A fiabilidade e confiança nos servidores portugueses é baixa, em tudo devido a lacunas legais e/ou não aplicação da lei existente. Para quem quiser instalar um blogue com domínio próprio, chamo à atenção para os factos que verifiquei por experiência própria:
1) Os Host Providers portugueses, normalmente, utilizam servidores estrangeiros. Não “fabricam” praticamente nada, compram tudo feito. Compram o espaço em servidores estrangeiros por atacado, e vendem a retalho ao portuga por uma pipa de massa. A maioria assim faz.
2) A maioria dos Host Providers portugueses faz questão de ter um servidor próprio por uma questão de prestígio, que funciona em linha T1, quando nos Estados Unidos a maioria dos servidores já funciona com linha T2 (e mesmo T3). Os servidores portugueses, na sua maioria são vetustos dinossauros cibernéticos com pomposos nomes farmacêuticos (Dual Opteron, TriLogin, etc.) para “impressionar cliente”. Contudo, não dispõem (na maioria) de software (e hardware necessário para esse software) para bloquear ataques DNS de forma eficiente, por exemplo. Um ataque cibernético a um site hospedado num servidor português, pode ser considerado “justa causa” para rescisão unilateral do contrato por parte do Host Provider portuga.
3) Uma empresa de Host Provider no estrangeiro, nunca é considerada como tal se não tiver uma sala com servidores em T2. Um hospedeiro pequeno nos Estados Unidos, tem no mínimo, 5 máquinas ligadas em T2 à rede. Em Portugal, uma empresa em nome individual que tenha um servidor sofrível em T1, é considerado legalmente como sendo um Host Provider autorizado. A lei precisa de ser revista, e rapidamente, para salvaguardar o consumidor e o sucesso das empresas que investem nesta área (que também existem boas empresas a hospedar domínios em Portugal; são é muito poucas).
Depois, existem aspectos logísticos a ter em conta:
a) O blogue é um espaço dinâmico; faz parte do conceito de Web 2.0, tão vulgar hoje no estrangeiro. Contudo, o dinamismo da Web 2.0 não agrada aos Host Providers portugueses, porque quando estes compram os espaços virtuais aos servidores estrangeiros, esse negócio tem sempre por condição ou bitola, duas referências para efectivação do negócio: o espaço em disco duro no servidor e o consumo de banda. No primeiro caso (espaço em disco), não é tão importante num blogue, porque podemos sempre ir apagando posts que não tenham importância e que estejam desactualizados. Mas o consumo de banda, e dependendo da popularidade de um blogue, é sempre muito maior numa página dinâmica (como é um blogue) do que numa página estática com meia dúzia de visitas por ano e que anuncia uma pequena empresa qualquer.
Portanto, o blogue não é um bom negócio para o Host Provider português que “compra tudo feito”. Para os Host Providers estrangeiros, que têm recursos próprios suficientes e mesmo excedentes, o consumo de banda é irrelevante.
Para que se entenda: a Bélgica, por exemplo, tem um grande superavit de produção de energia eléctrica; por isso, a Bélgica pode dar-se ao luxo de ter todas as auto-estradas iluminadas por postes eléctricos de 100 em 100 metros.
No consumo de banda passa-se algo parecido: quem detêm os meios de produção (servidores) faz a gestão média dos recursos que dispõe (resources balance), e daí resulta que o consumo de banda passa a ser pouco importante, pelo que o alojamento de blogues passa também a ser bem-vindo nesses servidores.
b) A maioria dos Host Providers portugueses, e mesmo aqueles que têm um servidor em T1, subalugam as bases de dados no estrangeiro. Blogues construídos em WordPress (como este que estão a ler) necessitam de uma base de dados em MySQL para poderem funcionar, o que requer investimento em software e recursos extra do único servidor de que dispõem. Isto significa que o blogue funciona dependendo de duas realidades cibernéticas distintas, distanciadas entre si e administradas por entidades diferentes; muitas vezes acontece que a base de dados nos Estados Unidos está “em baixo” e o servidor pré-histórico português activo, ou vice-versa.
c) Nos blogues com sistema de publicação WordPress, todos os plugins recomendados pelo site oficial do WordPress funcionam perfeitamente num servidor estrangeiro. Os servidores portugueses, na maioria limitados, recusam, por exemplo, os cron jobs (que permite a “postagem” por email) e outras operações normais nos alojamentos pagos no estrangeiro. Em Portugal, em vez de permitir os Cron Jobs, normais na estranja, em servidores em PHP e Linux, os Host Providers, por uma questão de simpatia fonética, mandam o cliente efectuar “blow jobs”, como me aconteceu com a Webvila.
Se quiserem adoptar, mesmo assim, um provedor português em Linux, aconselharia a regra do “prefixo 6”: 600 Mb de espaço em disco, 60 GB de Consumo de Banda mensais, 60 Euros por ano.
Espaço inferior a 600 Mb, já não se usa; Consumo de Banda inferior a 60 GB, revela cigano que compra para vender; mais de 60 euros por ano, é especular e ultrapassar os valores de mercado. Mas acima de tudo, antes de contratar com um servidor português, manifeste por escrito a ideia de que pretende um site dinâmico, especificando o software a utilizar (WordPress, Blogger, ou outro), e perguntando se o Host Provider aceita o alojamento com estas características; e guarde a resposta bem guardada, caso o alojador não considere que exista algum problema. Isto para que não se queixe de que o blogue, como página dinâmica, consome “recursos do servidor” quando achar oportuno.







Ninguém me encomendou, obviamente a publicidade. O novo “host” do Apdeites (WebHS), no plano mínimo, faculta 250 Mb, tráfego “nacional” e “internacional” ilimitado, por cerca de 50 euros/ano. Os servidores estão fisicamente em Portugal, pelo que o tráfego do domínio é sempre considerado como “nacional”. Instalei uma data de “cron jobs”, três DB e inúmeros “plugins” (incluindo os que necessitam de extensões CURL) do WordPress, sem qualquer problema.
Enfim, pelo que se viu num passado recente, não serei eu exactamente, a pessoa mais indicada para recomendar ou sequer falar de web hosting, mas devo admitir que - até pela experiência anterior - não poderia estar mais satisfeito. A assistência, por telefone e on-line, é excelente e (mesmo) permanente. De facto, os 250 Mb não são grande coisa, mas são bastante mais do que tinha no anterior (pelo dobro do preço) e, repito, este é apenas o plano básico.
Comentário por apdeites — Domingo, 25 de Fevereiro de 2007 @ 7:08 pm
250 MB de espaço em disco é pouco — pelo menos para mim. O tráfego ilimitado não é importante, porque nenhum blogue nacional excede os 20 GB (a não ser que ponha MP3 a tocar à discrição.
A diferença de resposta entre o tráfego nacional e internacional (acesso ao servidor) mede-se em milisegundos — praticamente não se nota. Contudo, é verdade que o tempo inicial de acesso ao site fica uns milisegundos mais lento, no caso do tráfego internacional.
Os preços no estrangeiro estão a baixar de uma forma inimaginável até há pouco tempo. Já vi hosts americanos oferecendo 1 Giga de espaço, 20 Giga de tráfego mensal, por 30 Euros anuais (ou 3 Euros mensais! Um maço de tabaco. Só não tem domínio próprio quem não quer). Em Portugal, os tios dos alojamentos dão-se ao luxo de despedir clientes.
Comentário por delphin — Domingo, 25 de Fevereiro de 2007 @ 9:20 pm
O artigo apenas peca por umas lacunas técnicas, devidas possivelmente a falta de informação..
Primeiro.. as linhas:
T1 são 1534 Kb e não se usa à muito tempo, ainda mais sendo um termo americano. Em Portugal não existe T1, mas sim E1 (2048Kb de largura de banda).
T2 pela mesma razão em cima, também não é usado.
Hoje em dia, e já alguns anos, que as ligações entre datacenters é feita em Gb sobre FO (Fibra Optica).
No caso especifico do artigo, os servidores, quer em Portugal, quer no estrangeiro utilizam linhas ethernet de 10, 100 ou 1000Mb ligadas a um switch que por sua vez se liga ao backbone do datacenter com a largura de banda contratada pela empresa ao datacenter.
Poderia continuar a comentar mais alguns pequenos erros, mas não me parece que seja importante.
O que acho importante salientar é que nada se consegue sem primeiro fazer uma boa pesquisa. Quando se procura alojamento não se deve cair no primeiro. Deve-se sim selecionar vários, e dos que forem selecionados, contacta-los com todas as questões que nos ocorram.
Espero com este comentário completar de certa forma os dados apresentados, sem polémicas, mas com factos.
Para terminar, não quero deixar de dizer que existem em Portugal excelentes empresas que fazem um trabalho sério de apoio e suporte dos seus clientes!
Um abraço
Comentário por Carlos — Segunda-feira, 12 de Novembro de 2007 @ 2:19 am