A entrada de Portugal no Euro constitui, em certo aspecto, a antítese do 25 de Abril de 1974 – não pela moeda em si, mas pelo estado de espírito que se instalou na elite política portuguesa.
A seguir ao 25 de Abril, tínhamos uma classe política que acreditava num bom futuro; hoje temos uma classe política que baixa os braços e se resigna a uma fatalidade nacional. Então, vivíamos num novo tempo das Descobertas; com virtudes, defeitos e muitos excessos, zarpavam, contudo, as naus da esperança procurando novos caminhos para o nosso destino colectivo. Hoje, entramos numa depressão política pós-sebastianista que clama por El Rei Filipe de Espanha.
Confesso que fico “pior que estragado” quando vejo um candidato ao trono de Espanha (nem sequer é o Rei!) vir entregar um prémio aos indígenas portugueses, à boa maneira colonial, ser capa inteira dos jornais cá da praça, e ainda receber as vénias do soba local, Cavaco Silva, que suplicantemente lhe fala na abertura do mercado ibérico, o que significa em linguagem que todos entendam, “por favor, abram lá o vosso mercado que nós já estamos de pernas abertas desde que eu fui Primeiro-ministro.”
Perdemos a dignidade.




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