perspectivas

Segunda-feira, 25 Agosto 2008

As “necessidades” que se inventam

Arquivar em: Sociedade — O. Braga @ 9:49 am
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«Como viviam as pessoas há apenas uns poucos anos, quando não havia telemóveis? Para a maioria, aliás, esta questão está mal formulada; aquilo que não compreendem é como era possível as pessoas conseguirem viver sem telemóvel, nesses nada longínquos tempos.

Há quem diga, paradoxalmente sem qualquer pudor, sentir-se “completamente nua” quando por acidente se esquece do aparelho em casa; isto numa versão condizentemente feminina, está bom de ver, porque nos homens a sensação mais comummente confessada, quando outro tanto sucede com eles, é a de sentirem que lhes “falta alguma coisa”. »

O telemóvel não é um simples meio de comunicação: passou a ser um produto de primeira necessidade. Escrevi, há dias:

O filósofo David Hume escreveu há mais de 200 anos um ensaio que pode ser lido em qualquer boa biblioteca: “Da Superstição e Entusiasmo”, no qual descreve como nas sociedades civilizadas a mente do Homem está sujeita a um número incontável de terrores e preocupações fabricadas, que surgem quando as verdadeiras preocupações com a subsistência cessam de existir. É o que está a acontecer na nossa sociedade.

Se há alguém que gosta das “novas tecnologias” de comunicação sou eu; mas quando estas passam a ser uma obsessão, um apêndice inalienável do nosso carácter e uma extensão da nossa personalidade, alguma coisa de profundamente errada está a acontecer connosco.

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