perspectivas

Quarta-feira, 3 Setembro 2008

É só fazer as contas!

Filed under: Política — orlando braga @ 2:32 pm
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«Em todos os campos em que há lugar para a adição e a subtracção, há também lugar para a razão; e onde tais operações não encontrem lugar, a razão nada tem a fazer.»

Thomas Hobbes (1588 ― 1679) ― in Leviatão

Um deputado socialista é preso ― em directo para as televisões ― em plena Assembleia da República, acusado (não é “suspeito”: é acusado) de 23 (vinte e três) crimes relacionados com pedofilia, é colocado em prisão preventiva de acordo com os preceitos da lei, ao fim de 4 meses consegue-se uma medida de coacção substitutiva para a prisão preventiva, um ano depois consegue-se que as acusações lhe sejam retiradas por acção de um outro juiz (entretanto o juiz que o mandou prender foi parar a uma comarca do Oeste interior), depois consegue-se que o então PGR seja enxovalhado e não reconduzido no cargo, depois elegem um novo PGR ligado à maçonaria, e recentemente consegue-se que o Estado português pague ao deputado socialista 150 mil euros de indemnização.

De acusado em 2003 de 23 crimes de abuso sexual de crianças portuguesas, o deputado socialista acaba de receber agora do Estado ― que somos todos nós ― 300 mil contos.

Em primeiro lugar, e partindo do princípio que a justiça se enganou, pergunto-me como é possível termos uma polícia e um ministério público tão “incompetentes”. Enganarem-se em 23 crimes? Ora diga lá outra vez: vinte e três ? Então o Ministério Público elabora uma acusação baseada em 23 crimes… e é tudo só fumaça?!

Repare-se. Das duas uma: ou 23 crimes se inventam por manipulação do Poder Judicial pelo Poder Político em 2003, ou 23 crimes se “des-inventam” por manipulação do Poder Judicial pelo Poder político em 2005 e agora se reforça essa “des-invenção” em 2008. Ninguém na posse das suas capacidades mentais pode colocar a hipótese de “erro judicial” tão grave e crasso num caso que envolveria eventualmente 23 crimes de abuso sexual de menores.

Portanto, a simples lógica de Hobbes nos diz que, de uma forma ou de outra, em 2003 ou em 2008, o Poder Judicial foi manipulado, o que significa que não existe um Estado de Direito em Portugal.

Por último, parece-me que isto foi um sinal da nossa “justiça” em relação a todos os casos de acusados no processo Casa Pia ― à excepção do desgraçado Bibi: provavelmente sairão todos com uma indemnização choruda paga pelo Estado de todos os portugueses.

Estamos a precisar de uma intervenção militar. Isto já não vai com “paninhos quentes”.

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5 Comentários »

  1. Meu amigo:
    A instituição militar actual não tem ninguém capaz de liderar uma intervenção dessas: é um corpo castrado. A única esperança da nação portuguesa reside na evangelização massiva do povo e no consequente valorização dos valores morais positivos – honestidade, verdade, honra, coragem, … No fundo, aquilo que competiria à educação, mas que ela deixou de fazer. Pense o assunto com tempo, coloque todas as hipóteses e vai ver que chegará a esta mesma conclusão. Inevitavelmente.

    Comentário por zedeportugal — Quarta-feira, 3 Setembro 2008 @ 5:22 pm | Responder

  2. Castrados, caro zedeportugal andamos todos, sem poder fazer mais nada senão evangelizar, blogar no nosso caso. Vamos a isso, adiante. Mesmo com os fracos recursos que temos.

    Comentário por Henrique — Quarta-feira, 3 Setembro 2008 @ 9:03 pm | Responder

  3. Confirma-se o que se dava como hipótese: em Portugal só há um grande pedófilo, esse tal do “Bibi”. Cuja natureza de pé-rapado agrava a sua mórbida deformação.

    E é tão mais fácil fazer estas constatações das leis naturais que matarmos as nossas cabecinhas com pensamentos criativos…

    Comentário por pedronunesnomundo — Quinta-feira, 4 Setembro 2008 @ 8:59 am | Responder

  4. Não estou a par do processo de do Pedroso como, creio, que o autor do post esteja.
    Mas sentenças serem revistas é vulgar, para isso é que existem tribunais superiores.
    Quanto a serem 23 ou 230 ou 2300 crimes acho que é irrelevante. O que estaria em causa seria um crime continuado, nada mais.
    Por fim acho chocante este post que, sem estar a par dos factos tenta manter no ar a culpa do Pedroso, o seu autor devia ter um conhecimento minimo da justiça e do Direito e abster-se de lançar acusações ao acaso.

    Comentário por O Raio — Sexta-feira, 5 Setembro 2008 @ 4:46 pm | Responder

  5. Raio:

    1.em primeiro lugar, o Raio diz que “não está a par do caso”;

    2.em segundo lugar, o Raio presume que eu não esteja a par do caso; primeiro, não sabe ao certo, mas presume e depois afirma como sendo certo;

    3.em terceiro lugar, o Raio fala em eventual “crime continuado”, quando existe mais do que uma alegada vítima. O crime continuado pressupõe (na lógica consuetudinária jurídica que generaliza o conceito) uma só vítima. Pela sua lógica, poderia existir um eventual “crime continuado” de 23 crimes em outras tantas vítimas ― o que é um absurdo;

    4.em quarto lugar, o Raio presume que eu “acuso” neste post o Paulo Pedroso do que quer que seja. O Raio desconstrói o texto, à boa maneira marxista, para depois inferir o que lhe der na real gana a respeito do que leu. O que não pode é dizer que eu disse aquilo que não disse. O que eu disse, preto no branco, é que a justiça portuguesa é uma merda; isto foi o que objectivamente eu disse e repito. Subjectivamente, cada um pode interpretar, “desinterpretar” e desconstruir o texto como quiser ― assim como há quem afirme, desconstruindo o texto de Camões, que “Os Lusíadas” é uma obra machista, imperialista e colonialista. Estamos num país livre (até ver).

    5.Antes de escrever um comentário, deve-se ler o que o texto pretende objectivamente dizer; aquilo que subjectivamente o texto possa eventualmente querer dizer depende da leitura e interpretação subjectiva de cada um dos leitores, e se quiserem retirar conclusões subjectivas do texto, são sempre livres de o fazer ― mas não garantam aqui, a pés juntos, que as vossas conclusões subjectivas são as minhas; não têm, simplesmente, esse direito só porque essa conclusão não é racional.

    6.Ademais, era o que faltava que o pensamento do cidadão passasse a ser controlado, que as ideias subjectivas fossem homogeneizadas ou sujeitas a “lápis azul”; só faltava isso para o quadro do “sistema” passasse a estar completo e para passarmos todos a ter muitas saudades do Salazar.

    Contudo, “E pur… se muove.

    Comentário por O. Braga — Sexta-feira, 5 Setembro 2008 @ 9:56 pm | Responder


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