perspectivas

Sábado, 11 Outubro 2008

Eu deixei de acreditar na Europa

A propagação das ideias oriundas do marxismo cultural ― como podemos ver neste postal, desta feita na Suécia, amanhã em Portugal ― levarão inexoravelmente a um retrocesso civilizacional. Vou passar aqui um pequeno excerto:

«I assume this means that I should be able to choose a female name on my identity card and that the state is oppressing me if it doesn’t allow this. Since employing artificial categories such as “male” and “female” contributes to upholding the exploitative world order of poverty and global warming, one must assume that children will starve in the Sudan if I cannot call myself “Mary” or “Christine” on my driver’s license. After all, I may have a penis, but it’s a socially constructed penis and it contributes to an unjust capitalist system.

Unfortunately, this is unscientific nonsense. Professor Helmuth Nyborg at Aarhus University in Denmark did research which revealed that there are differences between the sexes when it comes to intelligence. This triggered massive resistance. According to him, “Within the realms of psychology you are not allowed to talk about intelligence. You cannot measure intelligence and you cannot rank people according to intelligence. The entire field of intelligence is a so-called ‘no-go-area.’” If you still choose to proceed, you are a bad person. If you also look at differences between groups of people, you are viewed as immoral and plain evil.»

O que se está a passar na Suécia é decadência pura e dura. O pior é que temos por cá quem pense exactamente da mesma maneira.

Naturalmente que esse retrocesso civilizacional será lento e não percepcionável pelo cidadão comum, por forma a que o processo de involução não seja passível de ser invertido em resultado de uma análise racional de tipo “causa-efeito”. A involução civilizacional traz consigo a anestesia da sociedade; esta não se dá conta do que está a ocorrer, exceptuando uma pequena elite que muitas vezes colabora com o processo involutivo em troca de contrapartidas materiais de circunstância.

Uma vez iniciado o processo de involução civilizacional, só uma revolução violenta o poderá parar ― e esta é a triste conclusão que podemos tirar acerca de cada um dos lados do radicalismo: provoca sempre mais e mais radicalismo violento, sem fim à vista. Em parte, Oswald Spengler tinha alguma razão.


O busílis da questão é que o marxismo cultural confunde “igualdade” com “equivalência”. Trata-se de um erro gravíssimo que terá custos e consequências difíceis de calcular a uma distância de três ou quatro gerações.

É certo que a natureza não concede direitos ao Homem; apenas a vida, e mesmo o direito de viver está sempre periclitante e ameaçado.

O conceito de “igualdade” adoptado pelo marxismo cultural tem origem na ideia de “homem natural” de Rousseau, que mais tarde foi adoptado por Proudhon, Engels e Marx. A ideia de “homem natural” é totalmente absurda ― tal como o próprio Rousseau acabou por admitir ― porque o Homem só atinge um mínimo de “segurança” necessária à sua sobrevivência vivendo em sociedade, e a partir desse momento, cria-se automaticamente “cultura”. O “homem natural” de Rousseau, desprovido de cultura, é um homem que não pode sequer existir.

Portanto: segurança ≈ cultura.

Com a cultura, surge o Direito Positivo, ou Direito Legítimo (o Direito feito pelo Homem), que são as leis que a sociedade adopta para garantia dessa mesma segurança colectiva.

Portanto: segurança ≈ cultura ≈ direito.

Com o Direito, surge o conceito de “equidade” (ou “equivalência”).

Estes quatro componentes que caracterizam a vida em sociedade surgem em simultâneo, isto é, não podemos dissociá-las temporalmente umas das outras. À medida que as sociedades se vão tornando mais complexas, o Direito vai reflectindo essa mesma complexidade.
Por exemplo, a sobrevivência de grande número de deficientes não é devida a qualquer direito natural que tenha sido automaticamente incumbido à civilização do século vinte, mas foi a sociedade da nossa época ― os costumes, a ética e a moral ― que decretaram essa forma de garantismo em relação aos deficientes ― impondo a evolução do Direito Positivo que acompanhou o processo de complexidade crescente da sociedade.
Até aqui, estaremos todos de acordo.

A partir do momento em que o ser humano passou a viver em família monogâmica, iniciou-se o processo civilizacional de “equivalência” entre sexos ― e só aqui. Por isso é que o casamento monogâmico foi ― e é ― tão importante sob ponto de vista civilizacional. O processo de evolução, rumo à “equivalência” entre os sexos ― e não rumo à “igualdade” ― tem sido lento, mas seguro.
Poucos direitos foram reconhecidos à mulher na Idade Média europeia; e, nessa altura, mesmo o homem pertencia a algum outro, e os direitos de homens e mulheres eram nada mais do que privilégios concedidos pelo Estado ou pela Igreja. Não era só a mulher que estava privada de direitos; a maioria dos homens também não os tinha. E a revolta radical contra esse erro medieval foi igualmente errada, por ter levado à crença de que todos os homens nascem iguais e, concomitantemente, de que a mulher e o homem são “iguais”.

A “igualdade dos sexos”, própria do marxismo cultural, é uma crença. Existem atributos que a mulher tem e o homem não tem, e vice-versa. Os direitos de cada um dos géneros deve acompanhar as diferenças, segundo o conceito de “direitos variáveis”.
Naturalmente que não me refiro aqui aos direitos humanos básicos; refiro-me aos “direitos especiais” politicamente correctos que são retirados aos homens em geral, para os dar às mulheres em geral ― assim como o marxismo económico retira a propriedade de uns para dar a outros sem olhar ao mérito individual de cada um deles.

O que existe de racional é a necessidade de “equivalência de direitos e obrigações ” no espírito do Direito Positivo contemporâneo, e não a “igualdade de direitos em teoria e diferença de obrigações na prática”. A realização por decreto-lei da suposta “igualdade natural” levará o Homem civilizado rapidamente de volta aos hábitos rudes das idades primitivas ― não haja a mínima dúvida disto.

A sociedade nunca poderá, em tempo algum, oferecer direitos iguais a todos (“casamento” gay incluído aqui), mas pode comprometer-se a administrar os direitos variáveis dos indivíduos com equanimidade e justiça ― e para isso, necessitamos de uma elite de políticos honestos e de grande elevação moral, que é exactamente o que não existe na Europa e em Portugal.

É da responsabilidade da sociedade prover, ao ser humano, uma oportunidade justa e pacífica de buscar o seu sustento, de participar do futuro da sociedade através da cultura e da reprodução e, ao mesmo tempo, de desfrutar, em alguma medida, da autogratificação; é a súmula destas três condições que constitui a felicidade humana. Contudo, não há nenhum homem igual a outro, nem a mulher é igual ao homem. Existem apenas “equivalências” e “direitos variáveis” que o Direito Positivo corrige a partir do Direito Natural, tendo em conta os limites impostos pela natureza e que não podem ser escamoteados sob pena de um retrocesso civilizacional.

Baixar Artigo em PDF

No Comments Yet »

Ainda sem comentários.

Feed RSS para comentários a este post. TrackBack URI

Publicar um comentário

Você deve ser Sessão iniciada para publicar um comentário.

Blog em WordPress.com.