Inquirido sobre a sua raça, respondeu:
- A minha raça sou eu, João Passarinheiro. Convidado a explicar-se, acrescentou:
- Minha raça sou eu mesmo. A pessoa é uma humanidade individual. Cada homem é uma raça, senhor polícia.
(Extracto das declarações do vendedor de pássaros.)
Do Livro “Cada Homem é uma Raça”, de Mia Couto
Este raciocínio é perigoso e politicamente incorrecto. Se cada homem é uma raça, a família a que pertença esse homem passa a ser “a raça desse homem”, e o povo a que essa família pertence passa, por lógica deduzida, a ser uma “raça do povo” desse homem. Temos que pedir ao Louçã que proteste contra a publicação dos livros do Mia Couto. Livros do Mia Couto para a fogueira! Já!
Agora, a sério:
Pois é. Cada homem é uma raça.
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