perspectivas

Terça-feira, 22 Janeiro 2008

A hipocrisia do “sistema”

Estive ontem a ver parte do programa “Prós e Contras” acerca da lei do tabaco, enquanto fumava sossegadamente uma cigarrilha (não foi no casino do Estoril).

Porque é que não proíbem a venda do tabaco, em vez de optarem pela hipocrisia de proibir o fumo em todo e qualquer sítio? A venda do tabaco ao público é legítima, e simultaneamente proíbe-se totalmente o consumo – porque é disto que se trata. Ficou bem claro no programa que os fundamentalistas socretinos (os tais que hão-de morrer cheios de saúde) pretendem proibir totalmente o consumo, e não a venda.

O director da saúde proíbe o consumo do tabaco, e aparenta todo o aspecto de um ébrio endémico; basta olhar para a cara dele. O que é que move esta gente? O que é que está por detrás disto?

Autoritarismo incipiente. A presunção de decidirem pelos outros, de formatarem as consciências – Gramsci no seu melhor. Entramos agora numa sociedade que Orwell previu.

É preciso combater esta gentalha. Os fumadores portugueses constituem 25% da população, e têm os seus direitos. Autorizem-se restaurantes com dísticos que identifiquem locais onde é permitido fumar, sem que haja perseguição política e projectos de megalómanos engenharia que vão alimentar um negócio sórdido das máquinas de aspiração que não resolvem problema nenhum.

Os socretinos confundem “propriedade privada com acesso público” condicionado com “local público”. Um restaurante privado tem acesso público, e só o frequenta quem quer e quem o dono do restaurante autoriza, e só lá trabalha quem quer: quem não está bem, arranja outro trabalho. Por exemplo, um clube privado reserva o direito de admissão, e esta lei intromete-se na gestão de qualquer organização privada.
Esta lei viola o direito à pequena propriedade privada. Esta lei é perigosa, porque constitui princípio do fim da pequena propriedade privada, com o Estado a intrometer-se na vida privada dos cidadãos comuns.

Por exemplo, esta lei do tabaco é um intróito para a lei que vai proibir um dono de restaurante de chamar à atenção de uma dupla de gays que se esteja a comportar de uma forma escandalosa dentro do seu restaurante. Trata-se da ingerência do Estado no direito à pequena propriedade privada, ao mesmo que deixam que os grandes capitalistas amorais disponham das nossas vidas a seu bel-prazer. O Estado começa a ditar as leis de comportamento dentro da nossa própria casa, e isto é inadmissível.

11 Comentários »

  1. Acho que o problema é muito mais grave do que dizes.

    Estamos em presença de um ataque totalitário ao cidadão. Esta Lei é somente o início de um ataque mais vasto.

    As associações anti-tabágicas dos Estados Unidos já estão noutro combate, o de criminalizar o fumo em casa quando estão presentes não fumadores.

    Para esta proibição se tornar efectiva será necessário que se um vizinho meu achar que me viu a fumar dentro de casa me denuncie a uma polícia qualquer que terá o direito de me entrar em casa identificar os presentes, interroga-los para saber se são ou não fumadores e, por fim, revistar a casa à procura de beatas.

    Quanto ao programa, a que assisti saboreando um magnifico charuto, faço notar que era povoado por um bando de médicos que passaram o tempo a falar do que não sabiam.

    Isto é, quando um médico diz que está provado de que o fumo passivo provoca o cancro, ele não está a falar de medicina como parece. Ele está a falar de estatística pois todos os estudos que conduzem aquela conclusão são estudos estatísticos e, pior, são estudos estatísticos mal feitos que nunca passariam pelo crivo de um estatístco competente e descomprometido.

    Basta ver que em praticamente todos estes estudos as conclusões estão dentro da margem de erro.

    Comentário por O Raio — Quarta-feira, 23 Janeiro 2008 @ 11:54 am

  2. Eu consulto este blog quase todos os dias, concordo com praticamente com todas as opiniões que o Orlando expressa, porque estas não são mais do que expressão de bom senso.

    Esta é a segunda vez que não revejo bom senso na análise de uma questão.

    Esta lei já devia anos ao povo não fumador português, agora já posso comer descansado no único sitio perto do trabalho o suficiente para poder ir almoçar na hora de almoço, até porque qualquer outro sitio que encontrasse não teria muito provavelmente qualquer controlo sobre os fumadores. Acham que a questão é sobre controlo? Têm toda a razão, é sobre retirar o controlo dos fumadores de decidirem onde vão acender o maldito cigarrinho, e é normal que os fumadores sentirem que é uma decisão autoritária, porque é. Mas é também uma decisão sensata, da mesma maneira que autoritáriamente é proibida a condução sob certa medicação ou porque não se permite que os consumidores de alcoól decidam por si próprios quando já beberam o suficiente ou porque se verificam os tacógrafos dos veículos pesados e não se permite que os condutores façam as suas viagens durante mais de x horas sem parar…

    Em relação ao fumo em segunda mão, bem, eu tenho uma avó que passou décadas enfiada numa cozinha, enquanto o meu avô via televisão, enfiava uns bagaços e fumava uns cigarrinhos, certo dia a minha avó foi fazer umas radiografias e o médico disse-lhe que tinha de deixar de fumar. Quando a minha avó lhe disse que nunca acebdeu um cigarro na vida e que era só o marido que fumava, nem assim o médico ficou muito convencido. A minha avó ficou com os pulmões de um fumador só e exclusivamente á base de fumo em segunda mão.

    Não se proíbe as pessoas de fumar, apenas de coloca os não fumadores no sitio onde merecem, em primeiro lugar.

    Comentário por Fenéco — Quinta-Feira, 24 Janeiro 2008 @ 1:23 pm

  3. 1. Ninguém retira o direito dos não-fumadores a não fumarem o fumo dos outros. Para isso, existem os restaurantes para não fumadores. O que o Feneco parece defender é que não existam restaurantes para fumadores, e esta posição é fascizante. Quando se pede a um restaurante para gastar mais de dois milhões de Euros por um projecto de engenharia para aplicação de um sistema de extracção de fumos que não funciona na prática, estamos perante uma política proibicionista e hipócrita. Que existam restaurantes para todos — para não-fumadores e para fumadores — e que cada um vá onde quer; a liberdade é isso mesmo.

    2. A superioridade moral de que se arrogam os não-fumadores é exagerada. Se olharem bem para a sua prática diária, terão outros comportamentos de risco que gostam de condenar nos outros. Seria perfeitamente possível conciliar os não-fumadores e os fumadores na nossa sociedade se não existissem os fundamentalismos.

    Comentário por Orlando — Quinta-Feira, 24 Janeiro 2008 @ 5:29 pm

  4. 1. É falso que o direito dos não-fumadores a não fumar seja respeitado quando se coloca a decisão de escolher onde se vai fumar nas mãos de fumadores (cujo interesse e prioridade é o seu vício) e nas mãos dos proprietários de restaurantes e outros estabelecimentos (cujo interesse é o lucro). Isto é muito difícil de entender para vocês, caros fumadores, pois nesse vosso mundo ideal, cada qual escolhe o que quer fazer e onde estar, e tudo funciona bem. Errado. Na anterior legislação os fumadores e proprietários já podiam decidir fumar ou não em cafés e outros sítios, e obviamente que escolhiam fumar e estar onde se podia fumar, os proprietários escolhiam permitir que se fumasse para não perder clientela (LUCRO), virtualmente nenhum sito do tipo café, bar ou dicoteca estava livre de uma nuvem tóxica de fumo.

    Porque escolhiam os proprietários permitir o tabaco e porque era a decisão mais lucrativa? Ora aos não fumadores era apresentada a muito fácil escolha de a de ficar isolado em casa e cortar grande parte das relações com seus conhecidos e “amigos” ou decidir conviver e socializar pagando o preço elevado de ser fumador passivo. Uma decisão tomada pelos proprietários e acatada por muitos não-fumadores por causa do simples facto de ser necessário um esforço consciente para associar o tabaco ás sua consequências (ênfase no consciente). Como niguém cai MORTO num café ou discoteca, como os anos e qualidade de vida perdidos á conta de uma décadas de fumo passivo não são evidentes no café do Zé ou em qualquer outro sitio, muito fumadores resignavam-se (a solidão era algo mais imediatamente sentido). Mas também, quem os poderia culpar de tal inconsciência? Os fumadores? LOL.

    Era assim de simples, eu em cafés universitários despachava-me primeiro da fila da caixa, depois sentava-me a comer o meu croissant com queijo, chegando depois os meus colegas e as meninas e meninos do cigarro lá começavam a pregar o seu preguinho por todos os presentes. Eu das vezes que me manifestei levei com um sereno cínico e irritante “és livre de não estar aqui a apanhar com fumo, podes ir para a rua, quem te impede? Eu não estou a interferir na tua liberdade!”

    A hipocrisia do sistema está única e finalmente a rebentar-vos na cara. Não tenho pena. Estou aliviado, desculpa lá, Orlando.

    Mas é muito simples compreenderem, basta ver o que aconteceria se em vez de fumar as pessoas gostassem de se peidar a torto e direito. E vós que não gostais do impacto do metano nos vossos sistema olfactivos, tivessem de percorrer a cidade á caça de sitos livre desse desagrado, tendo de por á prova os vossos narizes em cada sitio que entrassem e tendo de decidir se se SUBMETEM e continuam a existir para os outros ou se se PROTEGEM e se auto-vetam ao segregacionismo… SIMPLES!

    2.Não existe superioridade moral exagerada porque não existe nenhum paralelo com mais nenhum hábito. Fumar não é como colocar sal, açucar e gordura á mais na comida, que ao contrários do fumar, não se propagam pelo ar até inflingirem danos no organismo de outras pessoas, é dífiiiicil…

    Fumar não serve absolutamente nenhum propósito nutricional, não têm absolutamente ponta por onde se pegue na sua defesa, a total exclusão dos sitos onde pode causar danos a INOCENTES não é um fundamentalismo é FUNDAMENTAL! Não colocar a decisão de algo tão SINGULAR nas mãos de quem apenas procura LUCRO não é exagero, é exactamente aquilo que é necessário.

    Comentário por Fenéco — Sexta-feira, 25 Janeiro 2008 @ 11:34 am

  5. devia ter dado uma vista de olhos antes de colocar o comentário, está cheio de erros, peço desculpa.

    Comentário por Fenéco — Sexta-feira, 25 Janeiro 2008 @ 11:38 am

  6. 1. É triste saber que a capacidade de persuasão dos não-fumadores em relação ao mercado da restauração se baseia no proibicionismo fascizante. Se eu fosse não-fumador, podem ter absoluta certeza que não entrava em restaurantes para fumadores, e se todos os não-fumadores fizessem o mesmo, o mercado da restauração criava automaticamente muitos locais exclusivos para não-fumadores. Ao contrário do que seria a persuasão do mercado pela coerência, o que fazem os não-fumadores ecofascistas militantes? Proíbem o consumo, mas não proibem a venda do tabaco. A isto, chama-se de hipocrisia e abuso de poder.

    2. Napoleão escreveu que “os que temem ser derrotados, merecem ser derrotados”. O que se passa com o fundamentalismo dos não-fumadores é que temem a derrota no mercado da oferta e da procura da restauração, em vez de se unirem culturalmente criando o seu próprio mercado de restaurantes para não-fumadores. Por isso, esta política proibicionista está condenada ao fracasso. A lei será revista e corrigida em função da lei que não proíbe o consumo do tabaco (como acontece com a lei do tabaco em Espanha), porque os que temem ser derrotados serão derrotados.

    Comentário por Orlando — Sexta-feira, 25 Janeiro 2008 @ 6:01 pm

  7. Outra coisa: não confundir uma cantina de uma universidade com um restaurante privado ou com um local de diversão nocturna. Essas confusões dão muito jeito na retórica, mas não são legítimas.

    A pequena propriedade privada tem o direito de admissão, e compete aos não-fumadores criar as condições culturais para que o mercado responda às suas necessidades — sem proibicionismos fascizantes.

    Comentário por Orlando — Sexta-feira, 25 Janeiro 2008 @ 7:03 pm

  8. “É triste saber que a capacidade de persuasão dos não-fumadores em relação ao mercado da restauração se baseia no proibicionismo fascizante.”

    Eu acho que triste é ver a coisa nesse sentido, eu acho que o seu amor ao vício e o ódio por este executivo, toldam a sua perspectiva, é muito fácil seguir uma linha de pensamento que segue a dos sentimentos. Mas eu costumo fazer um exercicio para me colocar na pele dos outros e que lhe pode ser útil. Em vez de se situar na posição mais liberal, assuma que em vez de ser o Orlando que tem um vício que é um hábito detestável para outros, está na posição dos que têm de gramar com´um vício dos outros.

    Deixe os sentimentos a um lado por um momento e imagine que a mesma quantidade de pessoas que fumam tabaco, gostavam de cheirar diluente celuloso, se não lida com este produto, então imagine que é gasolina ou cola, em todos os sitios, restaurantes, bares ou discotecas que vá, em vez de tabaco tem pessoas a tresandar a gasolina, com latinhas de cola nas mesas a empestar o ar. Imagine agora que o mercado está liberalizado e os proprietários podem escolher com é, e escolhem permitir esse hábito, porque assim não perdem clientela, os snifadores de gasolina/cola frequentam os seus estabelecimentos e os não-snifadores, devido a dispersão do hábito se submetem, pois a a alternativa e viverem afastados da maior parte dos sitios onde se convive, há uns clubes para não fumadores aqui e ali, mas são poucos e a maioria dos que não snifam são tão conscientes como os que snifam , portanto preferem ir ao sitio mas “na berra” do que fazer um desvio para os tais sitios exclusivos, o que deixa os poucos que realmente querem evitar a exposição perante o mesmo dilema e coação social, quase todos os seus amigos (snifadores e não-snifadores) estão-se pouco marimbando, mas, essa dominação social, essa supremacia do vício sobre as pessoas (mesmo as que não o praticam) não muda nem um centimetro a questão de saúde pública em relação ao benefício/utilidade dos mesmos.

    Estaria o Orlando mesmo disposto deixar decisão nas mãos do MERCADO? Eu sei que não. o Orlando já se demonstrou frontalmente contra muitas posições liberais aliadas ao mercado, a sua mensagem já foi muitas vezes expressa no sentido de que a liberdade de mercado não é o princípio e o fim de tudo, que há outras questões e outros principios que estão primeiro.

    “Se eu fosse não-fumador, podem ter absoluta certeza que não entrava em restaurantes para fumadores”

    Que seriam praticamente todos como demosntra a experiência, era deixar a coação de grupo dar cabo de todos nós não-fumadores. Ou cabo da saúde ou da vida social…

    “e se todos os não-fumadores fizessem o mesmo, o mercado da restauração criava automaticamente muitos locais exclusivos para não-fumadores.”

    O Orlando sabe que isso nunca aconteceria, quase todas as pessoas não estão suficiente conscientes do que se perde levando com umas horas fumo por semana… Caramba, as pessoas nem se organizam para o governo baixar o imposto dos combustiveis e isso sentem dolorosamente no bolso. Além disso se isso acontecesse teria de supor que as pessoas passariam a organizar as suas vidas sociais consoante os vícios ou ausência deles. Haveria uma clivagem radical entre fumadores e não-fumadores, isso sim ia dar origem a fundamentalismos! Mas diga-me sinceramente, não vê isso?

    “Ao contrário do que seria a persuasão do mercado pela coerência, o que fazem os não-fumadores ecofascistas militantes? Proíbem o consumo, mas não proibem a venda do tabaco. A isto, chama-se de hipocrisia e abuso de poder.”

    “Ecofascistas”… Eu não deixo de falar consigo se não deixar de falar comigo mas isto é ridículo! Não se proíbe o tabaco porque há maneiras de fumar sem afectar os outros! É tããão dificil perceber isso? “persuasão do mercado pela coerência”??? Isto é que é hipocrisa! Então os fumadores partem á partida com a faca e o queijo na mão, os espaços são todos deles (porque é melhor para o negócio dos propietários logo é a atitude dominante) e os não fumadores é que têm de se organizar e persuadir o mercado através apelos á vantagem comercial de considerar os não-fumadores como possível fonte de lucro! E aguardar fechados e isolados em casa enquanto tal sucede para provar que têm impacto na facturação da restauração! Tudo isto quando o seu bem-estar deveriam ser os primeiros a ser considerados, quer por força da lógica, da razão e do senso-comum!

    “Napoleão escreveu que “os que temem ser derrotados, merecem ser derrotados”. O que se passa com o fundamentalismo dos não-fumadores é que temem a derrota no mercado da oferta e da procura da restauração, em vez de se unirem culturalmente criando o seu próprio mercado de restaurantes para não-fumadores. Por isso, esta política proibicionista está condenada ao fracasso. A lei será revista e corrigida em função da lei que não proíbe o consumo do tabaco (como acontece com a lei do tabaco em Espanha), porque os que temem ser derrotados serão derrotados.”

    Napoleão nunca teve de lidar no campo de batalha com efeito que a coação poderosa que o contacto humano ou ausência deste tem na vida das pessoas. Se os proprietários tiverem a decisão voltamos á estaca zero, os espaços passam a ser virtualmente todos daqueles que se indulgem neste hábito auto-destrutivo. Não pode esperar que o resultado seja outro assim como nao esperamos que haja bom-senso e sensibiladade dentro de todas as pessoas que frequentam um hospital. Não se lhes confia com essa decisão, proíbe-se! E o Orlando quer dar a decisão ao dinheiro…

    “Outra coisa: não confundir uma cantina de uma universidade com um restaurante privado ou com um local de diversão nocturna. Essas confusões dão muito jeito na retórica, mas não são legítimas.”

    Ah mas eu não confundi, eu disse o bar/café da universidade e não a cantina/refeitório. Isto passou-se antes proibição, quando nós não-fumadores tinhamos a liberdade de nos organizar-mos tal e eu tinha de discutir com os fumadores e TAMBÉM não-fumadores que pura e simplesmente achavam que eu era um mariquinhas que não aguentava um pouco de fumo. Numa sociedade onde reinasse o bom-senso e estaria do seu lado Orlando, assim não. Se vamos ser severos, ao menos que tenhamos a razão do nosso lado.

    “A pequena propriedade privada tem o direito de admissão, e compete aos não-fumadores criar as condições culturais para que o mercado responda às suas necessidades — sem proibicionismos fascizantes.”

    Têm razão na primeira parte, mas sabe que a segunda é IRREAL, por isso eu em vez do fascismo da lei de mercado que protege e favorece aqueles que dispersam fumo, prefiro o bom-senso deste “proibicionismo fascizante” que lavra horrores entre a saúde publica.

    Comentário por Fenéco — Segunda-feira, 28 Janeiro 2008 @ 12:59 pm

  9. Feneco:

    Vc continua a ver o problema de forma facciosa. Realmente inacreditável. A comparação com diluente ou cola é reveladora do seu facciosismo. Mas aceitemos como boa a sugestão: se o consumo de gasolina fosse legal, eu procuraria as discotecas onde esse consumo não fosse permitido ou tivessem um local próprio para os consumidores de gasolina snifarem à vontade. Eu não me sinto no direito de proibir que as pessoas snifem gasolina, se a lei o permite. Dá para entender isto? A COMPRA DE CIGARROS É LEGAL!

    Não se trata de sentimentos: trata-se de RAZÃO, de raciocínio. Não faz sentido que se proíba de fumar em todo o lado e não se proíba a venda de cigarros. É difícil perceber isto? Isto é tão lógico que não entendo que exista gente que não perceba.

    Quando o mercado vai contra a liberdade das pessoas decidirem pela sua cabeça, eu sou contra esse mercado. Quando o mercado invade a privacidade do cidadão, eu sou contra esse mercado. Naturalmente que não sou um fundamentalista “anti-mercado”, e todas as coisas que escrevo sobre esse e outros assuntos têm por base a RAZÃO. Devemos racionalizar as questões: se o mercado for útil ao cidadão – no sentido da afirmação da sua liberdade dentro do respeito pelas regras racionalmente entendidas – não tenho nada contra o mercado.

    Eu acho que as pessoas que se aproveitam desta lei para denegrir os fumadores têm um problema grave de personalidade. Talvez precisem de tratamento – mais do que os fumadores. Hoje criticam os fumadores, amanhã criticam os gordos, etc. Onde é que isto vai parar?

    Não existe fundamentalismo se toda a gente estiver no ambiente que lhe agrada. Eu vou onde quero – toda a gente frequenta os locais que quiser – e esse facto não potencia nenhum tipo de fundamentalismo. Não posso é impor aos outros as minhas condições de convivência: se não me agrada o ambiente, afasto-me. Ora o que acontece com os não-fumadores é que nos dizem: “o ambiente que quero é este, não pode existir outro ambiente diferente deste em parte alguma, e tu passas a ser descriminado.” Isto é tolerância?

    O que os não-fumadores pretendem é conviver com os fumadores sem permitir que eles fumem. Bonito. Lá vem a superioridade moral. “Sou não-fumador, gosto de conviver com fulana e beltrana, mas não quero que elas fumem.” Isto não é imposição? Onde está o respeito pela liberdade dos outros?

    Conheço bem Espanha e o mercado espanhol da restauração já estabeleceu regras para todos. Em Barcelona, existem restaurantes para fumadores e para não-fumadores, dependendo do dono do restaurante. Naturalmente que quando um grupo me convida para jantar, não tenho nenhum problema em ir jantar a um restaurante de não-fumadores; mas quando estou sozinho, prefiro ir a um restaurante para fumadores. É assim tão complicado que não se entenda isto? Se as pessoas não fossem fundamentalistas, haveria espaço para todos.

    Comentário por Orlando — Segunda-feira, 28 Janeiro 2008 @ 2:49 pm

  10. “A comparação com diluente ou cola é reveladora do seu facciosismo.”

    Claro, há duas facções, a sua e a minha! Mas a comparação da cola com o tabaco exemplifica bem a coisa, ambos são hábitos inúteis, auto-destrutivos e que se propagam pelo ar. Nada para perceber como outras pessoas sofrem com a abundância do tabagismo como se colocar directamente no seu lugar, apenas a falta de bom senso pode ignorar tão claro exemplo.

    “Mas aceitemos como boa a sugestão: se o consumo de gasolina fosse legal, eu procuraria as discotecas onde esse consumo não fosse permitido ou tivessem um local próprio para os consumidores de gasolina snifarem à vontade.”

    Eu acho que não percebeu o que eu lhe expliquei, tem de tomar a inalação de gasolina, e dispersão da mesma no processo, como um hábito tão extendido como o é hoje o fumar , aí é que pode sair da sua confortável posição na qual o fumo não o incomoda e perceber o que é estar deste lado. Já sabe que sitios livres desse consumo de gasolina existiriam tantos como os que existiam livres de fumo até antes da lei, ZERO. O Orlando quer colocar em pé de igualdade dois hábitos (fumar e NÃO FUMAR) perante o mercado. É uma questão moral, sabendo o que sabemos hoje sobre os maleficios do tabaco, não colocar os não-fumadores em primeiro lugar. O Orlando toleraria que a sua vida e os sitios onde vai estivessem livres dos gases da gasolina por acção livre do mercado? Não se esqueça de no exercício substituir TODOS aqueles que vê no dia a dia ( INCLUINDO ENTES PRÓXIMOS) com um cigarro, por alguém com uma latinha ou copo de gasolina na mão.

    “Eu não me sinto no direito de proibir que as pessoas snifem gasolina, se a lei o permite. Dá para entender isto? A COMPRA DE CIGARROS É LEGAL!”

    Sim, porque É POSSÍVEL fumar e snifar gasolina sem interferir com os outros, por isso é que é legal e não faz sentido proibir. Agora o que esta lei corrigiu foi a “igualdade” de liberdades, agora a liberdade de fumar e tomar decisões de mercado que favorecem os fumadores e a dispersão do fumo para terceiros, não é superior á liberdade de não apanhar com fumo, foi colocada para segundo plano, e bem.

    “Não se trata de sentimentos: trata-se de RAZÃO, de raciocínio. Não faz sentido que se proíba de fumar em todo o lado e não se proíba a venda de cigarros. É difícil perceber isto? Isto é tão lógico que não entendo que exista gente que não perceba. ”

    Eu acho que se trata é de vícios… Continua-se a permitir fumar nos sitios onde não interfira com terceiros. E não se proibe de fumar em todo o sitio.

    “todas as coisas que escrevo sobre esse e outros assuntos têm por base a RAZÃO”

    Então porque ignora o irracional acto de fumar? Porque raios é que acha que um hábito PERIGOSO E DISPERSIVO tem de estar sujeito ás mesmas liberdades? Empaturrem-se de sal, açucar e gordura, não afectam mais niguém. Mas agora temos considerar os fumadores em pé de igualdade?

    “Devemos racionalizar as questões: se o mercado for útil ao cidadão – no sentido da afirmação da sua liberdade dentro do respeito pelas regras racionalmente entendidas – não tenho nada contra o mercado.”

    Isso até alguém a favor da legalização das drogas leves e duras afirma. Diga-me como se distingue e demarca de alguém que afirme que a ilegalização das drogas é uma injustiça e uma privação das liberdades? As pessoas podem ser dependentes de heroína e repeitar essas regras “racionalmente entendidas”. É a favor da legalização das drogas duras, Orlando?

    “Talvez precisem de tratamento – mais do que os fumadores. Hoje criticam os fumadores, amanhã criticam os gordos, etc. Onde é que isto vai parar? ”

    OS GORDOS!? Muito racional da sua parte, e nada faccioso… Principalmente esse traçar de acontecimentos, dos fumadores para os gordos? :)

    “Não existe fundamentalismo se toda a gente estiver no ambiente que lhe agrada. Eu vou onde quero – toda a gente frequenta os locais que quiser – e esse facto não potencia nenhum tipo de fundamentalismo.”

    Orlando, eu sei que não sou brilhante, longe disso, mas não faça isso. Ninguém proibiu ninguém de ir a lado nenhum!

    “Não posso é impor aos outros as minhas condições de convivência: se não me agrada o ambiente, afasto-me.”

    Já lhe expliquei, e o Orlando já o sabia antes de eu o dizer, que a liberalização do tabagismo não é uma vitória da liberdade é uma vitória do mercantilismo sobre a saúde publica, é renegar os não fumadores para fora da maioria dos espaços e MAIS IMPORTANTE é deixar actuar a pressão social e dos grupos sobre os individuos ao ponto que estes troquem a sua saúde pela a possibilidade de conviver

    se estiver prestes a entrar num café de fumadores e tiver com três amigos que fumam, e estes não quiserem ir para mais lado nenhum porque querem fumar, que opções tenho?
    1. Deixo-os e vou-me embora, progressivamente afastando-me de grande parte das pessoas que conheço, pois eles fumam constantemente? Começamos todos a criar facções grupos formados não por outras afinidades ou amizades, mas por fumadore/não-fumadores?
    2. Fico com eles e torno-me fumador passivo o resto da minha vida, fumando uns maços indirectamente, sofrendo todos os incómodos, cheiro? A impossibilidade respirar fundo? O ardor nos olhos secos?

    É isto que a sua mente de fumador racional não entende. Agora faça a o favor de ignorar isto que lhe digo e repetir novamente a lenga lenga “quem está mal que se mude!” outra vez, como se fosse muito racional ignorar a verdadeira realidade da situação, TÁ?

    “O que os não-fumadores pretendem é conviver com os fumadores sem permitir que eles fumem. Bonito. Lá vem a superioridade moral. “Sou não-fumador, gosto de conviver com fulana e beltrana, mas não quero que elas fumem.” Isto não é imposição? Onde está o respeito pela liberdade dos outros?”

    Para os fumadores é fácil estarem-se nas tintas para se os não-fumadores se tornam fumadores e fumam em sua presença ou não. Que superiores amantes da liberdade vocês são… (Foi por causa disto que apresentei o exemplo da gasolina, para ver se sai dessa perspectiva unilateral do Universo) Para os não fumadores essa indiferença paga-se caro. Os não-fumadores estão-se nas tintas se os fumadores fumam ou não desde que não fumem perto de si, que não imponham o seu fumo. No conflito directo do espaço liberal e sem proibições os não fumadores são sempre subjugados pelas condicionantes sociais já apresentadas.

    Então o que leva a colocar os não-fumadores em primeiro lugar? O facto de se perceber que a haver cedência o sensato é que venha daqueles que enveredam pela propagação de gases derivados da combustão de folhas secas!

    E isto é que é razão. Mas o Orlando grita “fascistas!”. Nada faccioso e cheio de bom senso.

    “Conheço bem Espanha e o mercado espanhol da restauração já estabeleceu regras para todos. Em Barcelona, existem restaurantes para fumadores e para não-fumadores, dependendo do dono do restaurante. Naturalmente que quando um grupo me convida para jantar, não tenho nenhum problema em ir jantar a um restaurante de não-fumadores; mas quando estou sozinho, prefiro ir a um restaurante para fumadores. É assim tão complicado que não se entenda isto? Se as pessoas não fossem fundamentalistas, haveria espaço para todos.”

    A pressão de grupo mantém-se Orlando! O seu problema é considerar igual o Orlando ceder a um grupo de não fumadores ao contrário. Os não fumadores sofrem silenciosamente, quando confrontados na mesma situação que o Orlando a maioria não vai cortar laços com toda a sua rede de amigos! Ele vai ao restaurante com a malta porque de 5, 3 fumam e os outros 2 são passivos indiferentes, o que é pagar com umas inalaçãozitas de fumo? Não se vai cair morto da noite para dia não é? A alternativa é o isolamento, sentido imediatamente! Suponho que para um fumador incapaz de suportar psicologicamente a proibição de se autodestruir em nome do prazer, a pressão psicológica derivada da influência dos grupos e do isolamento social, é muuuuito dificil de entender…

    Comentário por Fenéco — Quinta-Feira, 31 Janeiro 2008 @ 10:01 pm

  11. Acho que a lei do tabaco não é errada de todo.
    A sua aplicação é que é de todo errada.
    A lei prevê cafés, restaurantes, bares e não só, para fumadores. Não dizendo ao certo o que fazer. Ou seja é uma lei elaborada à boa maneira portuguesa.
    Podia-se ter feito a lei, dando hipótese ao comerciantes de escolha. Acho que pago muitos impostos para me proibirem de fumar na maioria dos estabelicimentos.
    Defendo lugares para fumadores e não fumadores.
    Sou contra qualquer tipo de fundamentalismo.
    Neste momento noto que frequento menos cafés.
    Na zona onde moro já fechou um restaurante. Muitos mais vão fechar. Muito por culpa dos donos dos mesmos, que não tiveram a mínima consideração pelos clientes e não se informaram o que fazer.
    O café que frequento neste momento, fica a 5 minutos de carro de minha casa, é de fumadores e prospera.
    Será que os donos não vêem que vivemos numa sociedade capistalista? Que se mantiverem assim nesta inércia, muitos vão falir?
    Tenhamos bom censo e vivamos todos em harmonia.
    Cafés para fumadores e não fumadores em que cada um, quando entrar saiba aquilo que vai.
    A história dos fumadores passivos, acredito ser verdade, mas ninguém fala do monóxido de carbono que ingerimos todos os dias do fumo dos automóveis. Somos proibidos de fumar nos estacionamentos automóveis, mas permitem-nos respirar a atmosfera perigosa desses mesmos parques automóveis. Permitem-nos respirar o ar da av. da liberdade. Permitem-nos respirar o ar dum autocarro à pinha, sem tratamento algum e propício à propagação de todos os vírus. Já agora que se falam de vírus, também as salas de espera dos hospitais, sem tratamento algum, nos é permitido respirar.
    Quando tinha 11 anos impingiam-me na TV os cigarros com quilómetros de prazer. A tabaqueira usa químicos nos cigarros para me viciar ainda mais. O estado leva-me em cada maço muito imposto. Os não fumadores fundamentalista não me permitem fumar em sítio algum.
    Para terminar gostaria de deixar aqui uma realidade para reflectirmos: Se todos os fumadores deixassem de fumar ao mesmo tempo, os imposto tinham que aumentar muito, visto o estado ganhar com o vício milhares de milhões de contos.
    Não sei se me é permitido deixar o meu email, mesmo assim vou deixar para caso me queiram responder directamente e me criticarem em pontos que pensem eu não ter razão.

    paulolacm@gmail.com

    Muito Obrigado por perderem tempo a ler o meu desabafo.

    Paulola.

    Comentário por Paulo Martins — Segunda-feira, 11 Fevereiro 2008 @ 11:46 pm


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