“O casamento gay obrigatoriamente tem que ser à tarde, de preferência numa sexta-feira ou num domingo. Afinal de contas, nenhum casal de bichas vai gostar do lugar comum de casar no sábado à noite. Tem que ser à luz do dia par poder usar aquele terninho rosa claro, digo, salmón, com aquele chapéu chiquérrimo.
Os convidados mais conservadores irão todos com vestes adequadas ao seu género original (se a parteira disse que é macho, vão todos de terno; se ela disse que é fêmea, vão todas de saia), e os mais resolvidos e badalados poderão ir montados se assim o desejarem, mas sem nunca desrespeitar a cerimónia dos noivos, porque ninguém quer ver aquelas duas bichas raivosas, né?
(…)
Então, o noivo seleccionado vai baixar a calça rosa, virar de bunda para os convidados e seu consorte enfiar-lhe-á o buquê de flores no rabo; é possível que as pessoas não entendam muito bem o que acontece, mas quando o buquê for por efeito de pressão expelido aos ares, descrevendo uma parábola, explodindo ao chegar ao seu ápice, todos os convidados compreenderão a mensagem de igualdade e alegria: uma chuva de pétalas vai cobrir toda a bicharada, que ficará dando pulinhos nas pontas dos pés, com as mãozinhas fechadinhas próximas ao corpo.E todos viverão felizes para sempre.”
Texto daqui.


