As Sociedades Secretas (5)

(Os templários e Baphomet)
Os Templários
Quando estudei, no antigo Liceu, a História de Portugal, os Templários não tinham a importância que assumem hoje, tanto na literatura comercial (romances, ficção) como na mais intelectual (ensaios, teses), como ainda nos mídia. Uma das razões para a desvalorização relativa do papel dos templários na História de Portugal, estará ligada à antipatia que Salazar nutria pela maçonaria, não só porque era um católico fervoroso, mas também porque tinha consciência de que a maçonaria tinha e tem um projecto de poder, com ideologia própria.
As Cruzadas tiveram, essencialmente, uma motivação económica. Os Árabes islamitas (semitas) dominavam a Rota da Seda e das especiarias do Oriente, controlavam toda a bacia do Mediterrâneo, e os seus barcos corsários pilhavam e destruíam tudo o que navegasse e não fosse islamita. Depois da queda do Império Romano no século 5 (411 d.C.), que coincidiu basicamente com a expansão muçulmana pela Europa a partir século 9, as trocas comerciais com o Oriente diminuiriam drasticamente, e a economia europeia regrediu. A pretexto de motivos religiosos – a protecção do Santo Sepulcro e dos locais sagrados do cristianismo – a nobreza e o clero europeu sugeriram ao Papa a organização de expedições militares à Terra Santa. O que se pretendia com as cruzadas, era libertar a rota da pimenta do jugo islâmico, permitindo assim o livre comércio com o Oriente.
Naturalmente que a expansão muçulmana, a pretexto da “expansão da fé do Islão”, tinha também motivações económicas. Através da “Jizya”, o único imposto religioso que a História registou, os islamitas exploravam todas as pessoas que se encontrassem sob o seu domínio e que não professassem a religião islâmica, obrigando-os, assim, à conversão para evitarem o pagamento do imposto (Jizya); depois de convertidos, os “novos muçulmanos” eram sujeitos à lógica da guerra islâmica de controlo económico de recursos. Existe, por isso, uma segunda motivação para as Cruzadas: a ideia europeia de que “a melhor defesa é o ataque”.
Em 1118, foi criada, no norte de França, a primeira ordem militar composta exclusivamente por monges: a Ordem dos Templários. Foi neste ambiente de ameaça da expansão muçulmana, da necessidade de se libertar a Rota da Seda do controlo dos islamitas, que a Ordem do Templo foi criada a partir dos monges de Cister, com o beneplácito de São Bernardo, um beneditino. Porém, as motivações dos templários eram distintas, diferentes das da nobreza europeia. Ao contrário das expedições cruzadas lideradas pela nobreza europeia, como aconteceu com a expedição militar que trouxe D. Henrique de Borgonha (pai de D. Afonso Henriques) à península ibérica, as motivações religiosas dos templários eram, no início da criação da Ordem, genuínas. Os primeiros templários viviam de esmolas e eram conhecidos como os “Pobres Cavaleiros de Cristo”. Vestiam o branco hábito monástico dos cistercienses, ao qual acrescentaram uma cruz vermelha sobre o peito.
As Cruzadas originaram um fenómeno de migrações populacionais em pequena escala, não só entre diversas regiões europeias, como da Europa para a Terra Santa; assim como D. Henrique de Borgonha (pai de D. Afonso Henriques) e o seu séquito ficaram na península ibérica, muitos cruzados, entre nobres, povo e monges, passaram a viver na Terra Santa, recusando-se a voltar aos seus países de origem, casando-se por lá com mulheres gentias e refazendo as suas vidas, usufruindo das benesses que o estatuto de vencedores lhes concedia. Existiu mesmo um reino da Terra Santa, de pouca duração. Os Cavaleiros do Templo instalaram o seu quartel-general no Monte do Templo, em Jerusalém, no local onde teria existido o Templo de Salomão.
Em Portugal, muitas localidades e terras foram oferecidas aos templários pelos serviços prestados na Reconquista, como por exemplo, o castelo de Soure e as suas terras vizinhas (1129), o castelo de Ceras e a cidade de Tomar (1159); a construção do Castelo dos Templários, em Tomar, foi iniciada em 1160. Um terço do Alentejo passou a pertencer aos templários, por doação de D. Afonso Henriques (1169).
O tempo passou, e entramos no século 13; sucessivas bulas papais deram aos Templários privilégios especiais, nomeadamente a possibilidade de colecta de impostos extraordinários nas terras que possuíam. A Ordem dos Templários passou a depender directamente do próprio Papa (prelatura pessoal), não estando sujeita nem submissa à demais hierarquia da Igreja Católica, o que lhe causou numerosos inimigos, fora e dentro da Igreja. A Ordem enriquecia paulatinamente, adquiria mais terras por toda a Europa, exercendo uma atracção sobre os servos da gleba e mesmo por parte da pequena nobreza deserdada pela lei da sucessão feudal, cujos membros se alistavam nas suas fileiras à procura de fama, glória, e dinheiro. O primeiro sistema bancário à escala global foi criado pelos templários; os ricos deixavam as suas fortunas nas mãos dos templários a troco de pagamentos de rendimentos em juros sobre os valores “depositados”. Hoje, chamamos a isto “gestão de fortunas”. Mais: era possível, através do “sistema bancário” dos templários, depositar dinheiro ou jóias em Paris e levantá-los depois em Roma ou Madrid, sob pagamento de uma comissão à Ordem. Dinheiro faz dinheiro, e em breve, os templários acumulavam uma riqueza descomunal para a época.
Em 1307, o rei francês Filipe, “O Belo”, manda prender os templários franceses e extingue a Ordem em França; no mesmo ano, o Papa Clemente V emite uma bula que determina a extinção da Ordem dos Templários em toda a cristandade.
Depois de ter “nacionalizado” a maioria dos bens dos Templários, D. Dinis transferiu alguns dos seus bens para uma nova Ordem, a De Cristo, aprovada pelo Papa João XXII em 1319. Os templários continuaram em Portugal, embora com outro nome. Entre os bens que continuaram sob o domínio dos templários, faziam parte áreas vastas na região de Pombal. Em Tomar, os templários mantiveram a posse do castelo e do convento, para além de terras circundantes.
Em França, o cenário foi diferente. Para além de verem todos os seus bens confiscados, os templários foram presos, torturados e muitos deles assassinados em cativeiro.
A História conclui que a perseguição do rei francês aos templários se deveu a razões de ordem económica, embora se tivessem utilizado argumentos de ordem religiosa para extinguir a Ordem. A imensa riqueza acumulada – ao longo de dois séculos – pelos templários, terá sido a real causa da sua extinção. Contudo, os argumentos de ordem religiosa utilizados pelo rei francês não são, de todo, inverdades, se bem que não tenham sido a causa primeira para a dissolução da Ordem militar monástica.
Durante a sua longa permanência no Oriente Médio, os templários entraram em contacto com o que restava da cultura e das civilizações da região. Seriam necessários séculos para que a influência muçulmana e a Jizya eliminassem as bolsas de resistência à assimilação religiosa e cultural do Islão. Por todo o Médio Oriente, conviviam várias religiões: a expansão muçulmana avançava, o cristianismo mantinha-se em algumas áreas coincidentes com o território herdado do Império Bizantino, mas as religiões e tradições locais ancestrais e as “Sociedades de Construtores” não tinham desaparecido. É certo que durante a estada dos templários na Palestina, eles tomaram contacto directo com resquícios culturais das antigas civilizações, e muitos dos conhecimentos e tradições religiosas dos Grandes Impérios foram trazidos pelos templários para a Europa.
Aquilo que foi, no início, um projecto monástico de genuína defesa de valores religiosos, transformou-se em pouco tempo num grande projecto de Poder a que, aparentemente, Filipe “O Belo” pôs fim.
Mais uma vez, “O Pêndulo de Foulcault”
Umberto Eco, no seu “Pêndulo de Foulcault”, fantasia sobre a verdadeira essência da maçonaria. Para quem não quiser ler um livro de 600 páginas e letra minúscula, faço aqui um resumo.
Como sabemos, Eco é um dos maiores especialistas da actualidade sobre a Idade Média; ele utiliza o seu vasto conhecimento sobre a Idade das Trevas para criar uma teoria fantasiosa. Naturalmente que “O Pêndulo de Foulcault”, segundo o seu autor, pretende ser uma obra de ficção; mas não só “o poeta é um fingidor”; muitos ficcionistas em prosa o são. Fingindo que não é verdade, através da “mentira” vão contando a história do que pensam – ou do que querem que se pense – ser a verdade.
Sendo que Eco é um socialista democrático, e que se deserdou do legado ideológico de Gramsci, sabemos que a área do socialismo democrático é a eleita pela maçonaria, onde pululam os seus membros e a sua influência. Na direita conservadora e na esquerda marxista, o campo de acção da maçonaria é muito mais limitado, porque nessas áreas politicas já existem ideologias (religiões) de base.
Aliás, nunca percebi como se pode ser “socialista” e defender a “democracia burguesa” representativa, a não ser que se siga os princípios norteadores da solidariedade cristã. Mas sendo que muitos (senão a maioria) dos socialistas democráticos se declaram como ateus ou agnósticos, somos confrontados com a insolubilidade filosófico-axiomática do “socialismo democrático”. Por um lado, parecem querer retirar do cristianismo a essência cultural da solidariedade social, e por outro renegam a cosmovisão cristã, como se a cosmovisão cristã e a solidariedade defendida por Jesus Cristo não estivessem intimamente ligadas e indissociáveis.
A minha opinião pessoal sobre Umberto Eco é de que, sendo ele um comunista relapso, e embora votado ao socialismo democrático, não vai muito “à bola” com a maçonaria – e nem com a Igreja Católica. “O Pêndulo de Foucault” foi uma forma romanceada de tentar justificar, perante a opinião pública, os dois mil anos de existência da maçonaria na Europa. Eco sabe que a maçonaria é hoje alvo de críticas em surdina por parte de uma opinião pública mais esclarecida. Eco sabe que só uma ideologia poderia manter as lojas maçónicas durante 2 mil anos. Eco sabe que o misticismo luciferino maçónico, só por si, não convenceria uma opinião pública racionalista sobre os malefícios da “cosa nostra” maçónica. Eco teria, assim, que encontrar outras razões mais racionais para justificar o fenómeno maçónico. Não foi por acaso que, ao longo de todo o livro, Umberto Eco fez uma só referência à propalada ligação entre a maçonaria internacional e a revolução bolchevique, mencionando o facto de Karl Marx ser judeu e de que a maçonaria estaria profundamente ligada à “Tradição” histórico-cultural de raiz semita. Esqueceu-se Eco de dizer que o próprio Estaline era judeu, e como bom judeu, mudou de nome. Até que ponto os bolcheviques foram manobrados pela maçonaria internacional? A julgar pela perseguição aos judeus que se seguiu à revolução russa, diria que esta teoria é inverosímil. E talvez por isso, Eco a terá relativamente ignorado.
Outra teoria ligeiramente aflorada por Umberto Eco no “Pêndulo” é a teoria alquimista. Os maçónicos seriam os protagonistas e defensores da Alquimia da transformação de materiais em ouro, da procura da magia que moldasse a Natureza, isto é, seriam os precursores da ciência e do Método cartesiano. Assim sendo, porque é que a maçonaria ainda existe hoje basicamente nos mesmo moldes medievais, três séculos depois de Descartes, num tempo em que a ciência se transformou na religião alegadamente sonhada pelos pedreiros-livres medievais?
Também de uma forma imprecisa, Eco falou dos templários e de Baphomet. E de uma forma imprecisa, ao correr da pena e mudando de assunto, descartou esta possibilidade ideológica, porque não racional. O livro teria que ser entendível por pessoas racionais e racionalistas – que não são sinónimos: uma pessoa pode ser racionalista irracional, e pode-se ser irracionalista racional.
Finalmente, Umberto Eco ancorou a sua teoria no “Pêndulo”, isto é, no fio-de-prumo dos trolhas maçónicos. Sendo a Terra um enorme magneto, os mações saberiam que existem forças magnéticas e telúricas que “governam” o planeta. Um pêndulo fixo num ponto, oscilando no vácuo, teria provado a órbita da Terra antes de Galileu, e revelado a existência do “umbigo do mundo” – um ponto geográfico que seria o centro a partir do qual o fluxo magnético-telúrico terrestre irradiaria. Localizado e identificado o “centro do mundo” pelos “iniciados” maçónicos, o poder sobre as nações e os povos seria total, porque seria possível o controle das forças telúricas, a prevenção e a provocação de terramotos que aniquilassem nações, o controle das tempestades e furacões, a possibilidade de fazer chover ou de privar alguns países da chuva – enfim, o Poder Total.
Segundo “O Pêndulo”, o conhecimento sobre esse “centro do mundo” viria dos Atlantes, “que se dispersaram pela Bretanha e pelo Egipto”, dando origem à mitologia céltica e egípcia. Segundo “O Pêndulo”, os celtas e os egípcios teriam a mesma origem: os atlantes, os habitantes da Atlântida perdida referida por Platão. Os menires celtas não passariam de pólos sensitivos dessas forças magnéticas e telúricas, e as pirâmides do Egipto idem, isto é, nem os menires, nem as pirâmides, eram meros monumentos funerários. Segundo “O Pêndulo”, a Torre de Babel foi a tentativa de construção de um enorme pólo sensitivo do magnetismo telúrico da Terra, tendo como objectivo o Poder sobre o mundo.
Alegadamente, o problema dos trolhas-livres na descoberta do “umbigo do mundo”era o mesmo que teríamos hoje se dispuséssemos do GPS nos nossos automóveis, mas sem uma mapa adicionado ao software do aparelho: os satélites diriam que estaríamos numa determinada coordenada, mas não nos poderíamos orientar se o aparelho não dispusesse de um mapa acoplado que traduzisse as coordenadas numa posição geográfica precisa. Continuando a comentar o raciocínio do “Pêndulo”, os mações teriam a certeza da existência do “umbigo do mundo”, mas os mapas medievais não permitiam a sua localização precisa, isto é, os mações tinham o GPS (“O Pêndulo”), mas não dispunham de mapas terrestres fidedignos. Por isso, tiveram que adiar a sua conquista pelo Poder Total durante séculos, até que a evolução humana pudesse dispor de mapas em condições de permitir a identificação do “umbigo do mundo” – um ponto geográfico através do qual o total controlo da Humanidade seria possível. E foi essa demanda pelo Poder Absoluto sobre a Humanidade (segundo “O Pêndulo”) que manteve a maçonaria unida durante dois milénios. Finalmente, esse “umbigo do mundo” teria sido localizado; não é por acaso, segundo o raciocínio implícito n’“O Pêndulo”, que Jerusalém se encontra no centro do planisfério tal qual nos foi presente desde a escola primária, e não é por acaso que existe “A Pedra Negra” no interior da mesquita muçulmana do Monte do Templo, em Jerusalém. E segundo o Pêndulo, o conflito na Palestina prende-se com o controlo do “umbigo do mundo”, isto é, do discricionário Poder Total da maçonaria sobre todos nós.
Umberto Eco diz-nos aquilo que pensa, sem nos revelar o que pensa. É certo que a maçonaria procura o poder indiscriminado e total sobre a humanidade. Por detrás da maçonaria, está uma religião que os mantêm coesos desde há milhares de anos.
Jesus Cristo disse que “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha que um rico entrar no Reino de Deus.” Esta frase foi revolucionária na sua época, e incomodou muita gente, desde o Baixo Judaísmo dos negócios pouco escrupulosos aos templários que enriqueceram desalmadamente. A sanção moral de Cristo em relação aos ricos que não partilhem a sua riqueza com os pobres, é para aqueles, profundamente ofensiva, mesmo insuportável. Os evangelhos são uma fonte tremenda de incómodo para os poderosos; por exemplo, quando Jesus se refere à viúva que oferece uma esmola (óbulo) na Igreja, dizendo que vale mais, perante Deus, a pequena oferta daquela pobre viúva, que deu o que lhe fazia falta, do que uma grande oferta de um rico que deu apenas o que lhe sobrava, podemos imaginar a afronta moral que os ricos e poderosos deste mundo consideravam ser o cristianismo.
Cristo provoca sistematicamente os poderosos:
Por aquele tempo, Jesus pronunciou estas palavras: Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos. (Mateus, 11, 25)
Por outro lado, sendo Jesus um essénio, herdou a herança filosófica da teoria da metempsicose evolucionária, que os essénios foram beber às religiões orientais, porque sendo os essénios mercadores, faziam o comércio com a Índia. A filosofia da reencarnação essénia (defendida por Jesus, O Cristo, e renegada pela Igreja Católica) é perfeitamente insuportável para quem, sendo rico, despreza os pobres, porque defende a tese de que um rico que despreze os mais necessitados voltará a nascer, desta vez na condição de pobre ou debilitado fisicamente, para assim passar a provação de outros seres humanos que desprezou numa vida anterior. O Concilio de Niceia, liderado pelo imperador bizantino Constantino, baniu a ideia de reencarnação adulterando os evangelhos (leiam os Apócrifos), mas não lhe foi possível, felizmente, “apagar” outras citações de Cristo porque corria o risco de descaracterizar completamente a Sua mensagem.
A resposta está exactamente aqui: todo o individuo que alimente conscientemente o desprezo pelo seu semelhante, é anticristo. Ao longo da História, raros sãos os poderosos que sabiamente tiveram em consideração o interesse dos mais necessitados; é muito mais fácil ceder ao interesse da ganância e da avidez material que deserda os pobres. A história da maçonaria está prenhe de gente poderosa e rica: Umberto Eco, especialista da História Europeia, fala-nos no “Pêndulo” de toda uma série de personagens sinistras que abraçaram a maçonaria do Poder e do dinheiro.
O gnosticismo herético dos templários tem uma razão muito mais comezinha do que a que “O Pêndulo de Foulcault” pretende fazer passar. Com o enriquecimento desproporcionado e imoral da Ordem, os templários sentiram a necessidade de justificar, sob o ponto de vista moral, o seu próprio estilo de vida, que no fundo, era incompatível com a filosofia cristã (o problema continua actual, em muitos meios “progressistas”). Em contacto com as antigas bolsas religiosas do Oriente Próximo, herdeiras do Baalismo e da Cabala compilada pelos judeus, os templários adoptaram secretamente o culto de Lúcifer, que no fundo, se resume à filosofia utilitarista que Brentham (ver “Utilitarismo”) veio a propor no século 18. Até os criminosos necessitam de uma lógica moral, por mais heterodoxa e eticamente absurda que seja, e os templários necessitavam de uma moral que norteasse o modus-vivendi dos seus membros.
Por exemplo, devido à segregação dos sexos em vigor nas Ordens monásticas católicas, a prática da homossexualidade era vulgaríssima, nomeadamente entre os templários, não porque fossem homossexuais, mas simplesmente porque não podiam, pelas regras monásticas, ter contacto com mulheres. Neste contexto, a pedofilia masculina passou também a fazer parte da cultura do “secretismo iniciático” dos templários, e o “segredo” era a Rosa que Cupido ofereceu a Harpócrates, o silêncio da Rosa.
Não condeno a pedofilia só porque é “ilegal”; a prática de sexo homossexual não era ilegal na Antiga Grécia, passou a ser ilegal na Europa, e só nos anos setenta do século 20 deixou de ser ilegal; e nada nos garante que não volte a ser ilegal outra vez. As leis são efémeras, quando submetidas à política e não à Ética. Acontece que não podemos falar de Ética sem considerarmos os princípios ético-morais introduzidos pelo cristianismo. O problema dos ateus é que ou se atêm à Lei para condenar a pedofilia, e assim sendo, aceitam implicitamente a hipótese de a lei mudar permitindo a prática pedófila no futuro (como aconteceu com a homossexualidade), ou baseiam-se em princípios éticos para os quais o cristianismo deu uma valiosa contribuição (a defesa dos mais fracos). Assim, um ateu pode perfeitamente ser um cristão que não acredita na cosmovisão cristã, o que seria o mesmo que comermos uma francesinha sem o seu molho característico: um absurdo. Acontece que Jesus disse, e passo a citar um dos evangelhos:
Neste momento os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe: “Quem é o maior no Reino dos céus?” Jesus chamou uma criancinha, colocou-a no meio deles e disse: “Em verdade vos declaro: se não vos transformardes e vos tornardes como criancinhas, não entrareis no Reino dos céus. Aquele que se fizer humilde como esta criança será maior no Reino dos céus. E o que recebe em meu nome a um menino como este é a mim que recebe. Mas, se alguém fizer cair em pecado um destes pequenos, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem no fundo do mar. Ai do mundo por causa dos escândalos! Eles são inevitáveis, mas ai do homem que os causa!” (Mateus, 18,1)
É pela Ética, que condeno a pedofilia. É pela Ética, que condeno o aborto. As leis que mudam ao sabor das políticas de cada época, não me dizem absolutamente nada.
Baphomet, o anticristo, conhecido na nomenclatura cristã como sendo Lúcifer (“O Anjo Caído”), era representado como sendo uma figura hermafrodita (com dois sexos), simbolizando assim a permissividade da homossexualidade e pedofilia masculina entre os templários. Por outro lado, o “Utilitarismo” luciferino defende a legitimidade da discricionariedade do homem na procura pelo Poder e a procura da riqueza como um direito inalienável do Ser Humano – mesmo que em detrimento de outros seres humanos – na sua “demanda pelo bem-estar”.
No fundo, a existência da maçonaria ainda hoje lembra-nos que Cristo existe, que os Seus inimigos continuam entre nós e mesmo dentro da própria Igreja que se diz de Cristo, como aconteceu no passado com os templários.








Simplesmente fantástico.Um grande abraço meu amigo.Adorei o artigo.
Comentário por Carolino Padrão — Segunda-feira, 31 de Dezembro de 2007 @ 8:08 pm
Caro Orlando, obrigado por me poupares a leitura do Pêndulo de Foucault. Ainda não há muito tempo peguei nele mas acabei por pô-lo de lado.
Bom começo de ano!
Comentário por Henrique — Terça-feira, 1 de Janeiro de 2008 @ 1:33 pm