perspectivas

Sexta-feira, 13 Junho 2008

Irlandeses dizem NÃO ao leviatão

Filed under: Europa,Política — orlando braga @ 11:59 pm
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Ainda este Tratado não foi a enterrar, e apesar do Papa ter apelado ao voto no SIM por parte dos católicos irlandeses (o que eu acho extraordinário!), já lhe arranjam sucessor.

A Europa — se é que podemos conceber uma Europa — terá que ser construída a partir dos seus cidadãos, e não através de uma constituição forjada por uma nomenclatura clarividente. Para que isso aconteça, terá que existir um debate em cada país sobre que Europa queremos, e não que nos enfiem pela goela a Europa que a elite política pretende, para poder alimentar as suas extravagâncias que insultam os povos que dizem representar. Para mau, já basta assim; para piorar, não nos interessa.

Os tiques totalitários desta Europa foram nitidamente descodificados pelos cidadãos irlandeses. Estou convencido de que se existissem referendos nos 27 países da União, a maioria votaria “não”; exactamente por isso, a elite política europeia optou por um putsch constitucional global, contornando a democracia e impondo, por via da ratificação parlamentar não mandatada para o efeito específico, transferências de soberanias que afectam os destinos colectivos dos seus respectivos povos. O Tratado de Lisboa é um acto vergonhoso perpretado por uma associação de malfeitores.

Vou ficar à espera das reacções histriónicas dos políticos ressabiados. Post a actualizar.

Actualização: 2008-06-13T16:17:11+00:00 A coisa está renhida: 46% SIM – 54% NÃO


Actualização: 2008-06-13T21:37:34+00:00

Irlanda “dá música” aos burocratas de Bruxelas

A harpa é o símbolo da Irlanda e faz parte do brasão de armas da nação irlandesa.


Jens-Peter Bonde, um deputado europeu dinamarquês comentou assim o Tratado:

    Não podemos esquecer nunca que Cavaco Silva, José Sócrates e a maioria deste parlamento assinaram de cruz o Tratado, como se de analfabetos se tratassem. :smile:


  • Aconselho a leitura deste artigo. Trata-se da contra-informação do leviatão — comandado pela Alemanha — a favor do Tratado de Lisboa, como forma de “libertação da Europa” do “jugo dos sionistas”. Existe alguma verdade nessa teoria, que assim tenta justificar uma Europa armada até aos dentes para “se libertar dos opressores”.


Análise de opiniões

Actualização: 2008-06-14T05:50:43+00:00

  • Critica-se o “não” irlandês com o argumento de que “este tratado poderia permitir à Europa o passo em frente que sempre tem faltado dar em situações que requerem decisões céleres e eficazes.” Este argumento serve para justificar a defesa do “sim” num processo vergonhosamente inquinado na sua democraticidade.
    Há quem defenda que a democracia é um regime ineficiente porque, entre outras coisas, os processos de decisão são mais morosos, e por isso, justifica-se plenamente a ditadura. O que me espanta é que ditos e auto-proclamados “europeístas” (para estes, os que estão pelo “não” neste processo não são a favor do “melhor” para a Europa) alinhem pela mesma bitola totalitária, o que me leva a pensar que o português simpatiza intrinsecamente com a ideia de submissão a um ditador; o português não consegue viver fora de um totalitarismo qualquer. A democracia, em Portugal, pode ser considerada por alguns “democratas” como um “desperdício” — a começar pelos actuais dirigentes socialistas.
  • A ideia de que a Europa está sempre a fazer um frete aos Estados Unidos é recorrente. Se a Europa admite a Turquia no seu seio, está a fazer um frete aos EUA; se a Irlanda diz que “não” a um tratado burocrata e anti-democrático, está a fazer um frete aos EUA. Segundo esta visão, os Estados Unidos jogam sempre em vários tabuleiros e a única forma de “não lhes fazer fretes” é hostilizá-los sem rodeios, se possível com recurso a armamento intensivo e nuclear, e com a criação das famigeradas “forças armadas europeias” que possam afrontar o Tio Sam. Por detrás da ideia do eterno “frete” aos EUA, está uma ideia belicosa da Europa que se materializa no conceito de Leviatão que o defunto Tratado de Lisboa preconizava.
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3 Comentários »

  1. [...] supuesto, la blogosfera -me refiero a la que yo leo, por supuesto- se ha puesto contenta. Orlando se refiere al patinazo del Papa, que dio su apoyo al SÍ, aunque muy discretamente. Le Salon Beige [...]

    Pingback por Irlanda ha dicho NO | La Yijad en Eurabia — Sexta-feira, 13 Junho 2008 @ 6:26 pm | Responder

  2. Mas eles não desistem, vão continuar a querer impor-nos a Europa deles. Grande Irlanda!

    Comentário por Henrique — Sábado, 14 Junho 2008 @ 12:15 am | Responder

  3. Fui agradecer à Irlanda e aos Irlandeses por serem a nossa voz, comentando todos os posts que encontrei referentes ao tratado de Lisboa em blogs desse país.

    Acho verdadeiramente que é caso para estar muito agradecido.

    sugiro que façam o mesmo

    Comentário por luis — Sábado, 14 Junho 2008 @ 11:18 am | Responder


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