
A morte do leviatão (G. Doré)
Acabei de ler o “Arquipélago de Orwell”, de Mercedes Rosúa. Para quem, como eu, viveu durante um ano e pico num país com uma ditadura marxista-leninista (Moçambique — 1975/76), a leitura do livro foi um déjà vu. Comparando o Marxismo com o Salazarismo (que também conheci), e se tivesse que escolher, preferiria — sem hesitação — o segundo. No Salazarismo, só te incomodavam se incomodasses o regime; no Marxismo-leninismo, o regime não está à espera que tu incomodes: ele parte sempre do princípio que incomodas, mesmo que não faças nada por isso.
O Marxismo chinês (maoísmo) evoluiu para uma ditadura capitalista original. Não se trata de uma deriva fascista, porque não existe propriamente um corporativismo organizado e consagrado. O sistema chinês é um sincretismo, algo de completamente novo e que, sendo um leviatão, é diferente do “Leviatão” de Hobbes.
Hobbes imaginou o Homem como um ser anti-social por natureza e defendeu a aplicação firme de normas morais para evitar o caos social. No novo leviatão contemporâneo, não existem propriamente normas morais (no sentido ético), mas normas políticas; as normas políticas coercivas dependem das variações das correlações de forças no seio da elite politica que controla o leviatão, e são muito imprevisíveis: o que é politicamente correcto hoje, pode não ser já amanhã. A ética do leviatão europeu que se pretende construir é o relativismo total sujeito a uma lógica totalitária que progressivamente se instala na sociedade, sem que os cidadãos se apercebam das mudanças e da perda da liberdade.
Uma das características do Leviatão contemporâneo é o Presentismo filosófico-histórico que derivou no Presentismo político que pretende “apagar” a História e criar o “Homem Novo” (este vídeo dá uma ideia do Leviatão actual).
Parlamento Europeu analisa estatuto da blogosfera (link)
Primeiro, a benevolência e tolerância politicamente correctas. A introdução a uma medida de restrição da liberdade é sempre complacente e paternalista.
Depois, a tolerância estreita-se: o “perigo” dos “grupos de pressão”. Mas nem todos os grupos de pressão constituem um perigo; depende muito do critério aleatório de quem comanda os destinos do leviatão. Há grupos de pressão bons, que têm opiniões positivas, e grupos de pressão maus, que emitem opiniões negativas; ninguém sabe é como esses critérios de valor são estabelecidos.
Um grupo de pressão pode não ser um perigo hoje, e passar a ser amanhã. Depende do activismo político e dos lobbies políticos presentes a cada momento da vida do Leviatão; não existe um critério seguro e firme.
Os blogues poluem o ciberespaço, embora não sejam uma ameaça. Não são uma ameaça, mas poluem. Os blogues são como os veículos de baixa emissão de CO2: não são uma ameaça, mas poluem, e portanto, há que aumentar os impostos que no sentido da auto-limitação da sua circulação. É uma espécie de ecofascismo aplicado às ideias e à opinião.
Esta última asserção é verdadeiramente extraordinária: os blogues poluem a Internet! Como se os motores de busca não fizessem a triagem entre a procura e a oferta de conteúdos!
Imagem daqui.



Querem controlar a internet como controlam todos os midias. Mas não conseguirão.
Se não fossem os “blogs que poluem a internet”, nunca teríamos conhecimento de coisas como estas:
http://apdeites2.cedilha.net/?p=935
ovigia.wordpress.com
Comentário por Rita Pereira — Domingo, 15 Junho 2008 @ 12:56 pm
Não compreendo como é que os Políticos são tão egoístas! quer dizer, tirar a palavra, ignorância e corrupção são estratégias do político para se fazerem de melhores do universo.
já não basta terem conrompido toda a mídia para passar a informação que só sublima a eles e seus intereces seus sem vergonha…
Comentário por Chacate Joaquim — Terça-feira, 17 Junho 2008 @ 11:15 am