Fisking
Sobre a “Religião dos laicos”
“…a vergonha de ser um livre pensador acarreta a palavra ateu, laico, humanista secular, ou outras tonalidades de libertação muitas vezes contaminadas pelos construtivismos sociais cristãos, pelos valores e ideologias judaico-cristãs.”
Não entendo porque é que um “livre pensador” não pode ser cristão, budista ou animista. De facto, quem atribui o ónus de “ateísta” aos “livres pensadores” que pululam por aí, são eles próprios, quando colocam em causa a essência, não só de uma, mas de todas as religiões, com excepção da religião que eles professam: aquela que proclama que “Não existe Deus, e Darwin é o seu profeta”.
“Os tremores de terra filosóficos de Nietzsche ainda produzem variadas réplicas, a essência das suas lutas contra as anti-filosofias perdura,”
Nietzsche foi, antes de filósofo, um ficcionista. Um misógino de primeira apanha, viveu como um louco e morreu louco. O que digo baseia-se em factos históricos, e não em meras subjectividades. Ele não causou terramotos nas ideias de ninguém senão nas de aqueles que tremem por qualquer coisa; qualquer pessoa minimamente inteligente não pode levar a sério o que Nietzsche escreveu como ficcionista, porque na Filosofia foi buscar a visão cosmológica aos pré-socráticos, foi buscar a noção do “Eterno Retorno” ao “Cepticismo”, etc.. Não há nada de original na filosofia de Nietzsche, e só na sua ficção literária encontramos alguma originalidade aberrante.
“…a emancipação Humana é recalcada pela falha de conquistas da racionalidade plena, e a religião dos laicos surge em esplendor, uma harmonia vácua entre crentes em um deus e os descrentes, partilhando os valores solidificados por centenas de anos de fascismos cristãos.”
“Racionalidade plena”? O que é a “racionalidade” senão a consequência do acto de raciocinar? Será a religiosidade ateísta mais racional do que a religiosidade panteísta, dualista, monista, etc.? “Fascismos cristãos”? Mas então a História da Terra resume-se à Europa? E o Budismo? Também é fascista? E o Hinduísmo? O “laicismo” começou por existir como sinónimo de “neutralidade” religiosa numa sociedade que era anti-ateísta, e hoje, parece que existem forças que puxam a ideia de “laicismo” para o anti-teísmo.
“Os católicos apregoam bem alto como peixeiras nas suas lides comerciais das benesses e regalias, das moralidades e importâncias dos casamentos em igrejas, a religião dos laicos apregoa as benesses e regalias, das moralidades e importâncias dos casamentos pelo Estado.”
A “religião dos laicos” é uma crítica aos agnósticos. Os ateístas não podem com os agnósticos, não os toleram como não toleram nada nem ninguém. Quem lê os “quatro cavaleiros do apocalipse” (Richard Dawkins, Daniel Dennett, Sam Harris and Christopher Hitchens) depara-se com uma crítica cheia de ódio contra os agnósticos. Por isso, depreendo que se existe fascismo, ele vive entre os ateus.
“A utopia da Laicidade não poderia encontrar-se tão afastada daquilo que se emana de armas de arremesso políticas, de hipocrisias baratas e mentiras abertas, a ignorância desfalece o Homem antes dele falecer, molda-se os clones e os relâmpagos do racionalismo e da emancipação Humana são absorvidos pelos para-raios sociais, pelas construções de valores judaico-cristãos, pelo oceano asfixiante de niilismo e de podridão artística.”
O problema do escriba é que considera que “laicidade” deveria ser sinónimo de “anti-teísmo”, não só no sentido religioso stricto sensu, mas no sentido da assumpção humana da não-submissão psicológica em relação a nada nem a ninguém, o que significa também a defesa da não-submissão do Homem à Razão. O escriba defende a Razão não aceitando a submissão a ela — negando-a por isso.
E por aí fora.
Nota: o significado de “fisking” pode ser encontrado aqui.







