perspectivas

Sexta-feira, 8 Fevereiro 2008

O jejum religioso do CO2

Alguém tem dúvidas que o CO2 é uma religião?

A igreja anglicana pede ao seu rebanho inglês que se abstenha de consumo de carbono, durante o tempo que antecede a Quaresma. Entre outras coisas, os bispos ingleses aconselham que as donas de casa deixem de lavar a loiça na máquina todos os dias em tempo de advento, mas ainda não chegaram ao ponto de recomendarem um só banho semanal; lá chegaremos ao tempo do banho dominical em nome do CO2.

Por exemplo, os bispos anglicanos ingleses pedem aos fiéis que retirem uma lâmpada de suas casas e que vivam sem ela durante 40 dias, isto é, parcialmente às escuras. No final do Jejum do Carbono, a lâmpada deverá ser substituída por uma outra mais fraca.

A coisa é séria: enquanto na Inglaterra do Jejum do Carbono, cada pessoa emite 9,5 toneladas de CO2 por ano, na Etiópia cada pessoa emite 0,067 toneladas de CO2 por ano. A religião do CO2 está baseada num problema de consciência ocidental: dadas as diferenças de desenvolvimento, o ocidente transforma o CO2 em religião, em vez de compreender que o terceiro-mundo precisa de mais emissões de CO2 para se desenvolver. O Jejum do Carbono é mais uma manifestação de limpeza da consciência colectiva, porque o problema não está no CO2, mas nas diferenças gritantes de qualidade de vida global.

O argumento mais risível dos ecofascistas é o de que as pessoas devem cortar nas viagens de avião, mas os voos de trabalho não contam para a “análise ecológica” do CO2 – isto é, se viajas de avião em trabalho, está tudo bem; se viajas de avião em férias, está tudo mal. Portanto, expelir o CO2 é um crime porque prejudica os pobres do mundo, mas está tudo bem se expelires CO2 em trabalho. Não admira que o Nobel da Paz Al Gore ande de avião de um lado para outro de consciência tranquila.

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