perspectivas

Terça-feira, 7 Julho 2009

Respondendo a um rebaixamento moral

Arquivado em: A vida custa, Esta gente vota, Portugal, cultura — O. Braga @ 8:08 pm

Não há nada como responder a um rebaixamento moral com outro. Quid pro quod.

autoridade-intelectual

O Sr. Pedro Arroja é um exemplo da auto-proclamada “elite intelectual” portuguesa que apostou na castração do espírito crítico popular — que se pavoneia pela indústria cultural da capital do império que já não existe com um paternalismo insuportável.

É preciso dizer ao Sr. Pedro Arroja que a Reforma de Lutero tem muito mais a ver com o vil metal do que com a fé cristã. Quando o Vaticano extorquía a cristandade com impostos em crescendo para construir as maravilhas arquitectónicas romanas, Lutero aliou-se com o poder teutónico fragmentado contra o Vaticano. De igual modo, a igreja de Inglaterra separa-se do Vaticano não por divergências de fé, mas porque Henrique VIII queria o divórcio do seu casamento com a irmã de Carlos V para se casar com Ana Bolena.

Fala o Sr. Pedro Arroja na “questão das penitências” que atribui a uma diferença em relação ao luteranismo. Exactamente porque o luteranismo recusava totalmente o livre-arbítrio do Homem, sendo que o livre arbítrio nada mais era que “um nome em vão”, o luteranismo ― por recusar o livre-arbítrio ― achava desnecessária qualquer penitência. Afinal, se não existe possibilidade de escolha por parte do ser humano (como defendia Lutero), a penitência não faz sentido. Pelo contrário, a tradição católica (e tomista) sempre defendeu o livre-arbítrio do ser humano, e a noção de penitência está intimamente ligada a essa liberdade.

Sob o ponto de vista dogmático, o luteranismo pede meças ao catolicismo anterior à Contra-reforma (Concílio de Trento, 1545), e quando esta aconteceu através do afrouxamento dos laços exclusivistas da religião romana, surgiram no norte da Europa as doutrinas determinísticas do Jansenismo e a Escola de Port-Royal que pretenderam, de certa forma, contrariar a abertura da Igreja Católica protagonizada pela nova orientação mais liberal da ICAR.

O Sr. Pedro Arroja quis atacar a Igreja Católica, e arranjou um pretexto qualquer para o fazer. Seria como se eu dissesse ― se quisesse atacar o tuga ― que o povo português é torpe porque fala a língua de Camões. O Sr. Arroja relacionou dois presumíveis factos que não têm ligação entre si; eu não tenho a certeza se o tuga é torpe, mas com certeza que a língua de Camões não seria, neste caso, para aqui chamada.

A merda da pesporrência intelectualóide, chateia. Não é a elite que está errada: é o povo, e portanto, muda-se o povo!

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