Nem tudo o que luz, é ouro
“Mediocre people talk about things, small people talk about other people, great people talk about ideas.”
Não sei se esta frase é de Chesterton; tenho muitas dúvidas sobre a sua autoria. Contudo, “great” não significa “especial”, mas “gente com valor”, no sentido de “grande”. Nem toda a gente com valor é “especial”, porque a condição de se ser “especial” obedece à lei do mercado: as coisas e as pessoas valem aquilo que o mercado dá por elas. Assim, uma grande parte das pessoas com valor é anónima porque o mercado segue tendências e necessidades que não estão sintonizados necessariamente com o valor humano, mas com aquilo a que o humano atribui valor em determinada época.
“Um homem não sabe o que diz até que sabe o que não diz.”
Esta segunda frase é, indubitavelmente, de Chesterton. Quando dizemos algo e sabemos bem o que não queremos dizer com o que dizemos, passamos a saber o que dizemos (ou o que escrevemos). Consiste numa espécie de “teoria da falsibilidade” de Karl Popper aplicada às convicções humanas.
Assim, eu reformularia a primeira frase, mesclando-a com a segunda: «Todas as pessoas — as medíocres, as normais e as “grandes” — escrevem por puro egoísmo, por entusiasmo estético e por ideais» — “ideais” que incluem o “impulso histórico-científico” e o “propósito político” referido aqui por George Orwell. A diferença está na graduação dos três factores, e será saber se um ideal é colocado ao serviço do egoísmo, ou se o egoísmo é colocado ao serviço de um ideal. A preocupação estética, essa, é sempre a retórica.







