
*COMUNICADO OFICIAL*

Camaradas:
Vinda do norte, a chamada “francesinha” invadiu os restaurantes de Lisboa e do País. Mas existe algo de perverso na “francesinha”: o seu molho.
Os criadores retrossexuais da “francesinha” não compreenderam ainda que vivemos já no pós-modernismo e que, portanto, nos livros-de-cozinha pós-modernistas todos os ingredientes têm um valor relativo, e por isso, são iguais entre si. Sendo todos os ingredientes possíveis de igual valor, qualquer líquido serve perfeitamente para fazer o molho da francesinha, molho esse que os reaccionários do norte dizem ser “exclusivo” e “típico”, discriminando assim todos os outros ingredientes que não são seleccionados para fazer o molho da francesinha. Trata-se de uma questão de afirmação do domínio de uns ingredientes sobre os outros ingredientes que assim ficam de fora da selecção possível, o que configura uma manifesta expressão da sociedade opressora e da moral burguesa sobre a natureza em geral, e sobre o ser humano em particular.
Camaradas: insistir no “molho típico” da francesinha é uma forma intolerável de intolerância e que devemos eliminar radical e violentamente em nome da tolerância. A repressão legal, violenta e intolerante sobre os intolerantes que defendem a “exclusividade do molho” da francesinha é a melhor forma de afirmar os valores da tolerância que caracteriza o nosso movimento. Para além disso, o “exclusivismo cultural” do molho da francesinha revela uma tendência fascista para uma Nova Inquisição que não tem em conta a “auto-definição” de cada um dos cozinheiros que queiram confeccionar livremente o molho da francesinha. A ideia de que só se pode fazer o molho da francesinha de uma determinada maneira é uma forma de discriminação que não se coaduna com os direitos de cidadania exarados na Constituição.
Camarad@s:
A composição do molho da francesinha é absolutamente irrelevante, e o ideal seria servir a francesinha sem molho algum, para que ninguém se sentisse lesado nos seus direitos. Em última análise, rumo à utopia, acabamos com a francesinha por causa do seu molho exclusivista.
Enquanto não eliminamos o molho da francesinha da cultura popular dominada pelos FDP e porcos retrossexuais pré-históricos, o importante é afirmar politicamente a liberdade de cada um fazer o molho da francesinha à sua maneira e como lhe der na real gana, sem que por isso o resultado final seja discriminado ou preterido em função da composição do molho. Assim, toda a população deve ser obrigada por lei a comer a francesinha com o molho que cada um quiser confeccionar, e a recusa de qualquer cidadão de comer o “molho” de outro cidadão deve ser considerada uma forma de discriminação e um atentado à liberdade e aos direitos de cidadania do confeccionador, e o prevaricador deverá ser legalmente perseguido e punido.
Finalmente, o corolário da nossa luta será acabar definitivamente com o molho que discrimina os cidadãos, transformando a francesinha numa simples tosta-mista, ou servindo a francesinha com arroz de cabidela ou numa massa de bacalhau – tudo isto em nome do supremo valor da igualdade e da diversidade.
Abaixo o “molho exclusivo” da francesinha!
Abaixo os estereótipos culturais da maioria!
Vivam os estereótipos culturais da minoria!
A luta continua!
J. Socas – PhD, PhD, PhD, PhD, PhD.
Secretário-geral na (in) clandestinidade
- Engenheiro, licenciado em engenharia, PhD em Engenharia e engenheiro.
- Adicionalmente, engenheiro especializado em instalações aeroportuárias.
- PhD em “Dialéctica da Semiótica Marxista Cultural” (Madrid – 1945)
- PhD em “Naturalismo Profiláctico nas Relações Ibéricas” (Salamanca – de 11 de Agosto de 1935 a 30 de Fevereiro de 1911)
- PhD em “Semântica da Fenomenologia do Estruturalismo Aplicado ao Diálogo Inter-cultural” (Constantinopla e Bagdad – 125 a.C.)
- PhD em “Dinâmica do Misticismo Marxista na Relação com a Fé Neoliberal Hayekiana” – (Lisboa, UNI, com a preciosa colaboração de Estradas de Portugal SA, 2099)




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É isso mesmo, “camarada”!
Comentário por Henrique — Domingo, 16 Dezembro 2007 @ 2:26 pm