O ministro da agricultura tem-me surpreendido. Para além das calinadas no português ― é preciso dizer ao ministro que “desadequado” não existe e a sua utilização é inadequada; o mais parecido com “desadequado” será “desacuado” que deriva do verbo “desacuar”, e que resume a actividade do ministro em relação aos agricultores e pescadores portugueses ― o ministro vem dizer que os agricultores portugueses são menos inteligentes que os outros agricultores da Europa, que pretendem viver à custa de subsídios do Estado e que são uns madraços. Quer queira, quer não, quando o ministro fala representa o governo na área que tutela e não só: identifica também a filosofia política pela qual se pauta o governo na sua acção geral.
Os agricultores portugueses não são menos inteligentes do que os outros; os agricultores portugueses já se aperceberam que não são subsidiados pelo Estado na mesma proporção e medida que os seus congéneres europeus que com eles competem num mercado aberto. Com a arrogância de um presunçoso desasnado, a besta ministerial tem o descoco de tentar fazer dos labregos, burros; com ares e tiques de bicha bigodeira, não resiste a chamar de “ignorantes” a quem sabe muito bem o que se passa lá fora.
É preciso que alguém diga ao ministro que o “mercado aberto” — que a cavalgadura de salão defende com o enviesamento de um neoliberal de pacotilha — não permite que coexista proteccionismo de Estado num lado e neoliberalismo noutro: se bem que existe proteccionismo a que todos tenham direito na mesma medida, ou não deve existir. Triste sina, a dos portugueses, que na miséria têm um governo que defende o melhor dos exemplos, quando os nossos vizinhos se estão nas tintas para as boas práticas e tratam é de fazer pela “vidinha”. Depois, dizem que Espanha tem um “superavit”…pudera, os proveitos têm que vir de algum lado, e também do Zé Tuga que trabalha para aquecer.
O cenário político português é kafkiano, e no meio disto, Cavaco Silva vai-se limitando a fazer religiosamente o relatório das suas actividades diárias; se não fosse triste, dava para rir: os portugueses andam “desadequados”… e mal pagos.





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Esta espécie de Ministro é o espelho do Governo.
Ele não é, não foi nem nunca será Ministro de Portugal, ele é um reles funcionário europeu que defende os interesses do seu verdadeiro patrão, a Comissão Europeia.
Cada centimo poupado nos apoios a que os agricultores portugueses deviam ter direito é um centimo ganho por Bruxelas.
Este Ministro é um asno e, se houvesse subsidios para os asnos ele estaria podre de rico!
Infelizmente todo o Governo parece pensar como este Ministro, a diferença é que ele é mais estúpido do que os outros e deixa transparecer o que os outros tentam esconder.
Espero ansiosamente o dia em que este traste volte para Bruxelas de onde nunca devia ter saído.
Comentário por O Raio — Domingo, 29 Junho 2008 @ 2:03 am