Cheguei ao conceito de “reformismo radical” através desta posta. O “reformismo radical” é a mais recente originalidade do Bloco de Esquerda; é um eufemismo para “acção revolucionária”, assim como a “interrupção voluntária da gravidez” soa melhor do que “aborto”. Se isto não fosse triste, dava para rir. É a merda da política que temos.
“Reformismo radical”… ou será antes “revolucionarismo reformador”?
“Radical” é uma qualidade da “raíz” ― entendida como início ou princípio de algo ― que por sua vez deriva do latim “radice”. Aquilo que é radical está directamente ligado à raíz. Uma acção radical tem como objecto a raíz (o princípio, a origem) de uma problemática, e neste sentido — e na medida em que a raíz de alguma coisa é o princípio segundo o qual essa coisa existe — uma acção radical põe sempre em causa a própria existência dessa coisa.
A “reforma” (reformar = re + formar = mudar a forma ou tornar a formar) nunca coloca em causa a existência ou o valor existencial de algo. A reforma parte de um princípio existente, válido e validado ― parte de um princípio de que a raíz é boa ― para aperfeiçoar o conteúdo e/ou a forma desse algo. Reformar é corrigir, não é erradicação (outra derivação de “raíz”) que o radicalismo traz consigo. Quando reformamos o nosso velho automóvel, consertamo-lo; não deitamos fora o carro velho e compramos um novo, porque se fizéssemos isso optaríamos por uma solução radical (de raíz).
O Daniel Oliveira é um ignorante que se aproveita da ignorância de muitos. Há dois tipos de votantes no BE: os novos ignorantes ou analfabetos funcionais citadinos, e os oportunistas protagonistas de uma agenda política exótica.









