perspectivas

Domingo, 23 de Dezembro de 2007

John Gray

Arquivado como: Religare — O. Braga @ 6:38 am
Tags: , , ,

Não há nada de novo em John Gray, senão o desenvolvimento e a actualização do cepticismo de Hume, e só encontra algo de novo nele quem não conhece a história da filosofia. “As crenças convencionais estão sempre muito afastadas da realidade”, e o mesmo se pode dizer da ciência – que é uma crença lógica e empiricamente fundamentada, e é “crença” porque se acredita precária e temporariamente que ela contenha a verdade – que todos os dias descobre que estava errada no dia anterior. Quando Gray critica os gregos, critica toda a ética que com eles nasceu muito antes do cristianismo – e é exactamente aí onde ele quer chegar, por motivos estritamente pessoais e subjectivos.

3 Comentários »

  1. De novo em Gray há, entre outras pequenas coisas (aquelas, por exemplo, que fazem com que um tema recontado pela milionésima vez faça de um romance algo de novo na altura em que é publicado), o desenvolvimento e a actualização do cepticismo de Hume. E isto já não é pouco. Mas a sua é mais uma opinião respeitável e interessante.

    Quanto à frase citada, no entanto, se conhecermos um pouco do pensamento de Gray facilmente percebemos que ele diria o mesmo em relação à ciência. Concordo consigo nesta asserção e Gray também.

    «Quando Gray critica os gregos, critica toda a ética que com eles nasceu muito antes do cristianismo – e é exactamente aí onde ele quer chegar, por motivos estritamente pessoais e subjectivos»: Sim, também tem razão, também é isso que ele critica e também é aí que ele quer chegar. Se são motivos pessoais e subjectivos, pois, naturalmente que serão, como são todos os motivos, e qual é o problema? Isso afecta a qualidade ou a pertinência dos seus argumentos, do seu pensamento?

    Independentemente da originalidade ou da qualidade da obra, e ninguém duvida que haverá melhores na milenária história da filosofia, tenho para mim (e isto não faz dele nenhum pioneiro vanguardista… ;) que o homem simplesmente não tem vacas sagradas, nem ciência, nem filosofia, nem humanismo secular, nem religião, nem coisa nenhuma e, como tal, critica tudo, como deve fazer um livre pensador. Ou não?

    Comentário por jpc — Domingo, 23 de Dezembro de 2007 @ 7:07 pm

  2. A Teoria Crítica de Adorno e Marcuse não faz outra coisa senão criticar tudo, e nem por isso os marxistas culturais podem ser considerados “livres pensadores”. Em todo e qualquer ser humano existe uma utopia, seja ela escancarada ou dissimulada; ao bom estilo britânico, Gray não revela a sua utopia, senão fazendo passar a ideia de uma “utopia da não-utopia”. Não tenho elementos para afirmar que Gray segue, de algum modo, a Utopia Negativa, mas tudo aponta para isso.

    Da filosofia britânica não tenho boa impressão: de Hume ao Utilitarismo de Bentham, até à ética simplista de Russell, na minha humilde opinião, muito pouco de positivo trouxe à filosofia. Os ingleses não são filósofos por essência e inerência: são snobes.

    Comentário por Orlando — Domingo, 23 de Dezembro de 2007 @ 10:56 pm

  3. Já respondi lá no meu tasco. Boas Festas!

    Comentário por joaopc — Segunda-feira, 24 de Dezembro de 2007 @ 2:50 am

RSS feed para os comentários desta entrada. TrackBack URI

Deixe um comentário

Blog em WordPress.com.