
(Avental maçónico)
O “conhecimento”
No tempo dos Grandes Impérios da antiguidade, a esmagadora maioria das populações era analfabeta; uma minoria ínfima conhecia a escrita cuneiforme na Mesopotâmia, e a escrita hieroglífica no Egipto. Dessa minoria faziam parte, não só os sacerdotes politeístas (as sacerdotisas tinham utilidade diversa, como a prática de sexo pago em templos de tolerância), como aqueles que dominavam os segredos da construção de edifícios – uma elite que era detentora de conhecimentos científicos herdados não só dos sumérios, como da Índia e da China. Da necessidade de transmissão desses conhecimentos, em sociedades de maioria iletrada, surgiram escolas de elite.
As elites sumérias e os mesopotâmicas tinham conhecimento de coisas tão extraordinárias (para aquela altura) como a noção de zero, que os gregos e romanos nunca tiveram, e a noção de (f), sendo que f = ¹/ f + 1, resultando no número 1,618 – na realidade, o tem 10 milhões de casas decimais. A chamada “sequência Fibonacci” era já conhecida na Babilónia, e por intermédio dos semitas “mercadores de civilizações”, foi compartilhada pelos egípcios antigos. A sequência Fibonacci consiste numa sequência infinita de números, onde cada número é a soma dos dois últimos números que o precedem: 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, etc. Para qualquer número maior do que 3 nesta sequência, a proporção entre dois números consecutivos é igual a , isto é, igual a 1,618. O é conhecido como a “proporção dourada”, utilizada na construção dos edifícios nos Grandes Impérios do Médio Oriente antigo. A noção de ∏ (PI = 3,141618 etc.) era já do conhecimento dos babilónios.
Se pensarmos que uma grande parte da humanidade não tem, ainda hoje e em plena era da Grande Globalização, a mínima noção do que se refere acima, o controlo deste conhecimento por parte dos Grandes Impérios do oriente é extraordinário, e racionalmente difícil de explicar.
Conhecimentos de geometria que atribuímos aos gregos (como o teorema de Pitágoras), e a álgebra, de cuja autoria erroneamente atribuímos aos árabes islâmicos, foram já utilizados pelos babilónios e egípcios na construção de monumentos e de grandes edificações arquitectónicas. Da manipulação algébrica, surge a Cabala.
Sendo que todos estes conhecimentos estavam nas mãos de uma minoria pequeníssima, houve a necessidade de se criarem estruturas sociais que garantissem a transmissão geracional desse conhecimento: surgiram as “sociedades de construtores”, uma espécie de “universidades” da época. Surgiu, então, a génese da maçonaria.
Foi com este tipo de conhecimento que os semitas contactaram de perto, e foi através dos semitas que ele passou para a História europeia, seja pela diáspora judia, seja pela invasão muçulmana, seja pelo posterior contacto dos cruzados com a Terra Santa. Mas deste conhecimento antigo faziam parte intrínseca a cultura e as religiões politeístas dos povos de onde provinham. O dualismo gnóstico da idiossincrasia semita, que partilhava uma visão monoteísta da criação universal com a influência “underground” do politeísmo das grandes civilizações do Médio Oriente, passou à Europa que tinha já, séculos antes, sofrido alguma influência de cultos politeístas orientais (para além do politeísmo indo-europeu ocidental), por via da influência civilizacional romana no continente. Por exemplo, o culto da deusa egípcia Ísis proliferava pela Europa do Império Romano em decadência, bem como o da Grande Mãe Frígia (cá está o “culto oriental da deusa”) ou de Mitra.
+++++
Hiram Abiff, rei de Tiro, é especialmente adulado pela maçonaria, atribuindo-se-lhe a responsabilidade na construção do grande templo de Salomão, em Jerusalém. Para além da utilização dos conhecimentos das “sociedades de construtores” mesopotâmicas, o templo de Salomão tinha uma segunda importância: a do sagrado. Da junção do “sagrado” com o “conhecimento”, surge o significado especial que a maçonaria atribui à construção do templo, e daí, a importância de Hiram Abiff, considerado como o pai da maçonaria universal.
Contudo, Hiram Abiff, como bom assírio, praticava a religião politeísta assírio-babilónica de Baal e Marduk, das sacerdotisas que se prostituíam por devoção aos seus deuses. Se pudermos compreender como foi possível a um rei politeísta ajudar outro rei a construir um templo de uma religião radicalmente diferente da sua, será mais fácil entender a génese da maçonaria gnóstica, e o espírito que a marcou ao longo do tempo.




RSS - Posts



