
Se há alguma coisa que detesto veementemente é ter que dar alguma razão aos marxistas.
Por isso, prefiro dar razão a David Ricardo, um positivista que através dos Princípios de Economia Politica e Impostos (1817) defende a ideia de que, se no mercado o mesmo produto deve ser vendido ao mesmo preço, por via da nivelação de preços imposta pelo próprio mercado, os grandes proprietários dos terrenos mais férteis — que produzem a um preço inferior — têm um excedente de lucro e asfixiam economicamente os pequenos proprietários dos terrenos menos férteis, baixando pontual e estrategicamente os preços (dumping económico e social) e criando desemprego entre os mais pequenos.
Este fenómeno gera um antagonismo entre o interesse dos grandes proprietários da terra e o interesse da colectividade em geral, já que, à medida que o estado de precariedade e miséria se acentua, o rendimento dos proprietários aumenta, isto é, a ordem económica não actua aqui como ordem providencial ou benéfica.
Embora considere o capital apenas como “trabalho acumulado”, Ricardo não julga que o seu rendimento adquirido (seja por juros indevidos ou/e especulação) seja sempre proporcionado ao trabalho pessoal.




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