perspectivas

Sábado, 14 Junho 2008

Quando os factos têm mais importância que os argumentos

“Saímos de uma semana em que a lei e a ordem desapareceram das nossas estradas”
– José Pacheco Pereira ( Público )


«Nisto das manifestações populares, o mais difícil é interpretá-las. Em geral, quem a elas assiste ou sabe delas, ingenuamente as interpreta pelos factos como se deram. Ora, nada se pode interpretar pelos factos que se deram, para poder perceber o que realmente se deu. É costume dizer-se que contra factos não há argumentos. Ora só contra factos é que há argumentos. Os argumentos são, quase sempre, mais verdadeiros que os factos. A lógica é o nosso critério de verdade, e é nos argumentos, e não nos factos, que pode haver lógica.»
― Fernando Pessoa ( Do Sufrágio Político e da Opinião Pública )

O problema é saber se já existia “lei e ordem” antes de terem “desaparecido” na semana de que saímos. A verdade é que os camionistas portugueses não conseguiram, com as manifestações e piquetes, o que os congéneres espanhóis já têm e sempre tiveram: o gasóleo profissional. Vivemos num país em que a “lei e a ordem” — na versão “Pacheco” e quejandos — consistem na imposição de regras de jogo que não são aplicadas pelos nossos vizinhos que connosco competem directamente numa economia aberta. Ora, isto não é lei: é batota; não é ordem: é tirania. As regras do jogo, para serem justas, devem ser equivalentes e universais para todo o mercado em presença.

Devo dizer, com todo o respeito (possível), que as opiniões de Pacheco Pereira já metem nojo.

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