Ao relermos um livro, uma nova imagem dele se sobrepõe à ideia que dele tínhamos, como se os conceitos fossem substituídos por outros, de uma forma sucessiva, até que nenhum conceito anterior permaneça na nossa memória — isto é, ao acabarmos de o reler, as ideias que ficaram da última leitura desvanecem-se completamente da nossa memória — e por isso ponho em dúvidas as certezas de Freud.
A língua portuguesa de Alexandre Herculano é um hino àquela língua que o Acordo Ortográfico pretende eliminar dizendo exactamente que o não pretende fazer. Estou a reler o “Eurico, O Presbítero”, de Alexandre Herculano:
Substituam “godos” por “europeus” e temos o livro actualizado.




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