Segundo o nosso quadro constitucional, a Presidência da República existe como um contra-poder; não tenhamos ilusões acerca disto. Aliás, é assim que o povo português tem entendido a função do PR ao longo de três décadas, e esse contra-poder tem existido sempre durante a III República desde Ramalho Eanes a Jorge Sampaio. Nem poderia ser de outro modo, porque a nossa democracia representativa consiste exactamente no equilíbrio de três poderes: legislativo, executivo e presidencial ― porque o poder judicial não existe. Se o poder judicial existisse em Portugal, o Tratado de Lisboa não estaria hoje ratificado sem que a Constituição Portuguesa fosse alterada pela Assembleia da República.
Pela primeira vez temos um Presidente da República que se comporta como um César. Este texto do Prof. Maltez é escorreito e certeiro:
Ademais, este PR não se comporta como um monarca moderno, porque os reis modernos praticamente não têm poder a não ser aquele que a confiança do povo neles possa inspirar. O poder do monarca moderno é simbólico, como que se de uma emanação moral do povo se tratasse.
Em vez de se constituir como um contra-poder, este PR alimenta a sanha de um despotismo que englobe e domestique os seus próprios adversários políticos.
Cavaco Silva vai falar hoje na TV para nos dizer, resumidamente, que está tudo “porreiro, pá!” e que os 400 milhões que o governo quer gastar na Educação por causa da parceria com a Intel é susceptível da sua imperial indulgência.




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Esse texto do Prof. Maltez está a matar…
Comentário por Henrique — Sexta-feira, 1 Agosto 2008 @ 3:51 pm