Alguém me diz o que é que Portugal vai ganhar com o TGV?
- Será para as ligações ferroviárias mais rápidas entre Porto e Lisboa? Mas não temos já o Alfa Pendular que atinge 220 Km/H? Porque é que não se investe na linha do Alfa Pendular para que o comboio mantenha uma velocidade superior a 200 Km/H em todo o percurso entre Lisboa e Porto?
- Será para ligar Lisboa à Europa por comboio? Alguém acredita nisto? Alguém vai apanhar um comboio caríssimo em Lisboa para estar em Paris 12 horas depois, tendo em conta as conexões? Cabe na cabeça de alguém? Com os actuais voos em low cost, alguém acredita nesta história da “ligação à Europa”?
- Será para ligar Lisboa a Madrid? Será que os engenheiros portugueses não veêm que uma ligação Lisboa / Madrid só dará prejuizo de exploração? Ou será para solidificar a integração de Portugal em Espanha, mesmo à custa do erário público português e de um enorme elefante branco constantemente subsidiado por todos nós?
- Será para injectar dinheiro do Estado na economia? Será? Mas faz algum sentido que se fechem hospitais e urgências, se fechem maternidades, se concentrem cada vez mais os serviços do Estado em Lisboa, para depois se gastarem rios de dinheiro num TGV? Não há outras formas de se injectar dinheiro público na economia?
- Será para satisfazer a necessidade de encomendas da empresa francesa da Alstom que fabrica o TGV? Será para meter um mono em Portugal para dar lucro à multinacional francesa? Será que os portugueses ainda não aprenderam com a história dos têxteis fabricados em Inglaterra que comprávamos em troca da lã e das especiarias que exportávamos para lá?
- Será por uma questão ecológica? Ainda há dias vi o novo Air Bus 380 a voar com combustível de gás natural liquidefeito. Será que a nova geração de aviões não vai previlegiar novas fontes de energia, como o gás natural ou mesmo o hidrogénio líquido? Será que é assim tão claro que um investimento num TGV compensa, em termos de rentabilidade e de ecologia, se tivermos em conta a nova geração de aviões que está já a ser fabricada?
- Será para satisfazer o lobby mafioso da construção civil e para encher os bolsos a alguns políticos e aos partidos políticos? Será que o cidadão português está, mais uma vez, a ser comido de cebolada?
O mais estranho é que parece que ninguém se questiona sobre isto, e o TGV parece um facto consumado. Ainda não encontrei uma explicação para o TGV – e vai tudo na onda, em inconsciência plena e alegre.
Há por aí alguém que me explique para que serve o TGV em Portugal? Agradeço encarecidamente!




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O TGV, assim como está a ser apresentado serve apenas para transferir milhões e milhões de euros em fundos europeus de Portugal para a França, Espanha e Alemanha, países que dispõe da tecnologia necessária à sua construção.
No futuro o TGV só terá viabilidade quando, devido à liberalização do espaço aéreo os ceus europeus estiverem completamente esgotados.
Isto já se passa nos Estados Unidos e por isso só agora os Americanos estão a investir nos TGV’s. E mesmo assim só em determinados percursos como Washington – Nova Iorque – Boston – Filadelfia, ou Houston – Dallas – Lubbock.
Comentário por Luis Bonifácio — Sexta-feira, 8 Fevereiro 2008 @ 3:56 pm
Viva, Orlando!
Admito que se opte pelo TGV no percurso Lisboa-Badajoz. É a nossa ligação aggiornata a Espanha. Não faz sentido que venha até Badajoz e pare.
Há, também, que providenciar por ligação muito rápida entre a Extremadura e a Andaluzia a Alcochete, já que são duas regiões que o aeroporto pode faze integrar na sua esfera de acção.
Mas é o único troço que considero admissível. Todos os restantes, desde Faro a Valença estão bem com os pendulares. Isto porque, se as linhas permitirem que os pendulares atinjam as velocidades que estão ao seu alcance, ou seja, 250km/h, nada impede que se tome o pequeno almoço em Faro e o almoço já em Vigo.
Tudo o que vá além disto, parece-me toleima injustificável.
Ruben
Comentário por ruvasa — Sexta-feira, 8 Fevereiro 2008 @ 7:50 pm
Absolutamente de acordo com o facto de não ser necessário o TGV. Seria de todo desejável pôr o Alfa a circular à sua velocidade normal, de Norte a Sul de Portugal. E pôr outras ligações ferroviárias a funcionar, Portugal possui uma rede ferroviária paupérrima onde a inserção do TGV apenas esconde a sua pobreza envergonhada.
Comentário por Henrique — Sexta-feira, 8 Fevereiro 2008 @ 9:52 pm
Há anos que a actual linha Lisboa-Porto (ou Porto-Lisboa) tem vindo a ser melhorada (remendada) para permitir os 220km/hora. 2/3 dela já comportam tal velocidade mas, por pífios intereses, o 1/3 restante não o permite, e este 1/3 está semeado ao longo do trajecto. Assim, o trem acelera e desacelera (para os 80km/hora) conforme o troço, nunca chegando aos 220km/hora por períodos superiores a 10 minutos. Se acabassem os trabalhos necessários no 1/3 maldito, a viagem duraria só mais 15 minutos do que aquilo que os cérebros prevêem para o TGV. Ora fazer uma nova via (custo de via de alta velocidade, terraplanagens, expropriações, etc.) para um TGV que só pouparia 15 minutos… é de doidos.
O TGV para a Europa só será feito quando a EU achar que vale a pena (vai ter que largar o pilim). Acabaremos por fazer a “construção civil” (dado que os patos bravos estão todos falidos) e dar de bandeja a uma emprasa espanhola a exploração.
Comentário por me — Sábado, 9 Fevereiro 2008 @ 7:39 pm
Meu caro, discordo totalmente deste teu artigo!
Primeiro o problema financeiro é o último problema a discutir. O procedimento correcto é ver-se o que é que é necessário fazer e depois procurar meios de financiamento para isso.
Começar por dizer «é muito caro» é um raciocínio primário e paralizante. Tudo é caro!
O TGV Lisboa-Porto é muito importante mas é pouco provável que o que se vai construir o seja.
Um TGV Lisboa-Porto seria importante e teria um efeito muito positivo na produtividade do país se fizesse a viagem numa hora ou numa hora e poucos minutos, um TGV que me permitisse sair de Lisboa de manhã cedo para ter uma reunião no Porto e estar de volta a tempo de almoçar em Lisboa.
Ora o TGV que se quer construir e que faz a viagem numa hora e trinta parece-me quase inútil. Neste caso concordo que o pendular bastava.
O TGV LIsboa-Madrid foi uma concessão do conhecido PP (Prostituto Politico) Durão Barroso aos espanhóis, era a forma de rentabilizar o TGV Medrid-Badajoz. Nem sequer seria inútil, seria prejudicial.
Mas agora com um possível aeroporto em Alcochete o tiro saí pela culatra aos espanhóis, o aeroporto de Alcochete terá um raio de acção que entrará pela Espanha adentro e inviabiliza totalmente a prevista placa ibérica aeroportuária de Badajoz.
Em resumo, um meio muito rápido de transporte ferroviário de Vigo a Faro seria muito importante para reforçar um eixo atlântico que diminuisse a centralidade de Madrid e outro meio rápido que ligasse o aeroporto de Alcochete a Espanha seria também muito importante para o sucesso deste aeroporto que, em última análise até poderia concorrer com o de Madrid.
Mas será o TGV o meio de transporte adequado?
Acho que não, o TGV é o comboio da segunda metade do Século XX e nós estamos no Século XXI.
Seria útil era pensar-se no Maglev que poderia ir de Lisboa ao Porto em menos de uma hora.
O Maglev que está a ser encarado em diversos países, Estados Unidos, Reino Unido, Dinamarca, Alemanha, China (onde já existe uma pequena linha em exploração) será o comboio do Século XXI, seria útil considera-lo apesar do seu custo deliciosamente elevado.
Comentário por O Raio — Domingo, 10 Fevereiro 2008 @ 1:23 am
Mais… económicamente e em tudo o que é práctico e racional em transportes (pessoas e mercadorias):
Para distâncias inferiores a 400 km – a estrada.
Para distâncias entre 400-800 km – o caminho de ferro.
Para distâncias superiores a 800 km – o avião.
Logo…
Comentário por me — Domingo, 10 Fevereiro 2008 @ 9:42 am
@Raio:
Eu não falei em “caro”; escrevi apenas que o Alfa faz praticamente o mesmo serviço que o TGV que nos querem meter pela goela abaixo, apenas com uma modificação da linha que custa muito menos. Não faz sentido em construir uma nova linha Lisboa / Porto para se chegar 15 minutos mais cedo.
Dizes que não concordas com o meu artigo e acabas por concordar com ele — senão vejamos:
Naturalmente que estou de acordo que o magnetic levitation transport teria vantagens em relação ao Alfa Pendular para distâncias superiores a 400 Km, que não é o caso de Lisboa / Porto, mas o Maglev não está sequer em equação, e a nova linha do TGV não serve para uma utilização futura do Maglev, como sabemos.
Estou de acordo com o ME, e acabo por estar de acordo com o Raio.
Comentário por Orlando — Segunda-feira, 11 Fevereiro 2008 @ 7:11 pm
A questão do TGV levanta a questão da nossa forma muito particular de democracia, em que o governo parece governar para sí mesmo, para as suas clientelas e objectivos próprios, como se o país fosse dele e não do povo.
Vivemos numa democracia em que o governo não informa o povo, porquê?
porque sempre que o povo está bem informado, pode se resposabilizar pelo seu próprio governo, pode decidir.
Comentário por ap — Sexta-feira, 15 Fevereiro 2008 @ 4:24 pm
Em 1976 com um «Mini» e com Autoestrada só até ao Carregado demorava 7:00h de Lisboa a Trás-os-Montes…
Hoje tenho um «Toyota Avesis» e mesmo com todas as autoestradas existentes, tecnologia intoduzida no automovel e cumprindo os limites de velocidade- …(impostos por aqueles que acompanhados de batedores da GNR, circulam a 180 ou 200kh )… -demoro 6:00h…
…-Meus Srsº… «isto é uma grande evolução em 30 anos…»
(falei em limites de velocidade porque 90% dos acidentes não são causados por asneiras e manobras perigosas de “chicos espertos”… mas sim por excesso de velocidade como dizem os inteligentes que circulam a 180 ou 200Kh)…
…(atenção que circular a “125k hora na autoestrada é excesso de velocidade “»)…
….-Em 1983 demorava 3 horas e 20 minutos de Lisboa a Stª Comba Dão nos comboios mais rápidos da linha da Beira Alta, os «Inter Regionais»… Hoje, nos mais Rapidíssimos desta linha, os «Inter Cidades» demoro 3horas
…menos 20 minutos que á 25 anos…
…Meus Srsº… «isto é uma grande evolução em 25 anos…»
Se o «TGV» vem encurtar estes tempos de viagem para quem se desloca semanalmente para esta e outras zonas do País… Meus Srsª… «Veeeenha o TGV»… caso contrário… Meus Srsº… «é melhor comprarem um BURRO…» e os milhões do »TGV» que os apliquem na resolução da miserável vida da maioria dos Portuguses….
Comentário por Jose — Terça-feira, 18 Março 2008 @ 12:23 am
“Será para as ligações ferroviárias mais rápidas entre Porto e Lisboa? Mas não temos já o Alfa Pendular que atinge 220 Km/H? Porque é que não se investe na linha do Alfa Pendular para que o comboio mantenha uma velocidade superior a 200 Km/H em todo o percurso entre Lisboa e Porto?”
Vou-vos contar duas coisas:
1 – HOJE é perfeitamente POSSÍVEL percorrer a Linha do Norte, de Santa Apolónia à Campanhã, em 02:30. Com um Pendular, claro.
No entanto, nos horários o tempo previsto é de 02:44. E experimente ir a Santa Apolónia num domingo à noite… a ver o tempo de atraso com que os pendulares lá chegam… já tenho visto atrasos de 20 minutos, e não são nada raros…
2 – Há uns tempos, aumentou-se o número de circulações super-rápidas na Linha do Norte. Agora, há um rápido por hora. A maior parte são super-rápidos pendulares (só param em Coimbra e Aveiro), uns quantos intercidades e um ou outro pendular com mais paragens… sabem o que mais aconteceu nessa altura? Os regionais Lisboa-Tomar passaram a ter MENOS ligações e a demorar MAIS tempo, porque têm de “encostar” (por exemplo na Azambuja) para deixar passar… os super-rápidos.
Daqui se conclui que o problema da linha do Norte não é a velocidade. Será ainda menos quando a remodelação dos troços Alverca – Azambuja, Variante de Santarém até ao Entroncamento e Alfarelos – Pampilhosa estiver concluída…
O problema da linha do Norte, o grande problema que ninguém viu quando a remodelação geral da linha foi projectada no início dos anos 90, é a CAPACIDADE.
Para ter mais que um comboio rápido por hora (e acreditem que há procura para isso e para muito mais), as circulações regionais – tão essenciais à população como lentas, também por força do número de paragens – das duas uma: ou “acabam”, ou “encostam” para ser ultrapassadas em todo o lado. Ambos os cenários são PÉSSIMOS!
Nem vou falar das terríveis perdas que o país sofre todos os dias por não se poder transportar quase mercadorias nenhumas na linha do Norte…
Seja como for, perante este cenário pode-se:
1 – Triplicar/Quadruplicar toda (ou pelo menos boa parte) da Linha do Norte
2 – Criar uma nova linha paralela (não necessariamente ao lado) para pendulares (velocidade máxima 220/250).
3 – Criar uma nova linha paralela (não necessariamente ao lado) para alta velocidade (vmáx 300).
A 1 é caríssima, de eficiência duvidosa e retorno baixo – o desempenho seria sempre inferior às outras.
A 2 é mais barata que a 3, mas o retorno também é mais baixo, pelas mesmas razões. Digamos que a 2 “convence quem já anda de comboio e tira uns quantos ao carro e ao avião” enquanto que a 3 “dá uma tareia a todos os outros meios”.
Daí, a opção que existe de fazer a linha de Alta Velocidade Lisboa-Porto.
Já agora, a mania de se dizer “TGV” em vez de “AV” (Alta Velocidade) dá azo a confusões. TGV é uma tecnologia da Alstom, que por acaso vai deixar de existir com o novo AGV. Aqui está a ironia: o verdadeiro TGV provavelmente nem sequer vai concorrer ao projecto do “nosso TGV”!!!!!
Comentário por joselini — Terça-feira, 9 Dezembro 2008 @ 5:31 pm