Recordando as vítimas do 25 de Abril

Agora que já passaram as festas do 25 de Abril, queria dedicar este post às centenas de milhares de seres humanos anónimos, que sofreram morte violenta e decrepitude em Angola e Moçambique para que uma elite em Portugal pudesse proclamar “a liberdade sem mácula e sem derramamento de sangue”. Às vítimas mortais das guerras fratricidas e da fome em Angola e em Moçambique, às centenas de milhares de deslocados que fugiam da guerra civil nas duas ex-colónias, que sofreram na pele a irresponsabilidade política de um punhado de iluminados que hoje aparece nas pantalhas proclamando a sua heroicidade – é dessa gente anónima que me lembro sempre que passa um 25 de Abril.
Não me venham dizer que a descolonização não poderia ter sido realizada de outra maneira, porque existem sempre várias maneiras de se fazerem as coisas. E não nos podemos esquecer de que morreu muito mais gente assassinada em Angola e Moçambique nas duas décadas que se seguiram às independências irresponsavelmente garantidas pela elite “revolucionária” de Lisboa, do que durante os 500 anos de colonização portuguesa. Que a consciência lhes pese — e a terra que os cobrir também.







