José Sócrates é o pacóvio da Europa da Constituição travestida de Tratado. A figurinha triste que ele fez, ao assumir-se como orgulhosamente “fundamental e decisivo” para a assinatura de um Tratado à revelia do escrutínio do povo — depois de ter prometido um referendo sobre esta matéria — revela uma falha qualquer: a única coisa que o pacóvio fez foi seguir religiosamente as instruções da labrega Angela Merkel.
Eu percebo o Sarkozy: este Tratado só lhe serve; a França é um dos países que só perde soberania em teoria, isto é, no papel. Na prática, a França até reforça a sua soberania porque passa mandar directamente nos pacóvios como o Sócrates. O mesmo acontece com a Alemanha da “redneck” Angela Merkel que ainda há duas décadas participava na construção do comunismo na República Democrática Alemã. Percebo o conformismo da Itália, da Inglaterra, e mesmo o conformismo “revoltado” da Polónia; e se percebo a Espanha?!
Este Tratado, para os espanhóis, é ouro sobre azul: por um lado, obtêm a solidariedade repressiva para resolver o problema do terrorismo interno e dos independentistas em geral, e por outro lado repõe a verdade histórica castelhana dos direitos à territorialidade ibérica centrada em Madrid. Pelo menos é isso que Madrid pensa, o que lhes pode sair “furado” a médio prazo.
A única desvantagem deste Tratado, para os grandes países, é que agudiza as contradições entre si, uma vez que os países pequenos passam a não ter o poder que tinham para influenciar as decisões da Europa. Com o Tratado, os grandes passariam a estar entregues às suas contradições históricas, dividindo-se nos dois eixos de interesses histórico-tradicionais (Reino Unido / França / Polónia Vs Espanha / Alemanha / Itália), cada um dos eixos lutando para arrebanhar os votos dos pequenos países para atingirem o poder de decisão que a dupla maioria impõe. A dinâmica europeia iria cair num enquistamento político traduzido num seguidismo político previsível; com o decorrer do tempo, toda a gente saberia (a grosso modo) de antemão os alinhamentos políticos dos pequenos países que acertariam antecipadamente posições com um dos eixos do Directório, e que sobreviveriam à sombra dos grandes que apoiariam. Muito provavelmente, Portugal alinharia sistematicamente com a França, Inglaterra e Polónia, tirando partido da fobia francesa dos espanhóis. Naturalmente que a França sonha aqui com o papel de charneira entre os dois eixos, o que lhe traria um poder acrescido, mas as contradições internas da Europa do Tratado estariam condenadas a agudizarem-se. Este Tratado será o princípio do fim da UE.
Este Tratado não visa a melhoria do funcionamento da Europa; pelo contrário, a sofisticação aberrante da burocracia deixa rédea solta à luta nacionalista dos grandes pelo poder sobre os outros, grandes e pequenos: cada grande nação pretende ganhar mais poder em relação às outras nações que compõem o Tratado, enquanto os burocratas de Bruxelas fazem de conta que fazem alguma coisa para não atrapalharem a dinâmica de confrontação. O poder supranacional, controlado pela maçonaria, passa a ter o papel de moderação que deveria pertencer ao conjunto dos pequenos países europeus.
Nós assistimos a euro-deputados dinamarqueses a intervir activamente no referendo irlandês, colaborando na esclarecimento do povo irlandês para que o “não” acontecesse. Pressionados pelo Directório, os dinamarqueses acabaram por não fazer o seu referendo interno. Porém, os políticos dinamarqueses tudo fizeram ― uns mais discretos que outros ― para que o “não” acontecesse na Irlanda. Pelo contrário, o pacóvio Sócrates prestou-se ao papel de idiota útil (aquele que “amocha” sempre) no “ménage a trois” com Sarkozy e Merkel ― e os títeres que nos dizem representar na assembleia da república andaram pelo mesmo caminho.




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