perspectivas

Sexta-feira, 18 Julho 2008

Afinal há vida para além do dogma

Ao ler este postal da Fernandinha “Que Cansa” assistimos ao desabar de mais um pilar ideológico politicamente correcto: o dogma de que só os brancos são racistas, e que os negros só assumem atitudes racistas como reacção ao racismo dos brancos. Depois, o texto da Fernandinha revela um outra novidade surpreendente: a subliminar negação do multiculturalismo:

«A clivagem baseada na etnia e alimentada pelos media: haveria “a comunidade cigana” e “a comunidade africana”. Ninguém se lembrou de questionar os entrevistados, nas TV, sobre tais generalizações, ou perguntar-lhes se consideravam aceitável falar assim. E ninguém o fez porque a linguagem dos directos e das reportagens de rua reiterava a visão comum: há “os ciganos” e “os pretos”.»

Luís Filipe Menezes, que é de direita e que — segundo a Fernandinha — é “lélé da cuca”, fez em Vila Nova de Gaia o que a esquerda lisboeta não teve a coragem de fazer: não existem bairros de ciganos ou bairros de pretos em Gaia; os ciganos habitam apartamentos por todo o lado e não estão concentrados numa determinada urbanização, e o mesmo acontece com os pretos e outras minorias étnicas. A atribuição de casas camarárias é feita de modo a que a concentração de minorias étnicas seja evitada, tendo em vista a integração plena dos cidadãos das minorias étnicas no mainstream social e cultural.

Pouco a pouco, facto a facto, vamos descobrindo quem é realmente “léle da cuca”.

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