Basta que exista uma observação empírica de um cisne preto (ou de outra cor) para que a proposição “todos os cisnes são brancos” seja considerada como falsa. Ao ser considerada falsa uma particular proposição referente a uma determinada matéria em análise, essa matéria pode ser considerada como objecto de estudo científico.
Temos, pois, que a categoria “CORES DOS CISNES” merece a atenção da ciência, porque bastou provar que uma só proposição (individual) relacionada com as cores dos cisnes, era falsa, para que essa categoria (universal) pudesse ser integrada na ciência.
É isto o resumo do Princípio da Falsicabilidade de Karl Popper que ele achou ser “um grande avanço” em relação ao método científico tradicional que se baseava exclusivamente na verificação empírica das teorias. Sinceramente, não vejo grande diferença entre o velho método neo-empirista de validação e o princípio da falsificabilidade de Popper.
Em ambos os métodos de análise, não é a verdade ou a falsidade da proposição que é importante, mas somente o facto de a verdade ou a falsidade da proposição poderem serem determinadas através da observação empírica, ou por dedução baseada em critérios empiricamente consolidados (o que vai dar ao mesmo). Portanto, os dois métodos são fundamentalmente a mesma coisa.
Analisemos outra proposição:
“Se toda a matéria, todo o tempo e todo o espaço são efeitos de uma causa, essa causa terá que ser imaterial, intemporal e a-espacial.”
O que diria Karl Popper desta proposição?
Em primeiro lugar, ele não poderia riscar, das leis da Física, o princípio da causa-efeito.
Em segundo lugar, não poderia colocar em causa a lei da Física segundo a qual o efeito não pode pertencer (fazer parte integrante) da causa.
Só lhe restava dizer que a existência de alguma “coisa” imaterial, intemporal e a-espacial não é passível (neste momento) de ser refutada nem confirmada, porque nunca ninguém observou uma “coisa” com essas características ― e como a “coisa” não pode ser refutada nem verificada através de uma observação empírica, a categoria “DEUS” fica sem sentido e passa a ser desqualificada para a análise científica ― porém, esta conclusão é falsa, porque os fotões deslocam-se a uma velocidade superior à velocidade da luz, e por isso e segundo a relatividade, não podem pertencer à matéria (que inclui a energia como sendo “matéria em movimento”).
Isto significa que a própria relatividade de Einstein que está hoje colocada em causa; os buracos negros invertem o espaço-tempo (invertem o futuro e o passado, e anulam o espaço), os buracos brancos fazem a inversão do espaço-tempo em sentido contrário. Portanto, não é hoje difícil conceber algo de imaterial, a-espacial e intemporal; o problema da ciência é o preconceito histórico (dogma) do cientificismo contra a religião.
Isto significa que embora a proposição supracitada seja racional e consentânea com as leis da Física que fazem parte da ciência, e por pura discricionariedade dos cientistas que decidem o que pode ou não ser objecto da ciência, a proposição é invalidada.
Por isso, em face da discricionariedade dos cientistas na definição daquilo que é objecto da ciência, podemos dizer com toda a razão que a ciência como tal não existe.




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Ser intemporal é ser eterno? E se alguém lhe disser que sendo essa causa (Deus) eterna, não poderia ser aplicada ao Universo de igual modo? Um Universo que sempre existiu, logo não possui causa?
O Orlando sempre falou na fé racional e em Deus como não sendo pessoal, mas se não é indiscrição, posso perguntar-lhe se acredita em algum tipo de existência além desta vida que temos? Acha que há algo em nós que perdure, algum tipo de consciência ou alma? Ou estamos condenados a deixar de existir de forma tão fria assim como em tempos não existiamos? Como um interruptor que se liga e que inevitavelmente será desligado? Independentemente de existir um “gajo” inteligente e com propósito por detrás disto tudo?
Comentário por Fenéco — Sexta-feira, 30 Janeiro 2009 @ 10:09 am
Tempos atrás escrevi algo que te vou enviar por correio, em papel. Nesse escrito abordo a questão do tempo, esse eterno desconhecido que tantas dores de cabeça tem dado aos cientistas…
Comentário por Henrique — Sábado, 31 Janeiro 2009 @ 7:37 am
Feneco:
Ser “intemporal” significa literalmente que “não pertence ao nosso
tempo”, tempo entendido dentro do conceito moderno de “espaço-tempo”.
Vamo-nos “despir” de conceitos bíblicos quando falamos de filosofia. A
filosofia não é a bíblia, com todo o respeito por esta.
A causa do tempo, do espaço e da matéria, não pode ser o próprio tempo,
espaço e matéria. A essa causa, convencionou-se chamar de “Deus”. Se
quiseres, podes dar-lhe outro nome, que é absolutamente indiferente para
o caso.
A fé racional pressupõe que a razão deve estar presente na fé. Não
devemos acreditar pela crença, mas devemos acreditar porque faz sentido,
é racional. Certo? A fé racional não se pode limitar à crença, porque a
razão pressupõe lógica e raciocínio.
Eu não acredito em nada; eu sigo a razão. Se a razão diz que a causa da
matéria, do espaço e do tempo terá que ser, segundo as leis da própria
ciência, imaterial, intemporal e a-espacial, a essência da causa com
essas características (Deus) passa a pertencer à própria realidade ― faz
parte da realidade. E tudo o que faz parte da realidade é racional.
Portanto, Deus é racional, e sendo a Causa, não há razão nenhuma que
possa defender a ideia de que o Homem, como ser racional, não pertença à
mesma essência de Deus. Note-se que eu não falo de matéria (panteísmo),
mas de razão.
A filosofia quântica, que tem uma relação dialéctica com a Física
quântica, defende a ideia de que a ondulação quântica (consciência) está
na origem da matéria. Eu já escrevi sobre isso aqui. Não se trata de
acreditar: trata-se de raciocínio, de razão. Como sabes, a filosofia
está sempre à frente da ciência entendida em termos neo-empiristas.
Comentário por O. Braga — Sábado, 31 Janeiro 2009 @ 10:26 am