“Durante séculos o professor, o padre, o médico, o polícia e o juiz foram as pessoas mais respeitadas da sociedade portuguesa, especialmente ao nível local.”
O professor, o padre, o médico, o polícia e o juiz faziam parte do que várias vezes referi aqui como sendo o “combustível moral”. O Estado acabou com o combustível moral que existia, e em sua substituição o que propôs? Olavo de Carvalho dá a resposta:
Esse arranjo de ocasião disseminou-se tão universalmente que adquiriu foros de sabedoria eterna e imagem por excelência da “normalidade”, ao ponto de que já ninguém percebe o que ele tem de instável e problemático; e, não o percebendo, tem de improvisar hipóteses rebuscadas para explicar por uma sucessão imaginária de acidentes as crises e percalços que um exame sério deveria ter revelado à primeira vista como desenvolvimentos lógicos e inevitáveis de contradições iniciais não conscientizadas em tempo.


