“A matéria é o que é móvel no espaço”
- Immanuel Kant (Princípios Metafísicos da Ciência da Natureza)
Não sei como foi possível que o século 18 produzisse um espírito como o de Kant. Newton estudou Kant antes de publicar as suas leis; Kant foi o primeiro professor de antropologia que uma universidade alguma vez conheceu; Einstein não poderia ter elaborado a sua teoria da relatividade sem ter em consideração a visão de Kant sobre a matéria, o espaço, o tempo e o universo.
Se a matéria é móvel no espaço, sendo o espaço, ele próprio, móvel, o espaço móvel faz parte da matéria, o que significa que não existe um só espaço (porque sendo o espaço, móvel, pressupõe um segundo espaço mais alargado, no qual o primeiro espaço se pode tornar móvel), mas espaços sucessivos que se englobam — ou abarcam — uns aos outros, presumivelmente até ao infinito. Kant chama a estes espaços materiais, de espaços relativos.
Metaforizando:assim como o vinho em fermentação dentro de uma pipa — que se desloca sobre um camião — está em movimento, o movimento do vinho e da pipa são diferentes, porque o vinho tem um movimento interno relativo à sua fermentação, que a pipa não tem. O vinho e a pipa são espaços diferentes com tipos de mobilidade diferentes.
Contudo, existe o espaço no qual o movimento é pensado, o espaço exterior a todos os espaços móveis e materiais, sem o qual estes últimos não poderiam existir com movimento e como parte da matéria. A este espaço último, Kant chama de espaço puro, ou espaço absoluto, imóvel, e portanto, não-material.
(voltarei ao tema)