perspectivas

Sábado, 28 Março 2009

O “banqueiro negro” de Lula da Silva

Arquivado em: politicamente correcto — O. Braga @ 3:38 pm
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O problema de Lula da Silva com a Banca internacional é que “não existe um banqueiro negro”, isto é, se os banqueiros fossem todos negros e acontecesse uma crise financeira internacional, não seria problema nenhum. Ou então, para Lula da Silva, se existissem banqueiros negros, esta crise nunca teria acontecido.

Ou ainda ― o que é mais grave ―, Lula da Silva parte do princípio de que um “banqueiro negro” não raciocina da mesma forma que o “banqueiro branco de olhos azuis”, isto é, para Lula da Silva, o banqueiro, por ser negro é limitado na sua capacidade de ganhar dinheiro ― é burro! ― e por isso, o banqueiro negro, a existir, só poderia crescer numa economia de favela.

A conclusão de Lula é simples: já existe um presidente negro nos Estados Unidos, e agora é que as políticas americanas passaram a estar correctas. Obama pode fazer a merda que quiser que ficará sempre bem na fotografia; a cor da pele define o carácter e a personalidade da pessoa.

Se existissem banqueiros negros, segundo Lula, o capitalismo seria um sistema económico ideal, progressista e apoiado pela esquerda. Mas como não há um “negão” banqueiro, a solução é a intervenção do Estado na Banca. Talvez a solução “lulista” seja um sistema de cotas na Banca internacional: retira-se um “negão” iletrado de uma favela e faz-se dele um banqueiro ― desde que o “negão” cumpra as ordens do Lula, naturalmente.

O populismo tem limites impostos pela razão. Lula da Silva esquece-se que os principais banqueiros internacionais não são propriamente arianos de olhos azuis. Perguntem a um Rockefeller ou a um Rothschild donde vieram as suas famílias…

Esta forma de ver o mundo, protagonizada por Lula da Silva, é confrangedora: em vez de criticar o sistema, mete as raças na equação. E no fim da conversa, conclui que os racistas são os “outros”.

Este é um bom exemplo do que é o politicamente correcto: uma visão da sociedade baseada em grupos culturais, em identidades sexuais, étnicas e raciais, dividindo todo um país para o controlar e dominar, como forma de justificar um projecto de poder que tende para um totalitarismo. Não há nada mais política e culturalmente imediatista do que defender a intervenção do Estado na Banca porque “não há um banqueiro negro”: todo o “negão”, rico ou pobre, aplaude. É assim que se mata a liberdade.

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