teimam em não reconhecer. Se a natureza “favorece”, segue algum critério (mais uma vez a lógica que incomoda!) Ninguém ou nada pode “favorecer” seja o que for senão seguindo um determinado critério.


    Lo que Dawkins expresa con el uso de dicho término, es simplemente que la naturaleza ‘favorece’ ciertas mutaciones, por ejemplo: imagine que por una mutación aleatoria surgen venados con patas más largas, dichos venados correrian más rapido y podrian huir facilmente de los predadores, mientras que los venados de patas cortas no, así que morirían; como ven hubo aquí una selección pero no hubo alguien que seleccionara ni tampoco criterios de selección.

    AMEN!

    Gostaria que o Miguel fizesse duas coisas:

    — explicasse aqui como se formou o “motor flagelar”
    — Que lesse o livro “A Caixa Negra de Dawkins”, do bioquímico Michael Behe

    Comentário por O. Braga — Sábado, 12 Setembro 2009 @ 6:46 pm | Responder

  5. Concordo! Ou é aleatório ou (exclusivo) há escolha. As duas coisas ao mesmo tempo não fazem sentido! Se há uma escolha, já não há lugar para o acaso, será tão difícil de entender?

    Comentário por Henrique — Sábado, 12 Setembro 2009 @ 8:28 pm | Responder

  6. Afirmação positiva do Ser? Qual ser?

    E as leis da termodinâmica? Principalmente a segunda?

    O universo é uma dualidade entre o caos e a ordem e a ordem do universo é o caos, sendo o principio que rege a criação da vida a desigualdade. Se não fosse assim, todos seriamos pó de estrelas.

    São precisamente as mutações que permitem a diversidade de formas de vida e, posteriormente, da evolução dessas formas de vida.
    Como exemplo tenha em consideração o aparecimento do homo habilis e o seu desenvolvimento até aos dias de hoje.

    Quanto ao aleatório, o aleatório do universo quântico não faz sentido na lógica no nosso universo. No entanto, ambos existem e coexistem.

    Comentário por Joca — Domingo, 13 Setembro 2009 @ 1:32 am | Responder

  7. @ Joca e Miguel:

    1.

    Eu fiz referência a uma proposição (uma frase) de Richard Dawkins. O que é que Vocês fizeram? Tentaram sacar dos compêncios de biologia com algumas patranhas que vos enfiaram pela cabeça adentro.

    Portanto, por favor cinjam-se à proposição e não fujam à questão.

    2.

    A adaptação da vida à Natureza, é uma evidência. Não é isso que está em discussão aqui.

    Porém, uma coisa é a adaptação da vida ao meio-ambiente, outra coisa é dizer que «a evolução é um “processo não conduzido” de “mutações aleatórias” e de “selecção natural.”». Uma coisa é uma constatação empírica que, ainda assim ― e por ser empírica ― pode estar sujeita a erro, mas aceita-se como evidente; outra coisa é dogmatizar a realidade empírica.

    3.

    O Henrique, que é licenciado em engenharia e portanto foi obrigado a estudar matemática, desenvolveu no cérebro dele uma aptidão especial para a lógica, e por isso não teve dificuldade nenhuma em apreender a contradição de Dawkins. O problema da biologia é que tem pouca matemática (praticamente nenhuma) e muita crença (encornanço).

    O Joca e o Miguel não conseguiram sequer entender a contradição da proposição de Dawkins, e por isso passaram a conversar sobre outros assuntos.

    4.

    O Ser é tudo o que é. Ser é um verbo: o verbo ser.

    “Eu sou Aquele que sou”. Tudo o que é implica a existência de uma autoconsciência, isto é, implica a relação sujeito-objecto.

    Tudo o que é, é. Eu sou, tu és, ele é, e por aí fora. O problema é só matemática ou já é também de língua portuguesa?

    5.

    Sobre a segunda lei da termodinâmica, ela não vem ao caso. O Joca pretende fugir à questão porque ou não percebeu o que eu quis dizer, ou foge do problema como o diabo da cruz.

    De resto, o que tem a segunda lei da termodinâmica a ver com isto? Se existe uma segunda lei da termodinâmica, existe uma ordem! Não existe ordem sem leis! Sem leis não existem “processos”. Basta existir uma só lei da Física ou um axioma matemático para nada ser aleatório. É tão difícil de entender isto, porra?! Vocês andam a estudar para quê?!

    6.

    O que é o “caos”?

    É engraçado como o cientificismo deita mão a tudo para justificar os seus dogmas, incluindo a mitologia grega. À luz da ciência actual, não faz nenhum sentido o conceito grego de “caos”. Nem a mecânica quântica a utiliza, e teria alguns bons motivos para a utilizar. Quem utiliza o conceito de “caos” na ciência é absolutamente ignorante.

    O caos não existe como tal; o que pode existir é uma ordem de que desconhecemos a essência, e que por nossa ignorância resolvemos chamar de “caos”.

    Uma miscelânea confusa de elementos heterogéneos é o “caos” porque essa miscelânea é estranha ao nosso conhecimento, e não por que seja o absoluto aleatório. Se um sistema é absolutamente aleatório tem uma ordem implícita que o transforma em sistema que inibe o conceito de “caos”. Não existe sistema sem uma ordem qualquer.

    É preciso fazer um desenho?

    7.

    Nem na quântica existe o “aleatório”: existe a organização espontânea das partículas elementares longevas segundo critérios que ainda desconhecemos, mas que por via do “colapso da função ondulatória quântica” através da observação de uma consciência, as ondas quânticas (que não têm massa, e por isso não são matéria) se transformam em matéria (as partículas elementares longevas que têm massa) [ http://www.youtube.com/watch?v=DfPeprQ7oGc ].

    Isto não é ficção científica: o problema é que os vossos professores fogem da verdade como o diabo da cruz. Em resultado disso, Vocês estão sujeitos a uma lobotomia cientificista em que o dogma de Darwin assume contornos de uma religião.

    8.

    Não existe coexistência entre o mundo quântico e o mundo macroscópico. Essa é mais uma patranha que vos enfiaram na cabeça. Seria o mesmo que dizer que o mundo de uma ameba apenas coexiste com o nosso e só porque a biologia da ameba difere da biologia do Homem.

    Através do princípio quântico da “sobreposição da matéria” formada pelas partículas elementares longevas, o mundo macroscópico é formado assumindo leis físicas próprias mas que não deixam de sofrer a influência das leis quânticas através do “princípio do caminho mais fácil” (path of least resistance) da física clássica adaptada à quântica, e dos “saltos quânticos” [ http://www.youtube.com/watch?v=6LKjJT7gh9s&feature=fvst ] que podem ocorrer no mundo macroscópico em situações determinadas e especiais.

    9.

    Vocês dão-me uma trabalheira. Não serão aceites mais comentários de meninos bem comportados que alinham em tudo o que o professor politicamente correcto diz.

    A ler:

    Evidências de que não existe aleatoriedade no universo:

    http://espectivas.wordpress.com/files/2009/09/evidence-for-design-in-the-universe.pdf

    Sobre a segunda lei da termodinâmica:

    A Vida “por acaso” não tem hipótese : http://espectivas.wordpress.com/a-vida-por-acaso-nao-tem-hipotese/

    Teoria das cordas bambas: http://espectivas.wordpress.com/2009/05/10/a-“teoria-das-cordas”-bambas/

    A probabilidade da verdade da criação do universo: http://espectivas.wordpress.com/2009/05/16/a-probabilidade-da-verdade-da-criacao-do-universo/

    Comentário por O. Braga — Domingo, 13 Setembro 2009 @ 6:09 am | Responder

  8. [...] postal anterior referi-me a uma proposição de Richard Dawkins exarada do seu novo livro [The Greatest Show on [...]

    Pingback por O ilogismo de Richard Dawkins (2) « perspectivas — Segunda-feira, 14 Setembro 2009 @ 12:11 pm | Responder

  9. Oh Orlando… Então mas porque elaborar uma resposta tão longa e bem construída se não posso observar a reacção dos gajos?

    Comentário por Fenéco — Quarta-feira, 16 Setembro 2009 @ 4:17 pm | Responder

  10. @ Fenéco: a reacção dos gajos provavelmente não te vai iludir, mas podem iludir muito adolescente que ouviu a lengalenga doutrinária e dogmática na escola. Aliás, muitos dos comentários são a expressão da lobotomia ideológica a que a juventude está sujeita. Mas há dois comentários que não são insultuosos que vou publicar, comentando eu depois no próprio comentário.

    Comentário por O. Braga — Quinta-feira, 17 Setembro 2009 @ 7:13 am | Responder


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