perspectivas

Segunda-feira, 12 Maio 2008

A maçonaria tenta “lavar” a sua imagem

Arquivado em: Maçonaria — O. Braga @ 6:10 pm
Tags: , , , ,


Flammas eius Lucifer matutinus inveniat

Por razões da minha vida pessoal, normalmente não posso ver TV durante o dia. Hoje aconteceu que, no sítio onde estava à hora do almoço, a TV estava ligada no canal 2 da RTP, e por isso pude ver o Frei Domingues ao lado do “bastonário” da maçonaria portuguesa, no programa “sociedade civil”.

A certa altura, a entrevistadora perguntou ao “bastonário” da maçonaria portuguesa “se Cristo poderia ter sido mação“, ao que o bastonário respondeu que “a pergunta era assíncrona porque a maçonaria não existia no tempo de Jesus”. Como sempre o fizeram, os pedreiros falam através de meias-verdades: é de facto verdade que a maçonaria especulativa não existia no tempo de Cristo, mas a maçonaria originária (ou “operativa”) já existia — isto se formos a acreditar no que proeminentes pedreiros escreveram ao longo dos tempos. Vou-me reportar só a alguns pedreiros autores de obras apologéticas sobre a maçonaria: F. Clavel (História da Franco-maçonaria), Ricardo de la Cierva (A Palavra Perdida), Paul Naudon (La Franc-Maçonnerie, 1967), Geoffrey De Ste. Croix (A Luta de Classes no Mundo Grego Antigo, 1988), só para falar em alguns. Todos estes autores podem ser lidos numa boa biblioteca, já que não existem disponíveis em qualquer livraria, e algumas edições são brasileiras.

Para os pedreiros de tendência nitidamente bíblica e católica — que são cada vez mais a minoria e tendem a desaparecer, neste lado do Atlântico — a irmandade começou no tempo do Templo de Salomão e na confraria dos construtores, e existe documentação histórica que comprova esta versão. Esta será a versão mais verosímil e mais credível. Contudo, para os pedreiros que evoluíram historicamente a partir dos templários e que estiveram na origem dos Illuminati e com quem o Sr. bastonário dos pedreiros se identifica mais, isto é, a “maçonaria especulativa” moderna, a maçonaria teria surgido no tempo das Cruzadas, por via da Ordem do Templo.


Portanto, o “bastonário” dos pedreiros mentiu quando fugiu à resposta: Cristo nunca poderia ser pedreiro porque Jesus não poderia subscrever os ideais maçónicos da actualidade: apoio total à “liberdade” de abortar (como se a mulher se sentisse livre em algumas situações de aborto), apoio total à adopção de crianças por duplas de gays e à indução da homossexualidade em crianças por aculturação e educação, apoio total ao relativismo dos valores, defesa do neopositivismo descontrucionista, relativista e “cientifico” (só quando convém à irmandade) dentro de uma visão para-religiosa, e sobretudo e o mais grave, a institucionalizaçao da “cunha” e do tráfico de influências como instrumento de controlo de poder na sociedade.

O Sr. bastonário da ordem dos pedreiros pode tentar enganar toda a gente, mas só engana quem pode ser enganado.

1 Comentário »

  1. Excelente texto. Cada vez estou mais fã deste blogue. Parabéns!

    Comentário por Demokrata — Terça-feira, 13 Maio 2008 @ 5:20 pm


Feed RSS para comentários a este post. TrackBack URI

Publicar um comentário

Blog em WordPress.com.