O “life fine tunning” do universo e a Razão hegeliana como sinónimo de Realidade
Instala-se o medo em relação à racionalidade evidente da “realidade racional” de Hegel, porque se a Razão predomina entre os humanos, o poder temporal despótico e elitista, diminui.
É ponto assente que a ciência se confronta hoje com evidências avassaladoras sobre o facto de que o nosso universo estar efectivamente sintonizado para a vida ― o chamado “fine tunning” . Dizem os cientistas ― entre si, porque as opiniões que coloquem em causa o ateísmo politicamente correcto, raramente saem nos mídia ― que “foi o universo que se adaptou a nós, e não fomos nós que nos adaptamos ao universo”. O físico Freeman Dyson chegou ao ponto de dizer que (citação) “o universo sabia antecipadamente que nós, humanos, chegaríamos um dia destes”.
As evidências do “fine tunning” constatadas pelos cientistas físicos são de tal volume qualitativo e quantitativo, que ser ateu, hoje, é recusar ostensivamente o exercício da razão ― é optar orgulhosamente pela irracionalidade, é auto-eleger-se como estúpido.
Vem daqui o desespero do movimento ateísta internacional: a própria ciência coloca em causa o ateísmo tal qual sempre foi classicamente defendido, e ateístas como Richard Dawkins, Christopher Hitchens, Daniel Dennett, Sam Harris et al, radicalizam as suas posições e multiplicam-se em acções políticas. Este tipo de radicalização política abrange a maçonaria, onde existe ― como sempre existiu ― uma forte preponderância do ateísmo, principalmente na maçonaria de influência francesa e europeia em geral. Através da maçonaria, o ateísmo invade o aparelho dos Estados europeus impondo um exclusivismo do ateísmo como religião de Estado. Sobre o Gnosticismo característico da maçonaria falarei mais tarde, juntando Hegel a Eric Vögelin.
E porquê esta azáfama política ateísta? Porque a ciência chegou à conclusão de que o universo está delicadamente sintonizado para a vida (fine tunning). As conclusões da ciência levam os ateístas ao desespero. Instala-se o medo em relação à racionalidade evidente da “realidade racional” de Hegel, porque se a Razão predomina entre os humanos, o poder temporal despótico e elitista, diminui.
Se as leis da Física fossem minimamente alteradas, a vida não poderia existir. Se os protões tivessem uma massa superior em 0,02% da que existe realmente, eles não poderiam existir como tal e a matéria atómica se dissolveria em “substância quântica” (ou a “espuma quântica” que é o resultado da dialéctica hegeliana exercida entre o Princípio da Incerteza de Heisenberg e a relatividade de Einstein, sendo que a espuma quântica é, provavelmente, o universo inteiro). Sem átomos, não haveria matéria e não existiria vida.
Os físicos reconhecem que a velocidade de expansão do universo é consentânea com a gravidade no sentido da formação da vida.
Se a gravidade fosse menor do que a que existe na realidade, o universo ter-se-ia expandido após o Big Bang a uma velocidade que não permitira a formação das estrelas e dos planetas.
Se a gravidade fosse superior à existente, ela faria com que as estrelas se contraíssem de tal forma que se tornariam muito densas, pequenas e mais quentes, o que faria com que se consumissem rapidamente ― em termos de tempo total ou tempo cósmico ―, colocando em causa o aparecimento da vida em função do tempo cósmico necessário para que possa ocorrer a evolução material a partir do menos complexo para o mais complexo ― conceito de evolução este que vai de encontro à dialéctica de Hegel, muito antes de Darwin defender o mesmo com outro tipo de argumentos mais comezinhos e mais circunscritos à “vizinhança” terrestre.
Se o nosso universo tivesse quatro dimensões espaciais e uma dimensão temporal, o sistema planetário seria instável e nós não poderíamos existir. Se existissem duas dimensões espaciais, simplesmente a vida no nosso universo não existiria. Se as leis do universo fossem aleatórias, o universo seria morto e sem luz. A própria vida limita os valores que as constantes da Física podem ter.
Aquilo a que alguns físicos chamam de “coincidências inexplicáveis”, é o que Hegel chamou de Razão que é a própria realidade. O que surpreende os físicos é que a vida não é uma componente acidental do universo criada a partir de uma qualquer sequência aleatória química ou física; eles constatam de que existe um sentido sistemático e racional que nos diz que Hegel estava certo quando escreveu que “o que é racional é real, e o que é real é racional”.
(continua)




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Pingback por Hegel e a quântica (1) « perspectivas — Sexta-feira, 6 Fevereiro 2009 @ 3:26 pm
Mas quando eu algo assim parecido, mandam-me com o princípio antrópico
http://pt.wikipedia.org/wiki/Princ%C3%ADpio_antr%C3%B3pico
Devo reconhecer que existe razão no princípio antrópico.
Comentário por Fenéco — Segunda-feira, 9 Fevereiro 2009 @ 7:27 pm
Muito bom, como sempre.
Comentário por Francisco — Terça-feira, 10 Fevereiro 2009 @ 2:45 pm