Não pude deixar de sorrir perante a credulidade dos políticos do bloco central: os espanhóis já não querem o TGV até Lisboa…
A posição espanhola terá fortes impactos nas obras públicas portuguesas: por um lado, todo o traçado do TGV em Portugal poderá ter de ser repensado. Por outro, o calendário para a construção da terceira travessia do Tejo também ficará em causa, uma vez que era considerada uma obra urgente por ser indispensável para ligar Lisboa a Madrid.
Espanta-me o seguidismo canino dos políticos lisboeiros. “Espanha, Espanha, Espanha!”, e foi no que deu: deixamos de nos concentrar naquilo que realmente interessa para o desenvolvimento do nosso país para ir atrás de um miragem salvífica. A Irlanda é uma ilha (território cercado de água por todos os lados) tem poucas autoestradas e não tem TGV, e eu, que conheço bem ambos os países, preferia viver (sem comparação) na Irlanda do que em Espanha.
A nossa política em relação a Espanha não pode ser diferente daquela que aconteceu desde 1143: nem de bem, nem de mal; antes pelo contrário. Desde que nos deixem passar os camiões com as nossas exportações, está tudo bem com Espanha — mas isso não justifica que tenhamos desmantelado a nossa marinha mercante.
A decisão espanhola de “mudar de agulha” está também relacionada com o novo aeroporto de Alcochete; a combinação Alcochete / TGV estava já a incomodar Madrid. Porém, é tão legítimo que Espanha “mude de agulha” em algumas matérias do seu interesse, como é legítimo que Portugal não se preocupe minimamente com a política interna espanhola e com as suas guerras intestinas.


