perspectivas

Quarta-feira, 18 Julho 2007

As Sociedades Secretas (2)

Arquivado em: Maçonaria, Política, Sociedade — O. Braga @ 12:01 pm

templo_maconico.jpg
(Templo maçónico)

Origem

A maçonaria tem três dimensões distintas: as Sociedades de Construtores (antiguidade), as Sociedades Secretas Gnósticas (medievais), e a Maçonaria Especulativa (contemporânea). É difícil estabelecer um elo de ligação entre estas três fases históricas da maçonaria; o único que me ocorre, foi a necessidade constante de um “conclave de poder”, a congregação de esforços no sentido de manipulação política e económica ao longo dos tempos.

Alvin Toffler, na sua “Terceira Vaga”, explica-nos como é possível que numa qualquer sociedade contemporânea, possam existir pessoas que vivam na Primeira Vaga (sector primário), na Segunda Vaga (sector secundário) e na Terceira Vaga (sociedade da informação).
Este é um bom exemplo para compreendermos como foi possível que as três citadas fases da maçonaria tenham existido como pertencendo a uma serpente com três cabeças, em simultaneidade, em algumas (senão todas) épocas da História da Europa. Por exemplo, na Baixa Idade Média, conviviam pacificamente as Sociedades de Construtores – espécie de sindicatos de trolhas – com o secretismo gnóstico-compulsivo do anti-catolicismo primário das Sociedades Secretas Gnósticas, e já existia então, em estado incipiente, a Maçonaria Especulativa das manobras políticas de bastidores – e tudo isto sob os auspícios da mesma loja maçónica.

O factor judeu

A maçonaria tem raízes semitas. O substantivo adjectivado “semita” vem de Sem, um dos filhos de Noé, do qual consta que produziu a prole que deu origem aos povos que povoaram a palestina e toda a península arábica, espalhando-se depois na região do oriente médio como azeite em água: hebreus, arameus, nabateus, acádicos, árabes, etc. Todos estes povos tinham a mesma origem linguística e étnica.
Em contraponto, o cristianismo foi moldado por uma cosmovisão comum aos indo-europeus ocidentais: gregos (principalmente por estes), itálicos, celtas, eslavos, e germanos.

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Aqui faço um parêntesis, para referir apenas as escolas maçónicas europeias – que intercambiaram influências e culturas, ao longo do tempo, mas mantiveram intactas algumas características primordiais endógenas.
Desde logo, a maçonaria “céltica” ou “templária”, que se alastrou pela França, Inglaterra, Escócia, Irlanda, Espanha, Itália e Portugal. Depois, a “teutónica”, (Alemanha e países do norte) que gerou os Rosas-cruzes e os Illuminati, e outras sociedades secretas mais recentes que estiveram na base do nazismo. E podemos falar de uma maçonaria “mediterrânica” de influência judia (como foi o caso da seita dos “Alumbrados”), que perdurou em alguns países do sul da Europa até ao aparecimento da Inquisição, tendo sido substituída, em finais do século 15, pela “maçonaria templária”, mais dissimulada. A Escola de Sagres foi claramente composta por alguns membros de uma maçonaria “mediterrânica” (judia).

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Não é possível falar nos Grandes Impérios do Médio Oriente, sem que se refira a influência dos povos semitas – mesmo no que se refere ao Egipto Antigo. Os semitas foram uma espécie de “mercadores culturais”, fazendo a ponte entre as diferentes culturas e civilizações. Por isso, penso que não podemos falar em “civilização hebraica”, como não podemos falar em “civilização árabe”; tanto os hebreus como os árabes foram “mercadores civilizacionais”, não produzindo, propriamente, grande civilização. Há que distinguir “império” de “civilização”. Nem todos os impérios foram civilizações, e vice-versa. Bem sei que existirão desse lado, por ventura, moçárabes relapsos ou cristãos-novos reconvertidos insultando-me em surdina, mas lembrem-se de que vos pedi que não levassem a sério este meu relambório. É só a minha opinião, e nada importante.

A civilização mesopotâmica teve origem nos sumérios – cuja proveniência não é definida pelos historiadores – e nos assiânicos, que antes daqueles já habitavam a zona da confluência dos rios Tigre e Eufrates. Foram os sumérios, segundo nos impinge a História, que inventaram a escrita cuneiforme, e a civilização mesopotâmica prosseguiu com os indo-europeus orientais (persas, medos e partos, hititas, cassitas e mitânios, citas e cimérios). As influências civilizacionais dos sumérios chegaram ao antigo Egipto (e vice-versa) através dos semitas, nomeadamente através do Império Hebraico que dominou uma vasta área que ia da Mesopotâmia setentrional ao Mediterrâneo e o mar Vermelho.

Sendo os semitas hebreus os precursores do monoteísmo religioso que nasceu essencialmente do carácter nómada das sociedades hebraicas primitivas, conviviam na época dos Grandes Impérios com o politeísmo, seja o Zoroastrismo da Babilónia e do Império Persa, seja o Baalismo acádico, seja o politeísmo do Antigo Egipto. Em contraponto ao monoteísmo nómada e rural, o politeísmo floresceu nas redes urbanas dos grandes impérios da antiguidade (o mesmo fenómeno politeísta acontece hoje nas grandes concentrações urbanas; a diferença é que os vários deuses da actualidade têm outros nome).

Os semitas desempenharam um papel fundamental na ligação entre as civilizações politeístas egípcia e mesopotâmica, conservando, contudo, o seu monoteísmo religioso. Esta postura “dualista”, de profissão de uma fé monoteísta ao mesmo tempo que sofriam influências culturais das civilizações politeístas que imperavam à sua volta, moldou o gnosticismo atávico (importante: entenda-se aqui “gnosticismo” como “cultura do herético”, em sentido alargado, e não no sentido restrito do gnosticismo cristão) que nos chegou até hoje através da maçonaria. Sendo os judeus monoteístas, e convivendo com vizinhos politeístas, desde cedo incorporaram na sua idiossincrasia o gnosticismo herético; o Antigo Testamento narra as constantes “guerras” ideológicas que os profetas do judaísmo tiveram que travar com as incursões do politeísmo entre os povos de Israel.
Perante a rigidez da fé judaica, as influências politeístas dos Grandes Impérios perduraram através do secretismo caracterizado por uma visão sincrética da religião. Porém, quando o sincretismo pretende conciliar o irreconciliável, perde a sua lógica herética saudável e torna-se em algo indefinido, desconexo, caótico e obscuro; foi o que aconteceu, por exemplo, com o sincretismo religioso brasileiro. O sincretismo, em si, não é positivo nem negativo; depende do uso que façamos dele.

2 Comentários »

  1. CARACA ISSO É MUITO LOUCO

    Comentário por brenda.... — Terça-feira, 26 Agosto 2008 @ 2:27 am

  2. acho a maçonaria uma coisa intereçante e gostaria de participar mais acho que nao é aceito mulher,isso é muito ruim, mais tudo bem

    Comentário por jessica martins — Quinta-Feira, 20 Agosto 2009 @ 7:32 pm


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