O cepticismo é uma crença. Crê-se que não se crê, acredita-se que não se acredita, e as razões para que isso aconteça são as mais diversas e subjectivas. O ser humano é crente por natureza, porque é induzido por esta a crer, embora por vezes acredite na não-crença. O ser humano precisa de acreditar. Até o ateu mais empedernido crê que não crê; a não-crença é uma crença, e a indiferença que se tenta mostrar em relação a uma determinada crença é uma forma que encontramos para focar a nossa crença natural em alguma coisa que nos dê proveito directo e mais imediato.
Quando uma pessoa é céptica, não acredita em Deus porque acredita que Deus não existe. Quando acredita que não tem a certeza sobre Deus, crê na dúvida. Mas pela simples afirmação da sua não-existência, mostra que Dele tem algum conhecimento, pois de outra forma nada poderia dizer Dele — nem que Ele existe ou que não existe –, para além de admitir implicitamente que Deus é diferente das outras coisas, e que por isso, podemos distingui-Lo.



Olá Braga,
Tenho algumas concepções de que o ateu teórico não tem subsídio filosófico para existir. Como alguém poderia fazer uma análise e fundamentar-se com o estudo de que algo (Ser) não existe é meramente contraditório. Me refiro especificamente ao individuo que raciocina e faz-se pensar nessa não-existência de algo, no caso dos ateus, a não-crença em Deus.
Gostaria profundamente de ler mais sobre a sua perspectiva do cepticismo/ateismo.
Obs: Não sei se deu pra perceber que escrevo no chamado “português do Brasil”!
Um forte abraço e parabéns pelos textos.
Elton Leite
Comentário por Elton — Quinta-Feira, 30 Abril 2009 @ 12:49 am
Olá Elton:
O ateísmo não tem suporte filosófico; pelo contrário, ser ateu é ser obrigado a “matar” a filosofia.
Para além disso, o ateísmo vai contra a própria ciência que sempre se baseou no indagar da ordem cósmica para descobrir a existência das leis científicas, nomeadamente as leis da Física. Portanto, a própria ciência é a primeira a reconhecer a existência de uma ordem cósmica, o que significa ― por mera conclusão lógica ― que essa “ordem” tem um princípio, um meio e uma finalidade, isto é, essa ordem cósmica consiste no resultado de uma acção inteligente.
A ler:
http://espectivas.wordpress.com/a-vida-por-acaso-nao-tem-hipotese/
http://espectivas.wordpress.com/2009/04/25/a-vida-%E2%80%98por-acaso%E2%80%99-nao-tem-hipotese-2/
Comentário por O. Braga — Quinta-Feira, 30 Abril 2009 @ 4:10 am