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Quarta-feira, 24 Setembro 2008

O mito da “civilização islâmica”

Arquivado em: Islamismo — O. Braga @ 3:37 pm
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Etiquetas: islamismo, religião, cultura, civilização, Averróis, Avicena


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Há dez anos atrás, a minha opinião sobre a chamada “civilização árabe” era amiúde considerada como sendo uma blasfémia. O tempo acabou por me dar razão; aliás, é sina minha: falo sempre antes do tempo próprio das ideias.

A influência do desconstrucionismo histórico-revolucionário na cultura contemporânea é de tal forma que qualquer opinião que corrobore uma evidência histórica é sumariamente ostracizada. Até mesmo personalidades marcantes da Direita, como o Prof. Hermano Saraiva, acabaram por apoiar (tacitamente) algumas ideias construídas acerca do que foi, na realidade, um império maometano, e não uma civilização.

Um exemplo do que quero dizer é este postal (em espanhol): vejam que se diz que Averróis era espanhol, quando Espanha não existia como tal e quando se sabe que o árabe Averróis nasceu na Córdova islâmica do califado dissidente do ocidente dos Almóadas (ou Umáiadas), cujo califado durou até 750, e cujo representante fugiu da Síria para a península ibérica onde fundou um califado dissidente. A oriente, os Abássidas tomaram conta do califado (750) por pressão política dos Xiitas da Pérsia que seguiam Ali, o genro de Maomé, e mudaram a capital do califado do oriente, de Damasco para Bagdade. Dizer que Averróis era espanhol não é simples ignorância: é uma barbaridade propositada e uma aviltação da História ― faz parte da desconstrução ideológica da História que caracteriza a Esquerda.

Averróis

Averróis

Uma civilização pode gerar um Império, mas um Império não se constrói automaticamente a partir de uma civilização ― existiram civilizações que não se constituíram em impérios ― e existiram impérios que não foram civilizações. Misturar os dois conceitos não faz sentido. O Império mongol não foi uma civilização, e a civilização Maia não foi um Império. Subjacente à ideia de “civilização” está a criação intelectual genuína e endógena, e não o simples “comércio” de ideias. Embora tivesse existido alguma criação intelectual endógena por parte dos árabes islâmicos, a sua quantificação não permite que possamos considerar o Império maometano como uma civilização. Eu não devo ser considerado “civilizado” quando me aproprio das ideias dos outros; os outros serão os civilizados; eu não.

A Arábia era (e é) um território desértico e incapaz de manter a sua população crescente. A hegira (a fuga de Maomé de Meca para Medina) aconteceu em 622 d.C., e com ela começou a Era Maometana. Nessa altura, o árabe era um povo semi-nómada e muito atrasado em relação aos seus vizinhos. Depois da morte de Maomé, as conquistas militares árabes processaram-se a uma velocidade vertiginosa: a Síria foi conquistada em 634, a Pérsia foi invadida em 637, Constantinopla (a capital cristã do Império Romano do Oriente) foi cercada pelos maometanos em 669 (e de novo em 716), o Egipto foi anexado em 642, Cartago conquistada em 697, e em 711 o território da península ibérica estava anexado pelos maometanos (com a preciosa ajuda dos judeus ibéricos que se rebelaram contra os visigodos) ― com excepção de uma parte do norte de Portugal, da Galiza e das Astúrias.
Em menos de um século, os árabes maometanos construíram um Império pela força das cimitarras, que se estendia desde as fronteiras da Índia até à península ibérica, e só foram parados na batalha de Tours em 732 ― exactamente um século depois da morte de Maomé. Dizer-se que os árabes passaram de um povo atrasado (em relação aos seus vizinhos) para um povo com civilização própria e endógena, em apenas 100 anos, é um absurdo que tem sido alimentado pelo anticristianismo primário da Esquerda. Se não fosse absolutamente irracional, a Esquerda seria capaz de defender a cultura do canibalismo da Papuásia para assim tentar justificar a “inferioridade cultural cristã”.


Já vimos que quem abriu as hostilidades históricas entre maometanos e cristãos foram os primeiros. Toda a reacção bélica europeia e cristã foi consequência da invasão e implantação exclusivista do Império maometano. Os maometanos não eram (nem nunca foram) de facto mais tolerantes do que os cristãos; eles tinham e têm o conceito da “Jizya”, que é o tributo islâmico: todas as pessoas que professassem uma religião diferente da islâmica eram obrigadas a pagar um imposto especial (a Jyzia); se não o pagassem, essas pessoas eram decapitadas. Em tempo de guerra, a Jizya era aumentada de tal forma que reduzia os não-maometanos à penúria e à miséria, e muitas vezes à condição de escravatura ― salvo se se convertessem ao Islão. Esta era a “tolerância” islâmica.

O Império árabe era uma monarquia absoluta governada pelo califa ― sucessor de Maomé. A primeira dinastia do califado foi a dos Umáiadas que durou até 750, e os califas da primeira dinastia aceitavam Maomé mas não aceitavam o fanatismo religioso. Os árabes, embora conquistando territórios em nome da religião, não eram uma raça muito religiosa. Com a entrada dos persas no jogo político, o fanatismo religioso acentuou-se e os Umáiadas foram substituídos pelo califado dos Abássidas. O último califa abássida foi morto pelos mongóis em 1256, numa carnificina sem precedentes históricos que matou cerca de 1 milhão de habitantes de Bagdade e da Pérsia ― comparado com isto, as reclamadas atrocidades das cruzadas cristãs foram “peanuts”.

Avicena

Avicena

A cultura grega chegou aos maometanos através da Síria que tinha sido ocupada em 634 pelos exércitos islâmicos. Os sírios há muito tempo que conheciam Aristóteles, e os nestorianos (cristãos) sírios veneravam Platão. Por oposição política aos nestorianos cristãos, os árabes islamitas adoptaram Aristóteles e consideraram-no como sendo mais importante do que Platão ― e vem daqui o aristotelismo do árabe Averróis e da cultura islâmica em geral: Platão foi relegado para segundo plano porque era um filósofo ao gosto dos cristãos. Contudo, o platonismo era incontornável, e Kindi (m. 873) foi o primeiro que escreveu filosofia em árabe e o único de nota e que era genuinamente árabe. Kindi traduziu parte das Enneades de Plotino a que chamou de “Teologia de Aristóteles”: ceder ao platonismo formal era uma blasfémia entre os maometanos, por oposição aos cristãos platónicos.

Os nestorianos Sírios cristãos, de quem os maometanos receberam as primeiras influências gregas, espalharam-se pela Pérsia antes da invasão muçulmana e foram os grandes responsáveis pela divulgação da cultura grega no mundo que se veio a tornar islâmico.

A civilização persa permaneceu resplandecente, como já era antes da invasão maometana. A partir da Pérsia, os maometanos tiveram contacto com as civilizações da Índia e da China. Um persa (e não um árabe), Omar Kayam, reformou o calendário islâmico em 1079. Os “grandes poetas árabes” não foram, na sua esmagadora maioria, árabes; o poeta Firdusi (m. 941), autor do Shahnama era persa e reza a História que repudiou o islamismo mas foi obrigado a aceitá-lo sob pena de morte.

A pouca cultura do Império islâmico aconteceu nas extremidades do Império: na península ibérica e na Pérsia. A filosofia dita “islâmica” resume-se a duas personalidades: Avicena e Averróis.

Ibn Sina Avicena (980 ― 1037) era persa, nascido na província de Bokara. A cultura apologista do islamismo considera Avicena como tendo sido famoso em medicina, quando Avicena nada mais fez do que copiar as ideias de Galeno ― Avicena foi guia da medicina na Europa até ao século 17, quando ele de facto acrescentou muito pouco à teoria médica de Galeno. A fórmula segundo a qual “o pensamento produz a generalidade nas formas”, mais tarde repetida por Averróis e por Alberto Magno, e que serviu de suporte ao “nominalismo” de George Berkeley, é de autoria do persa Avicena.

Ibn Rochd Averróis (1126 ― 98) nasceu em Córdova, filho e neto de cádis (ele próprio foi cádis de Sevilha e de Córdova) foi perseguido politicamente pelo califa almóada (umáiada) Yakub Al-Mansur, por ser considerado um relapso em relação aos ensinamentos de Maomé, acabando por se refugiar em Marrocos.

A filosofia árabe não é importante pela originalidade ― pessoas como Avicena e Averróis são essencialmente comentadores. Maimónides (n. Córdova, 1135) era judeu. As concepções dos filósofos mais científicos vêm de Aristóteles e dos neoplatónicos em lógica e metafísica, de Galeno na medicina, de fontes gregas e indiana em matemática e astrologia (de onde veio a chamada “numeração árabe”, que é de origem indiana, incluindo a noção de “zero”), e em filosofia mística ― que inclui o sufismo ― há uma mistura de velhas crenças persas. A “arquitectura árabe” e as artes em geral foram “sacadas” aos persas ― nada têm de genuíno e original, e não revelaram capacidade de especulação independente em matéria teórica: a sua importância é a de simples transmissor de outras civilizações.

O Islão foi um Império; não foi uma civilização.

4 Comentários »

  1. Neste momento carissimo Orlando há Olivença para solucionar,, e parece que poucos se apercebem disso.
    Obrigada pelo texto.
    Aguardemos que Henrique venha esta semana para casa
    Beijos
    Ashera

    Comentário por Ashera — Quinta-Feira, 25 Setembro 2008 @ 1:51 am

  2. Orlando, se trata de simple filosofía divulgativa, ningún académico se tomaría en serio esa reseña. Desgraciadamente esa filosofía para adolescentes tiene una influencia muy grande.

    Por cierto, solo hay que ver la bailarina de la foto que ilustra el artículo para darse cuenta de la confusión mental que aqueja a nuestra psicóloga.

    A Alkindi le destruyeron los libros de la biblioteca y le dieron 60 latigazos en público, para que se dejara de filosofar.

    Comentário por AMDG — Quinta-Feira, 25 Setembro 2008 @ 7:07 am

  3. [...] precursores do racionalismo foram clérigos cristãos, incluindo Occam, e que com a excepção de Averróis e Avicena, nada mais surgiu no horizonte islâmico que pudesse causar alguma espécie de Renascimento [...]

    Pingback por Deus nunca foi problema, mas os homens que se fazem de deuses « perspectivas — Sábado, 18 Outubro 2008 @ 1:38 am

  4. Jornal “ALTO ALENTEJO”(Distritos de Portalegre e Évora), 11 de Março de 2009
    (Grande fotografia da Mesa da Jornada)
    A JORNADA DO PORTUGUÊS DE OLIVENÇA
    UM ESTRONDOSO ÊXITO
    O dia amanheceu sem nuvens significativas. O Sol pareceu querer saudar o evento. E não
    era para menos!
    Neste dia 28 de Fevereiro de 2009, e pela primeira vez desde 1801, a Língua Portuguesa
    manifestava-se livremente em Olivença. Mais do que isso, com a “cobertura” das
    autoridades espanholas máximas a nível local e regional. E, talvez ainda (!) mais
    importante do que tudo isso, graças à iniciativa, ao esforço, à coragem de uma associação
    oliventina, a Além-Guadiana.
    Não por acaso, jornais e televisões estavam representados. E talvez por acaso, pois
    outra razão seria insustentável, não estavam órgãos de comunicação portugueses,
    empenhados com outras realidades informativas. De facto, decorria o Congresso do Partido
    do Governo em Lisboa.
    A Jornada do Português Oliventino decorreu na Capela do vetusto Convento português de
    São João de Deus. Num clima de alguma emoção. Estava-se a fazer História… e quase 200
    pessoas foram testemunhas disso, entre as quais o arqueólogo Cláudio Torres, o “herói” do
    mirandês Amadeu Ferreira, e… bem… fiquemos por aqui!
    Falou primeiro o Presidente da Junta da Extremadura espanhola, Guillermo Fernández
    Vara. Curiosamente, um oliventino. Foi comovente ouvi-lo confessar que, na sua casa
    paterna, o Português era a língua dos afectos. Uma herança que ele ainda conserva, apesar
    de já ser bem crescidinho… e Presidente duma região espanhola.
    De certa forma, estava dado o mote. O Presidente da Câmara de Olivença, Manuel Cayado,
    falou em seguida, realçando o amor pela língua portuguesa, e acentuando o papel de
    Olivença como ponto de encontro entre as culturas de Portugal e Espanha.
    Joaquín Fuentes Becerra, presidente da Associação, fez então uma breve intervenção, em
    que se destacou a insistência no aspecto cultural da Jornada.
    Juan Carrasco González, um conhecido catedrático, falou das localidades extremenhas,
    quase todas fronteiriças, onde se fala português, com destaque para Olivença, e defendeu
    que tal característica se deveria conservar.
    Usou depois da palavra Eduardo Ruíz Viéytez, director do Instituto dos Direitos
    Humanos e Consultor do Conselho da Europa, vindo de Navarra, embora nascido no País
    Basco, que defendeu as línguas
    minoritárias e explicitou a política do Conselho da Europa em relação às mesmas. Informou
    a assistência sobre o ocorrido com o Português de Olivença. De facto, o Conselho da
    Europa já havia pedido informações ao Estado Espanhol sobre este desde 2005, sem que
    Madrid desse resposta. Em 2008, graças à Associação Além-Guadiana, fora possível conhecer
    detalhes, com base nos quais o Conselho fizera recomendações críticas.
    Seguiu-se Lígia Freire Borges, do Instituto Camões, que destacou o papel da Língua
    Portuguesa no mundo, com assinalável ênfase e convicção. Tal discurso foi extremamente
    importante, já que, tradicionalmente, em Olivença, se procurava (e ainda há quem procure)
    menorizar o Português face ao “poderio planetário” do espanhol/castelhano.
    Uma pequena mesa redonda antecedeu o Almoço. Foi a vez de ouvir a voz de alguns
    oliventinos, em Português, bem alentejano no vocabulário e no sotaque, em intervenções
    comoventes, em que não faltaram críticas e denúncias de situações de repressão
    linguística não muito longe no tempo.
    À tarde, falaram Domingo Frade Gaspar (pela fala galega, nascido na raia extremenha) e
    José Gargallo Gil (de Valência, a leccionar em Barcelona), ambos
    professores universitários, que continuaram a elogiar políticas de recuperação e
    conservação de línguas minoritárias. O segundo fez mesmo o elogio da existência de
    fronteiras e do de seu estatuto de lugar de encontro e de compreensão de culturas
    diferentes, embora não como barreiras intransponíveis.
    Seguiu-se Manuela Barros Ferreira, da Universidade de Lisboa, que relatou a
    experiência significativa de recuperação, quase milagrosa, do Mirandês, a partir de uma
    muito pequena comunidade de falantes, convencidos, afinal erradamente, de que aquela
    língua tinha chegado ao
    fim. O exemplo foi muito atentamente escutado pelos membros do Além-Guadiana.
    Falou finalmente o Presidente da Câmara Municipal de Barrancos, a propósito dos
    projectos de salvaguardar o dialecto barranquenho e de o levar à “oficialização”.
    Queixou-se do estado de abandono em que se sentia o povo de Barrancos face a Lisboa.
    No final, foi projectado um curto filme sobre o Português oliventino, realizado por
    Mila Gritos. Nele surgiam
    oliventinos a contar a história de cada um, sempre em Português, explicando os
    preconceitos que rodeavam ainda o uso da Língua de Camões e contando histórias
    pitorescas. A finalizar o “documentário”, uma turma de jovens alunos de uma escola numa
    aula de Português
    pretendia mostrar para a câmara os caminhos do futuro.
    Deu por encerrada a sessão Manuel de Jesus Sanchez Fernandez, da Associação
    Além-Guadiana, que ironizou um bocado com as características alentejanas do Português de
    Olivença, comparando-o com o pseudo superior Português de Lisboa.
    A noite já tinha caído quando, e não sem muitos cumprimentos e alegres trocas de
    impressões finais, os assistentes e os promotores da Jornada abandonaram o local. Com a
    convicção de que tinham assistido a algo notável.
    Estremoz, 28 de Fevereiro de 2009
    Carlos Eduardo da Cruz Luna

    ALENTEJO POPULAR (jornal Progressista), 5-Março-2009
    OLIVENÇA DEFENDE PORTUGUÊS
    (grande fotografia do Convento de São João de Deus em Olivença, com carros e pessoas à
    sua porta)
    ANTÓNIO MARTINS QUARESMA/HISTORIADOR
    Conforme o «Alentejo Popular» noticiou no último número, realizou-se no passado 28 de
    Fevereiro, em Olivença, um encontro, que teve por tema central o português oliventino,
    isto é, o português alentejano ainda falado naquela cidade pela franja mais idosa da
    população.
    A organização deste Encontro deve-se à recentemente fundada associação oliventina Além
    Guadiana, que, estatutariamente, persegue a revitalização das raízes culturais
    portuguesas, em particular da língua. Esta Associação, dirigida por jovens, representa em
    Olivença uma nova maneira de encarar a cultura tradicional, valorizando-a e combatendo o
    preconceito que normalmente atinge as formas de cultura popular.
    O Encontro foi apoiado pelas instituições locais e regionais espanholas, como o
    “Ayuntamiento” de Olivença e a Junta de Extremadura, que aliás estiveram presentes
    através do Presidente da Junta, o também oliventino Guillermo Fernández Vara, e pelo
    “Alcalde” de Olivença, Manuel Cayado Rodríguez.
    Recorde-se que em Olivença, antiga vila portuguesa desde o século XIII, anexada à
    Espanha no princípio do século XIX, o português se falou maioritariamente, até há bem
    pouco tempo. Hoje em dia, é falado apenas por uma minoria, mas os vestígios materiais da
    presença portuguesa são numerosos e muito visíveis. A influência portuguesa é sentida
    também nos «pormenores». A doçaria, por exemplo, onde sobressai um saboroso doce, que dá
    pelo peculiar nome de técula-mécula, é familiar ao nosso gosto alentejano.
    Nesta jornada estiveram presentes alguns linguistas, portugueses e espanhóis, cujas
    comunicações se revestiram de alto nível. Eduardo Ruíz Viéytez fez ressaltar a ideia de
    que a defesa das línguas minoritárias, como o POrtuguês oliventino, é também uma questão
    de Direitos Humanos e uma preocupação do Conselho da Europa. Juan Carrasco González
    explicou as variedades linguísticas da fronteira. Lígia Freire Borges falou no papel do
    Instituto Camões. José Gargallo Gil dissertou sobre fronteiras e enclaves na Península.
    Manuela Barros Ferreira trouxe o MIrandês, a língua minortitária de trás-os-Montes.
    Manuel Jesus Sánchez Fernández focou as dificuldades do Português oliventino. Servando
    Rodríguez Franco mostrou exemplos de alterações toponímicas em Olivença, resultantes da
    interpretação castelhana do POrtuguês. Domingo Frades Gaspar discorreu sobre a língua do
    vale do Eljas. António Tereno, o único responsável político português presente, explicou,
    por sua vez, as vicissitudes por que tem passado o processo de «classificação» do
    «barranquenho».
    Um momento especial foi a intervenção de José António Meia-Canada (querem apelido mais
    alentejano?), natural de Olivença, que, na sua língua materna, deu genuíno testemunho do
    Português oliventino.
    Por fim, foi projectado um projectado um documentário sobre o Português de Olivença,
    realizado a propósito. Após a projecção, com a noite já entrada, a Jornada terminou, no
    meio de geral satisfação, pelo seu êxito e pela geral convicção de que se estão a
    realizar acções profícuas no sentido da defesa do Português oliventino.
    Uma palavra ainda sobre a Associação Além Guadiana. Ela tem o seu sítio na “net”, onde
    se podem encontrar notícias sobre as actividades que desenvolvem, para além de diversas
    informações com interesse. Basta procurar no Google, ou ir directamente aos endereços
    “http://wwwq.alemguadiana.com” e “http://alemguadiana.blogs.sapo.pt/”. O Presidente da
    Direcção é Joaquim Fuentes Becerra. Os restantes mebros são Raquel Sandes Antúnez,
    conhecida de todos os que gostam de boa música e do grupo oliventino Acetre, Felipe
    Fuentes Becerra, Fernando Píriz Almeida, Manuel Jesús Sanchez Fernández, Eduardo Naharro
    Macías-Machado, Maria Rosa Álvarez Rebollo, José António González Carrillo, António
    Cayado Rodríguez e Olga Gómez.
    À laia de apelo, deixamos aqui uma nota final, dirigida especialmente às entidades
    portuguesas responsáveis pela política cultural, para que, à semelhança do que fazem os
    nossos amigos oliventinos, também em Portugal se preste atenção ao Português alentejano
    de Olivença.

    Comentário por Carlos Luna — Domingo, 22 Março 2009 @ 10:25 pm


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