Este governo ultrapassa tudo o que eu poderia imaginar em termos de perversidade. Quando vimos uma mulher acamada com uma doença crónica a quem a Caixa Nacional de Pensões se recusa a dar a reforma antecipada, não podemos culpar a Caixa Nacional de Pensões, mas perversidade deste governo que dá as ordens estritas no sentido de não existirem excepções – nem para os mortos.
Para além do aspecto humano que alguns casos vindos a público invocam clamando por justiça, existe uma perversidade acrescida: toda uma série de anormalidades é perpetrada em nome do “aumento da produtividade”. O que é a produtividade?
A produtividade é a capacidade de uma sociedade em gerar dinheiro, e que implica uma “gestão de fortuna” a nível nacional. Um país é mais ou menos produtivo consoante a sua capacidade colectiva de gerar mais-valias, e depois de as gerar, terá que fazer um esforço constante para que o método da ganância utilizado e o valor dessa riqueza gerada não se deprecie em função de fenómenos da economia global.
Por exemplo: se o Bill Gates trabalhasse só uma hora por dia, ainda assim era mais produtivo que todos os trabalhadores portugueses da construção civil juntos a trabalhar 8 horas por dia, porque o Bill ganha muito mais dinheiro que os trolhas portugueses todos juntos. Portanto, o Bill é mais “produtivo”.
Quando um deputado vai dormir para a Assembleia da República, ainda assim é mais produtivo que uma empregada de limpeza que dá “onze de pé” e às vezes “algumas de joelhos, para variar” (falo de horas de trabalho). E porquê? Porque o deputado, mesmo ressonando, ganha mais dinheiro, e portanto, é mais “produtivo”. Estás a topar a coisa?
O povo espanhol, em termos médios, não é mais educado que o povo português. Contudo, Espanha apresenta índices de maior “produtividade”. Porquê? Porque a Espanha tem tido governos que lutam com “unhas e dentes” pelo acréscimo da mais-valia nacional, muitas vezes à custa aqui dos lorpas e crentes do país vizinho e de outros países que dizem que “o Aznar é fascista”.
Portanto, nem só do trabalho vive a produtividade, mas da capacidade de ganância por qualquer meio. Se puderes trabalhar 1 hora por dia e ganhar 5 mil euros por mês, não tenhas dúvida alguma que és mais produtivo que a esmagadora maioria dos portugueses. O problema que terás será a “gestão de fortuna”, isto é, o problema de manter esse ratio trabalho/produtividade por muito tempo – mas sempre podes recorrer à “ilegalidade legal” da lei, ao apoio das “cunhas” e ao tráfico de influências “legal” para continuares no remanso duma produtividade optimizada sem muito trabalho.
Quando o Sócrates te diz que tens que “trabalhar mais para aumentar a produtividade”, manda o marmanjola dar uma volta ao bilhar grande, porque em média, tu não trabalhas menos que um espanhol e ganhas metade. Diz ao Sócrates que fomente uma “guerra económica” com Espanha para que os espanhóis aliviem a pressão sobre a nossa economia – para que não sejamos nós uns dos co-responsáveis pela boa produtividade espanhola, enquanto trabalhamos que nem negros por uma côdea e figuramos na lista negra da produtividade europeia.
“Manjaste o esquema” da “produtividade?”









