Recebi um email que pode ser lido aqui (PDF) do leitor Tom Silva. Aproveito o ensejo para informar que os comentários neste blogue estão abertos desde que os comentadores façam o respectivo registo no WordPress através do link que existe para o efeito.
Falar da maçonaria e da sua história é coisa complexa, como é complexo falar da evolução de um qualquer pensamento ou teoria. A verdade é que os Illuminati, como a Carbonária e outras organizações, não nasceram a partir da maçonaria mas integraram-se na maçonaria ― mas isso não aconteceu assim em toda a Europa: a Carbonária em Itália nasceu em função da luta pela unificação do país por Garibaldi, embora aquela fosse independente do movimento político deste, e mais tarde integrou-se na maçonaria italiana. Em Portugal, a maçonaria portuguesa “produziu” a Carbonária com o intuito de assassinar o rei D. Carlos I, e depois do rei morto, a própria maçonaria “dissolveu” a Carbonária.
O mesmo aconteceu com os judeus: a maçonaria especulativa começou por rejeitá-los, mas a partir do fim do século 18, os judeus integraram de tal modo a maçonaria europeia que passou a ser chamada, com toda a propriedade, de “judaico-maçonaria”. A reacção da Igreja Católica à maçonaria só aconteceu quando os judeus não só passaram a integrar a maçonaria europeia, como passaram a controlá-la. Quando entramos no século XX, a judaico-maçonaria era já controlada pela plutocracia judaica europeia, que tinha também as suas influências muito fortes nos Estados Unidos que na altura ainda não era a super-potência em que se veio a tornar depois da I Guerra Mundial.
Para entendermos a História da Maçonaria, temos que estudar a fundo alguns temas como: o gnosticismo cristão desde o tempo de Santo Agostinho até à Modernidade e a filosofia judaica medieval (principalmente da Alta Idade Média) de onde surgiu a Cabala na sua versão escrita conhecida por Livro do Esplendor (Zohar) ― enquanto que a versão cabalística do Livro da Criação (Sefer Yetsirá) é oriunda de uma cultura mais antiga que se relaciona e confunde com a própria história do Talmude. O Gnosticismo e o Zohar estão intimamente ligados, mas podemos procurar as raízes de ambas as linhas de pensamento em teorias mais antigas, sendo que a gnose sempre foi um problema para os primeiros cristãos ― incluindo Santo Agostinho ― e o Zohar sofreu influência directa dos neopitagóricos dos primeiros séculos da nossa Era.
Para se ter uma ideia do conteúdo ideológico do Zohar, nele se diz que Deus é limitado, ou seja, inacessível a toda a determinação e a todo o conhecimento. Portanto, se associarmos a cultura do Zohar à Gnose em geral que já vinha do maniqueísmo e de outras teorias atípicas, podemos constatar a mistura explosiva em termos ideológicos que se preparava já desde o século 13 e que explodiu em finais do século 18. Quando Espinosa ― que era judeu ― escreveu a sua filosofia panteísta, nada mais fez do que desenvolver a teoria expressa no Zohar.

Weishaupt
Os Illuminati, como os judeus mas independentemente destes, incorporaram-se na maçonaria especulativa somente a partir de finais do século 18. Por isso, não podemos dizer que a maçonaria tem alguma coisa a ver com a Nova Ordem Mundial senão por causa da incorporação dos Illuminati na sua organização. Por vezes, pergunta-se se os Illuminati terão realmente existido. Atentemos ao que escreveu o presidente dos Estados Unidos, Thomas Jefferson:
“Enquanto Weishaupt viveu sob a tirania de um déspota e dos padres, sabia que precisava de ser cauteloso com a difusão de informações e dos princípios da moralidade pura”.
Portanto, independentemente da aura ficcional que sempre rodeou os Illuminati, o facto de o próprio presidente dos Estados Unidos se referir a Weishaupt revela que os Illuminati existiram realmente como organização. Muitíssimos outros relatos corroboram a versão de Thomas Jefferson. Contudo, os Illuminati de Weishaupt têm origem indirecta ― pelo menos ― no século II da nossa era através de um profeta gnóstico, de seu nome Montano, que dedicava ao culto de Cibelle e que mais tarde se converteu ao Cristianismo embora tenha mantido as influências do culto anterior. Segundo o relato de Eusébio, um historiador do século IV, o culto de Cibelle foi literalmente utilizado por Montano sob a capa do Cristianismo. Foi assim que a Gnose foi penetrando no Cristianismo.
É preciso dizer que o gnosticismo, em termos defendidos pela teologia cristã, é satânica. Disso não há dúvidas nenhumas.
Uma das características do gnosticismo ― incluindo o de Montano ― é imanentização da escatologia cristã, e aqui o gnosticismo mistura-se mais uma vez com o Zohar judaico que defende a tradição judaica do messianismo e do milenarismo. Artigo a ler sobre este assunto:
O messianismo judaico e a mente revolucionária moderna
Em Portugal e Espanha dos séculos 15 e 16, surgiu uma seita com o nome de “Iluminados” ou “Alumbrados”, que teve entre outras personagens, uma protagonista histórica conhecida como a Beata de Piedrahita, que era a filha de um operário de Salamanca. Este grupo foi reprimido pela Inquisição , mas não morreu. Em 1623, surgiu em França, na região da Picardia (norte de França, perto da fronteira com a Alemanha) uma comunidade que tinha emigrado de Sevilha e se auto-intitulava “Les Illuminés”, e rapidamente esta seita gnóstica ganhou popularidade entre os católicos naquela região de França. Mais uma vez, a gnose vence o Cristianismo, conseguindo até a adesão de padres católicos, como é o caso do padre Pierce Guérin, pároco de Saint-Georges de Roye, que aderiu à seita gnóstica em 1624.
Portanto, existe um fio condutor histórico que conduziu aos Illuminati do século 18. Adam Weishaupt não surgiu por acaso. Ele nasceu a 6 de Fevereiro de 1748 em Ingolstadt, Alemanha. Foi educado por padres jesuítas. Em 1775, graças aos padres jesuítas, Weishaupt conseguiu a cátedra de Direito Natural e Direito Canónico na Universidade de Ingolstadt, e portanto, deu aulas de Direito Canónico Católico ― o que é realmente espantoso! Mais uma vez, o Cristianismo se revelou permeável. Em 1 de Maio de 1776, Weishaupt criou a ordem dos Illuminati. Só mais tarde, em 1777, Weishaupt foi convidado a participar de uma loja maçónica regular alemã (Loja Theodor). Portanto, a acção de Weishaupt não se limitava à maçonaria, mas principalmente dedicava o seu tempo à sua própria organização (Os Illuminati) que era independente da loja maçónica em que participava.
No seu início, a doutrina dos Illuminati era composta por uma mistura estranha de misticismo islâmico, cabala judaica, disciplina mental jesuíta e, mais tarde, de ensinamentos da própria maçonaria.
A partir de 1780, os Illuminati estavam em expansão na Europa, e personalidades como Voltaire adoptavam as teorias de Weishaupt. Os Enciclopedistas franceses estavam controlados pela ideologia de Weishaupt. Surgiu o Iluminismo. Desde a sua origem, Illuminati defendiam entre outras coisas, a ideia de que as nações deveriam ser abolidas, as religiões proibidas, a propriedade privada deveria ser proibida, e o mesmo deveria acontecer com o casamento. E isto em 1780, antes da Revolução Francesa!!!!
As ideias de Weishaupt são, sem tirar nem pôr, as ideias da Nova Ordem Mundial contemporânea de Rockefeller, Rothschild, Al Gore, George Soros e & Lda, com a diferença de que a propriedade a abolir agora é a pequena propriedade nacional, sendo que a propriedade das nações deverá passar para o controlo de uma plutocracia internacional ― aqui temos o dedo da judaico-maçonaria que se apropriou das ideias e da organização de Weishaupt.
Os Illuminati, através dos Enciclopedistas, de Diderot, Voltaire, Rousseau, etc., que foram literalmente recrutados por Weishaupt, estiveram na origem da revolução francesa de 1789. Depois da revolução, os membros dos Illuminati franceses misturaram-se coma maçonaria francesa através dos chamados “jacobinos”, que tinham este nome porque a sua organização se reunia num antigo mosteiro “nacionalizado” pelos revolucionários, de seu nome “Mosteiro de Jacob”.
A admissão nos Illuminati era precedida por uma metanóia ― uma conversão a uma nova religião ― cuja descrição pormenorizada pode ser lida num livro publicado em 1802, por um intelectual americano de nome Seth Payson, com o título “Proof of the Illuminati”.
A reacção aos Illuminati nos Estados Unidos, com a excepção de Thomas Jefferson que era um admirador de Weishaupt, foi negativa por parte de muitas personalidades americanas, incluindo o próprio presidente George Washington que considerava aquela organização como “perigosa”. Esta reacção negativa por parte de políticos proeminentes americanos foi uma das razões porque a revolução americana seguiu um rumo diferente da revolução francesa.
Todo o drama humano, com as mais de 200 milhões de pessoas assassinadas só no século 20 pelo movimento revolucionário internacional, teve origem na conjugação de esforços entre os Illuminati e a judaico-maçonaria. Estas organizações são culpadas, mas o Cristianismo como movimento humano, também não pode fugir à sua quota parte de responsabilidade, não só porque durante séculos se permeabilizou ao gnosticismo, como até aderiu a este através da Nova Teologia de Bonhoeffer e da teologia da libertação na América Latina.



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