perspectivas

Sexta-feira, 11 de Maio de 2007

Sobre aqueles determinados e outros charutos de que o Sócras não gosta

Arquivado como: politicamente correcto — O. Braga @ 5:42 pm

O Sócras vivia obcecado com o sistema de Educação na Finlândia; vai daí, e depois de nos dar o exemplo ao se ter licenciado na UNI com diploma emitido ao domingo (o dia do Senhor), resolveu o Sócras querer transportar conceitos daquele país nórdico para o nosso sistema de ensino, “esquecendo-se” das condições soberbas que beneficiam os alunos finlandeses: as salas de aula têm (em média) 18 alunos (nunca ultrapassando os 22), existe um PC portátil disponibilizado para cada instruendo (desde a escola primária), existem professores de apoio disponíveis em diversas áreas e em todas as escolas, não se fecham escolas no interior norte da Finlândia porque só existem meia dúzia de alunos, etc., etc.

O Sócras faz-me lembrar o Samora Machel, quando importou literalmente o maoísmo teórico para Moçambique, e depois, entre outras medidas decretadas por sua excelência, ordenou que os moçambicanos matassem, cada um, três moscas por dia, numa manifestação de integração maoísta na luta insecticida contra a praga que assolava o país. Como Samora, o Sócras não vive a realidade senão aquela sua que nos quer impôr a todos, de acordo com a sua idiossincrasia peculiar e radicalismo ideológico politicamente correcto. Tal como o Samora, o Sócras é uma anedota com pernas.

A última anedota do Sócras — se não tangesse o absurdo — é a lei dita “antitabágica”. No País do Sócras das Maravilhas, fumar um cigarro num restaurante, depois de manjar opíparo, é ilegal e passível de multa a partir dos 1000 Euros, ao mesmo tempo que Sócras defende publicamente os “casamentos” entre homossexuais e a legalização da adopção de crianças por duplas de gays. Em suma: para o Sócras, fumar é defeito, a sodomia é virtude, e o facto de uma criança ter duas avantesmas em lugar de um pai e de uma mãe é um hino à ética, à moral e aos bons costumes.

Para o Sócras, as casas públicas de “chuto”de drogas duras — produzidas pelos heróicos campesinos do Afeganistão — devem ser legalizadas (e despenalizadas no seu comércio, a julgar “pelo andar da carruagem”), e os consumidores do tabaco das multinacionais americanas devem ser depenados, rumo à proibição total do negócio. Por estas incoerências anedóticas, o Sócras é o Samora Machel português. Naturalmente, como uma boa anedota que é o “senhor ingenero”, o Sócras refugia-se na nobilitada ideia da protecção do fumador passivo — impondo ditatorialmente (à moda de Samora Machel) aos restaurantes uma medida que deveria ser decisão do foro dos seus proprietários – como acontece em Espanha; em vez de disso, o Sócras impõe-se na esfera privada dos negócios dos cidadãos; não nos manda a todos matar três moscas por dia, como o fez Samora, mas anda lá perto.

Em Espanha, o não fumador está protegido quando frequenta um restaurante exclusivo para não fumadores; em Portugal, o Sócras quer mandar em nossas casas.

À boa maneira do radicalismo mais absurdo, o Sócras defende a ideia de o Estado não se deve intrometer no quarto de dormir de cada cidadão, legitimando assim a ideia, entre outras, de que o sexo homossexual dá saúde e faz crescer. Mas ao mesmo tempo, o Sócras apoia, com o dinheiro desse mesmo Estado, as organizações de gays neste país e as suas actividades de propaganda cultural, que defendem uma certa ideia de como se pode e deve comportar o cidadão, não já no seu quarto de dormir, mas também na via pública e na sua actividade social e cultural padronizada.

A concepção hemorroidal bloquista da política do Sócras tem destas coisas, produz Samoras em todo o lado, e tem no Sócras o seu paladino nacional; queira Deus que se torne definitivamente o abencerragem luso do agerásico marxismo cultural.

Resta-nos a esperança que o próximo governo não socialista reforme esta lei “à Samora” do Sócrates, e remeta a protecção dos não fumadores para o paradigma espanhol, que estabelece que devem existir restaurantes para os não fumadores, e outros restaurantes para os que apreciam um bom charuto cubano depois de um repasto. A escolha é — e deve ser sempre — do consumidor e do proprietários do restaurantes, e nunca do “ingenero da mula russa”. O que o Sócras não pode fazer, é querer impôr ao povo o tipo de charuto da sua (dele) estrita e privada preferência.

3 Comentários »

  1. Infelizmente em Portugal segue-se aquela máxima: “tá mal… deixa estar!”

    Bem vindo e bom fds!
    abraço

    Comentário por matrix — Sexta-feira, 11 de Maio de 2007 @ 9:01 pm

  2. Que falta de elegância, Orlando! Concordo com meia dúzia de coisas que dizes (então, sobre o Sistema de Ensino, subscrevo). Mas o resto é… Incrível. Fiquei sem palavras. Absolutamente de um mau gosto tão mau gosto, que chega a dar gosto ler… Ehehe… Continua assim…

    Comentário por Manuel Anastácio — Segunda-feira, 14 de Maio de 2007 @ 8:34 pm

  3. Olá,

    É para informar que o Blog The Embassy mudou para http://a-embaixada.blogspot.com

    Pode actualizar o link?

    Obrigado.

    Comentário por lusitano1143 — Quarta-feira, 23 de Maio de 2007 @ 10:21 am

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