perspectivas

Domingo, 20 Julho 2008

Slavoj Zizek

Arquivado em: filosofia — O. Braga @ 11:51 am
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Slavoj Zizek é o filósofo de que se fala.

À semelhança de Olavo de Carvalho, Zizek tem uma visão crítica do Iluminismo que classifica de “totalitário”, do relativismo naturalista que alimenta a “perversidade de um cepticismo” em relação a qualquer tipo de metafisica subjacente à noção de “bem” e “verdade”, e é um feroz crítico da Esquerda europeia que vê a “diferença” e a “diversidade” como bens absolutos em si-mesmos. Zizek considera que depois de Hegel a filosofia deixou de existir como tal ― utilizando aqui o sentido de humor cáustico característico dos eslavos.

Há quem diga que Zizek é um liberal, no sentido hayekiano, e outros ligam Zizek à esquerda radical. Eu penso que essa conclusão é precipitada, porque Zizek é um crítico das ideologias em geral, incluindo o neoliberalismo. Na minha opinião, e embora não concorde com ele em algumas ideias daquilo que li, Zizek é ― de facto ― um “livre pensador” na verdadeira acepção da palavra.

Zizek considera a ideologia como sendo uma “falsa consciência” que controla os cidadãos, e que a contemporânea incredulidade dos cidadãos em relação aos políticos impede que as ideologias se afirmem na sociedade da mesma forma que aconteceu no passado recente. Contudo, o facto de a ideologia estar em crise não significa que vivamos em um “mundo pós-ideológico”, como defendem os pragmatistas contemporâneos ― entre os quais Richard Rorty. Para Zizek, o que mudou foi a noção de “ideologia” que passou a ser “não-ideológica”, isto é, baseada simplesmente no senso-comum e no socialmente validado como sendo “justo e verdadeiro” ― já não são só as utopias e os ideais que contam, mas também tudo aquilo que é sancionado pelo senso-comum popular como sendo “a verdade e a justiça”.

A julgar por Zizek, o partido socialista de José Sócrates não é compatível com a contemporaneidade política; Sócrates está politicamente ultrapassado.

Por exemplo, Zizek defende a ideia de que um regime só pode criar empatia política com os cidadãos ― assegurando assim uma identidade ideológica colectiva ― se conseguir que os cidadãos compreendam, consciencializem e interiorizem as relações de poder que ultrapassam e/ou desafiam esse mesmo regime e a identidade colectiva em questão. Neste sentido, a forma como o nosso actual regime lidou com o Tratado de Lisboa (em relação ao povo) é sinónimo daquilo que não se deve fazer em matéria de política contemporânea.

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